TRF-6: resistências injustificadas a uma solução eficiente e econômica contra a morosidade

    Por Ivanir César Ireno Júnior*

    Artigo publicado originalmente em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/trf-6-resistencias-injustificadas-a-uma-solucao-eficiente-e-economica-contra-a-morosidade/?utm_source=estadao

    06 de agosto de 2020 | 14h13

    Em 2001, quando surgiu o primeiro projeto de criação de um Tribunal Regional Federal em Minas Gerais, que deixaria de fazer parte da 1ª Região, aguardavam julgamento no TRF1 236 mil recursos. Hoje, depois de 19 anos de debates e várias tentativas de solucionar o congestionamento e a morosidade da Justiça Federal de 2º grau nessa região, ainda aguardam julgamento 550 mil processos. É fácil perceber que a situação piorou, com sérios prejuízos para a população de 14 estados da federação, que esperam longos anos por uma solução definitiva para os seus processos.

    Dados e estudos comprovam que o TRF1 é o tribunal de 2º grau mais lento e congestionado do Brasil, devido à enorme sobrecarga de trabalho. Se comparado aos das justiças Estaduais e do Trabalho, o número de casos novos anuais por julgador é três vezes maior (1.600 contra 5.000). A carga de trabalho, que considera os processos em andamento, é oito vezes maior (3.500 contra 27.500). O tempo médio de tramitação dos processos é quatro vezes mais elevado (8 meses contra 37).

    O aumento do número de juízes de 1º grau com a interiorização da Justiça Federal (de 77 em 1989 para 663 em 2019 – 760%), não acompanhado pelo crescimento do número de desembargadores (de 18 para 27 – 50%), e a maior judicialização em busca da proteção de direitos gerou essa situação caótica.

    A criação do TRF6, que absorverá 35% da carga de trabalho do TRF1, é medida de gestão eficiente e sem novos custos, que se propõe a solucionar esse problema histórico. A proposta é de criação de um tribunal com estrutura reduzida, moderna e totalmente digital, que propicie que ambos os tribunais funcionem de forma mais racional e eficiente, com ganhos para a população, especialmente a redução do tempo de tramitação dos processos.

    A criação vai ocorrer sem alteração no orçamento da Justiça Federal, a partir do desmembramento do TRF1 e da reestruturação dos recursos humanos e físicos da Justiça Federal de 1º grau em MG, respeitando o limite imposto pelo teto de gastos e sem prejuízo ou concorrência com as medidas necessárias para enfrentar o gravíssimo momento sanitário e econômico vivido pelo país.

    Não será adquirido ou alugado novo imóvel ou contratados novos serviços terceirizados de manutenção.  Os 18 cargos de desembargador serão criados a partir da transformação de cargos de juiz. O enxuto quadro de servidores será formado a partir da redução e reestruturação do 1º grau e da reposição de cargos de aposentadoria, sem a criação de novas vagas.

    As justiças Estadual e do Trabalho possuem, respectivamente, 27 e 24 tribunais, e 1.734 e 567 desembargadores, proferindo, no 2º grau, decisões céleres. A Justiça Federal possui somente 5 tribunais, com 139 desembargadores, convivendo com sobrecarga e morosidade em seu 2º grau, em especial no TRF1.

    Diante dessas constatações acerca da necessidade e do modelo e custos de criação, não se justifica toda essa desconfiança e campanha contrária ao TRF6, que se apresenta, após 20 anos de tentativas frustradas, como solução com custo-benefício inquestionável para melhoria de um serviço essencial ao cidadão, em especial o mais necessitado: justiça acessível e célere.

    *Ivanir César Ireno Júnior, presidente da Associação dos Juízes Federais de Minas Gerais

    Repercussão na imprensa sobre a declaração do ministro Dias Toffoli em manter por 8 anos juízes afastados para disputarem uma eleição

    Veja a repercussão na mídia sobre a declaração do ministro Dias Toffoli em estender para 8 anos o prazo para juízes a poderem se candidatar em eleições.

     

    Jornal Nacional - Toffoli defende prazo para que juízes e procuradores se candidatem após deixarem cargos - https://glo.bo/30efeaQ

    G1 - Carreira não pode ser 'trampolim', diz Maia sobre quarentena maior para juiz disputar eleições - https://glo.bo/39Gjd34

    Estadão - Juízes federais pedem ‘equilíbrio’ em proposta de ‘quarentena’ defendida por Toffoli e Maia - https://bit.ly/3geDAqK

    Valor Econômico - Toffoli pede inelegibilidade de oito anos para ex-juízes e procuradores - https://glo.bo/2EAOHwj

    Extra - Toffoli defende prazo de oito anos para juiz ser candidato e Maia promete pautar sugestão 'em breve' - https://glo.bo/2DmV2KV

    Correio Braziliense - Toffoli defende oito anos de carência para juízes disputarem eleições - https://bit.ly/2Pmcgv3

    Agência Notícias Brasil - Toffoli defende que juiz só possa ser candidato oito anos após deixar a magistratura - https://bit.ly/3fcRfNQ

    O Antagonista - Juízes federais acham "exagerado" prazo de 8 anos para quarentena política - https://bit.ly/39GOItW

    Ouça a entrevista do ITR com o juiz federal Renato Becho sobre reforma tributária

    O repórter do ITR (International Tax Review) Mattias Cruz entrevistou o juiz federal brasileiro Renato Becho para discutir as dificuldades da reforma tributária, problemas no tribunal federal (CARF), suas experiências como magistrados e as dificuldades legais para as multinacionais que operam no Brasil. Becho integra a Comissão da Ajufe que discute a Reforma Tributária e traz importantes informações sobre o tema. 

    Ouça o podcast em: https://soundcloud.com/user-751437055/tax-talks-renato-becho 

    Estadão publica versão impressa de entrevista com o presidente da Ajufe, Eduardo André Brandão

    O jornal Estado de S. Paulo publicou no dia 9 de julho de 2020, em sua versão impressa, os principais trechos da entrevista concedida aos jornalistas Rayssa Mota e Fausto Macedo no portal Estadão. 

    Confira abaixo!

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    Seminário abre debate sobre relação do Judiciário e o racismo estrutural

    Ao abordar o racismo estrutural presente na sociedade brasileira, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou que o Poder Judiciário está atento e atuando para atender às demandas por igualdade da população negra.

    ‘Meu receio com os atos antidemocráticos é que vivemos na era do escândalo e das fake news’, diz juiz federal

    Diante dos ataques recentes dirigidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional, o juiz federal Eduardo André Brandão afirma que as instituições democráticas são ‘fortes para reagir e aplicar a reprimenda necessária’. Para o magistrado, discursos inflamados e a polarização ideológica atrapalham o País. Ele defende ainda que a liberdade de expressão não é salvo-conduto para ataques, ofensas e calúnias.

    Juízes federais estão cortando na carne há muito tempo, diz novo presidente da Ajufe

    Depois de participar das três últimas gestões da Ajufe (Associação dos Juízes Federais), que estiveram sob a presidência de Antônio César Bochenek, Roberto Veloso e Fernando Mendes, respectivamente, Eduardo André Brandão de Brito Fernandes, 49 anos, foi empossado no último dia 3, virtualmente, como novo presidente da associação que reúne cerca de 2 mil juízes federais. Confira a entrevista do CONJUR com o novo presidente da Ajufe!

    Vivemos um lamentável confronto eterno de ideias, diz novo presidente de entidade de juízes federais

    Empossado em meio à pandemia, Eduardo André Brandão, 49, assume a presidência da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) sob a responsabilidade de defender não só a independência do Judiciário, mas também os magistrados dos ataques que se proliferam nas redes sociais.

    "Não há democracia sem Judiciário forte", diz Moraes

    "Um juiz seguro precisa ter o apoio de uma associação institucionalmente forte", completou o ministro

     

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira que não há democracia sem poder Judiciário forte e que, mesmo com toda a sorte de problemas, ele vem demonstrando independência e altivez.

    "Não há democracia sem Poder Judiciário forte e não há Poder Judiciário forte sem juiz independente, altivo e seguro. Um juiz seguro precisa ter o apoio de uma associação institucionalmente forte, e é isso que a Ajufe é", disse Moraes, em cerimônia virtual de posse da nova diretoria da Associação dos Juízes Federais.

     

    Na semana passada, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões contra apoiadores de Bolsonaro por determinação do ministro do STF nesse inquérito.

    No início do rápido discurso, Moraes disse que gostaria de salientar a "imprescindibilidade" do Poder Judiciário no Estado de Direito. Destacou que o Poder Judiciário vem demonstrando "independência e altivez com toda a sorte de problemas", citando o fato de ter de enfrentar notícias falsas que sempre rodearam o Poder Judiciário brasileiro.

    Moraes aproveitou a solenidade para se solidarizar com as famílias das mais de 30 mil pessoas que morreram no Brasil devido à Covid-19. Ele citou que é sabido que a subnotificação no país é "muito grande" e destacou que a Justiça e o Poder Judiciário vem auxiliando aqueles que mais precisam na pandemia.

    Tomaram posse para um mandato de dois anos o novo presidente da Ajufe, Eduardo André Brandão, e outros integrantes da diretoria.

     

    Fonte: Terra.

    Alexandre de Moraes: 'Não há democracia sem Judiciário forte e juiz seguro'

    Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez um forte discurso hoje em evento de solenidade de posse da nova diretoria da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil). Depois de receber ameaças nos últimos dias, o ministro da corte ressaltou que não há democracia sem um Poder Judiciário "forte" e um juiz "independente, altivo e seguro".

    "Com todos esses problemas de contágio [do coronavírus], de isolamento, todos os ramos do judiciário se adequaram para poderem continuar próximos da população, exercendo rapidamente a função jurisdicional. Não há democracia sem poder judiciário forte. E não há poder judiciário forte sem um juiz independente, altivo e seguro", discursou.

    O ministro do Supremo afirmou que o Poder Judiciário se tornou ainda mais imprescindível no "atual momento brasileiro" —sem entrar em maiores detalhes sobre a que se referia entre a crise política, que fez estremecer a relação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) com o próprio STF, a instabilidade econômica do Brasil ou o coronavírus em si.

    "É importante aproveitar estes momentos para salientar a imprescindibilidade do Poder Judiciário no estado de direito sempre e, principalmente, no atual momento brasileiro. O Judiciário vem demonstrando independência e altivez com toda a sorte de problemas. Poucos juízes, com orçamento limitado, tendo que enfrentar notícias falsas, atualmente chamadas de fake news, que sempre rodearam o Poder Judiciário", acrescentou Moraes.

    "Com toda essa gama de dificuldades, o Poder Judiciário e a Justiça brasileira vêm exercendo seu papel de maneira magnífica. (...) Aqui, aproveito a oportunidade para me solidarizar com as famílias de mais de 30 mil mortos no Brasil. A contagem oficial tem subnotificação muito grande, mas temos mais de 30 mil mortos. A Justiça e o Judiciário vêm auxiliando aqueles que precisam mais nesse momento de pandemia. Só o STF já recebeu, nesses últimos 3 meses, só ligadas à pandemia, 2.500 ações", concluiu.

     

     

    Fonte: UOL.

    Eduardo André Brandão assume a presidência da Ajufe

    O juiz federal Eduardo André Brandão de Brito Fernandes tomou posse nesta quarta-feira (3/6) à noite da presidência da Associação Nacional dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). A nova diretoria, eleita para o biênio 2020-2022, representará os cerca de 2 mil juízes federais, desembargadores e ministros dos tribunais superiores que são associados da entidade.

    "A tentativa de desvalorizar a Justiça Federal é negar à população mais carente o reconhecimento de direitos cada vez mais urgentes e necessários", disse em seu discurso de posse. 

    Em virtude da atual crise sanitária que o país sofre, a cerimônia, que começou às 19h, foi virtual. Participaram por videoconferência o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o Procurador Geral da República, Augusto Aras, o advogado-Geral da União, José Levi, o ministro Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, além de ex-ministros da corte maior e ministros do STJ.

    Eduardo André Brandão é magistrado federal pela 2ª Região desde 1998, graduado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e mestre em Jurisdição Administrativa pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Presidiu a Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Ajuferjes) no biênio 2012-2014 e participou das últimas três gestões da Ajufe sob a presidência de Antônio César Bochenek, Roberto Veloso e Fernando Mendes, respectivamente.

     

    Fonte: ConJur.

    Na saída da Ajufe, Fernando Mendes pede intolerância às fake news

    Ao encerrar seu biênio à frente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), o juiz Fernando Mendes pediu três reflexões para o atual momento do país. "Primeiro, precisamos refletir sobre que tipo de sociedade queremos naquilo que virá a ser o que hoje já se denomina 'o novo normal'."

    "A pandemia escancarou os nossos problemas sociais e, impondo a todos o distanciamento e o isolamento social, abriu a oportunidade para que, desacelerando da correria do dia a dia, reavaliássemos as nossas próprias prioridades, condição necessária para corrigirmos os rumos do país e, democraticamente, evoluirmos como sociedade," disse, por meio de cerimônia virtual de posse da nova diretoria da associação, que reúne cerca de 2 mil juízes federais. 

    A segunda foi mais um alerta. "De um tempo para cá, o mundo vem sendo alertado de que as democracias não mais terminam com uma ruptura violenta, um golpe militar ou uma revolução. As democracias morrem em razão da escalada do autoritarismo e do enfraquecimento das instituições críticas, como são a imprensa e o Judiciário. Não podemos permitir isso."

    E fez um pedido. "Não se pode vedar a livre circulação de ideias, a liberdade de expressão e de imprensa e por isso a Constituição veda a censura prévia. Mas o exercício desses direitos constitucionais não significa a tolerância com a prática de atos criminosos ou a disseminação de notícias falsas. Ações coordenadas com a finalidade de desestabilizar o regime democrático e enfraquecer as instituições tem de ser combatidas pelos Poderes constituídos e pelos instrumentos constitucionais existentes. O Supremo Tribunal Federal, ao instaurar o Inquérito 4781, nada mais fez do que exercer um mecanismo legítimo de autoproteção, previsto em seu regimento interno, visando à identificação dos responsáveis pela prática de atos criminosos que serão responsabilizados pelos atores legitimados e mediante a observância do devido processo legal."

    Por fim, o juiz, que deu posse nesta quarta-feira (3/6) à noite ao seu sucessor, o juiz Eduardo André Brandão, disse que não há "Estado Democrático e de Direito sem um Poder Judiciário independente." "As decisões judiciais podem ser debatidas e criticadas em uma democracia constitucional, mas jamais descumpridas. Os Poderes em uma República são harmônicos e independentes, convivem em um sistema de freios e contrapesos e têm seus limites definidos pela própria Constituição, cabendo ao Supremo Tribunal Federal, e a mais ninguém, o papel de ser o seu guardião."

     

    Fonte: ConJur.

    Entidades criticam participação de Bolsonaro em mais um ato contra a democracia

    Matéria publicada originalmente pelo Jornal Nacional, na segunda-feira (1/6/20). Assista ao vídeo: https://globoplay.globo.com/v/8595635/

     

    Apoiadores do presidente Bolsonaro levaram para a Esplanada faixas com pedidos antidemocráticos. Uma delas dizia “Forças Armadas, fechem o Congresso e o STF já”.

     

    Neste fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro voltou a participar de um ato público, em Brasília, que defendia ilegalidades e afrontava a democracia brasileira. E, mais uma vez, a atitude do chefe do Poder Executivo provocou críticas de integrantes do Legislativo e do Judiciário.

    Apoiadores do presidente Bolsonaro levaram para a Esplanada faixas com pedidos antidemocráticos. Uma delas dizia “Forças Armadas, fechem o Congresso e o STF já”. O presidente viu tudo de cima, em um helicóptero da FAB, ao lado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Depois, Bolsonaro foi ao encontro dos manifestantes, primeiro a pé e depois montado num cavalo da Política Militar.

    Em São Paulo, manifestantes pró-democracia e apoiadores do presidente Bolsonaro se enfrentaram. Os PMs usaram bombas de efeito moral. Um inquérito foi aberto para saber se houve abusos. Seis pessoas foram presas.

    “O governo do estado de São Paulo garantiu e garantirá direito de manifestação a quem quer que seja. Todos têm direito de se manifestar, mas ninguém tem direito a agredir. Por isso, estamos em acordo com a prefeitura do município de São Paulo para que, a partir de agora, não tenhamos mais duas manifestações no mesmo local, horário e dia”, falou o governador João Doria. 

    A semana começou com críticas aos atos com pedidos antidemocráticos. Ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e governadores saíram em defesa da democracia.

    Em entrevista, neste domingo (31), à GloboNews, o ministro Gilmar Mendes criticou a participação do presidente Bolsonaro em manifestação que pede fechamento do Supremo: “Eu acho tudo isso preocupante e já tive oportunidade de dizer ao próprio Presidente da República, que me parecia extremamente inadequado ele participar de manifestações que invocavam, que clamavam pelo fechamento do Congresso, pelo fechamento do Supremo Tribunal Federal ou por qualquer medida antidemocrática. E, tão preocupante isso se revela, mais do que isso, acho que isso pode revelar algo criminoso".

    O governador do Maranhão disse, numa rede social, que “é muito importante que instituições políticas e jurídicas se movimentem para explicitar que o artigo 142 da Constituição não respalda ‘intervenção militar’ para fechar o Congresso ou o Supremo. Embora seja óbvio, isso servirá para sublinhar a ilicitude das marchas desses grupelhos”.

    No Congresso, parlamentares também reagiram. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu que a Justiça dê resposta dura aos que ameaçam o Supremo e reprovou o apoio de Bolsonaro a esses atos.

    “Ontem era contra o STF. Muito ruim o que a gente viu, com a participação do presidente. Sem dúvida nenhuma, nós devemos criticar e condenar uma atitude como essa. Depois, vai andar a cavalo? Eu acho que o ministro da Defesa, com todo respeito e admiração, andar de helicóptero com o presidente pra olhar uma manifestação contra o STF? Não é uma sinalização positiva. Isso vai gerando consequências e consequências porque a gente sabe que a grande maioria da população brasileira discorda, diverge, e não aceita que o valor democrático seja desrespeitado. Eu estava pensando... Ontem eu passei o dia inteiro lendo, vendo televisão. Não é possível que chegando a 30 mil mortos, caminhando para uma recessão histórica no Brasil – talvez no mesmo patamar do governo Dilma ou pior -, a gente passe o domingo, em vez de estar discutindo como a gente salvar as vidas, como a gente vai ao longo dos próximos meses sair do isolamento, para que a gente possa retomar a democracia, a gente fique vendo cenas de enfrentamento e de ataques à democracia no Brasil”, afirmou Maia. 

    O líder da minoria na Câmara, José Guimarães do PT-CE, criticou a participação do presidente e do ministro da Defesa: “O presidente Bolsonaro, ao participar sobrevoando helicóptero as manifestações fascistas de Brasília, acaba se comprometendo com elas, porque elas são acima de tudo um ataque à democracia, às instituições da República e ao STF. O momento exige de todos nós um grande pacto nacional em defesa das liberdades democráticas, da democracia e, principalmente, das nossas instituições”.

    O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, nega que Bolsonaro esteja contra os demais poderes: “É importante destacar que o presidente vai a essas manifestações com intuito de prestigiar essas pessoas que saem às ruas para lhe ceder apoio e também que, em nenhum momento, houve manifestação do presidente contrária aos demais Poderes. Aliás, a harmonia dos Poderes será potencializada quanto mais cada Poder se auto-conter diante das atribuições dos demais Poderes”.

    A Associação dos Juízes Federais disse em nota que “essas manifestações, evidentemente autoritárias e antidemocráticas, buscam dar indevido caráter ideológico à atuação jurisdicional e demonstram desprezo absoluto à independência judicial, um dos principais pilares de sustentação do estado democrático de direito, e que o Supremo como guardião da Constituição não pode, em momento algum, ser considerado afronta a qualquer dos outros Poderes”.

    Assista ao vídeo: https://globoplay.globo.com/v/8595635/

    Alexandre de Moraes lamenta fake news contra juízes e diz que Judiciário é independente

    Ministro é relator de um inquérito que investiga notícias falsas e ataques a ministros do STF

     

    BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou nesta quarta-feira a disseminação de notícias falsas contra juízes. Ele ponderou que, mesmo com dificuldades atuais, o Judiciário demonstra "independência" e "altivez". Moraes é relator de um inquérito que investiga notícias falsas e ataques a ministros do STF. Na semana passada, foi criticado por governistas por ter determinado buscas e apreensões contra apoiadores e aliados do presidente Jair Bolsonaro.

    — Quero destacar a imprescindibilidade do Poder Judiciário no Estado de Direito sempre, e principalmente no atual momento brasileiro. O Judiciário vem demonstrando independência e altivez com toda sorte de problema: poucos juizes, orçamento limitado, tendo que enfrentar noticias falsas, as chamadas fake news, que sempre rodearam o Judiciário. Com toda essa gama de dificuldades, o Judiciário brasileiro e Justiça Federal têm desempenhado seu papel de maneira magnífica - afirmou.

    O discurso foi proferido na cerimômia de posse do novo presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Eduardo Fernandes. O evento ocorreu por videoconferência, com a participação, à distância, de ministros de tribunais superiores e ministros do governo.

    — Não há democracia sem Poder Judiciário forte e não há Poder Judiciário forte sem juiz independente, altivo e seguro. Um juiz seguro precisa ter o apoio de uma associação institucionalmente forte, e é isso que a Ajufe é — declarou Moraes.

    O novo presidente da entidade também ressaltou as dificuldades atuais e afirmou que o Judiciário tem papel fundamental para resolver conflitos. 

    —  Esperamos que o Brasil encontre estabilidade e que a harmonia seja alcançada com diálogo — declarou Fernandes.

     

    Por Carolina Brígido do O GLOBO.

     

    Nota do general Heleno pode ser enquadrada na Lei de Segurança Nacional

    Por Revista CONJUR (https://www.conjur.com.br/2020-mai-23/nota-general-enquadrada-lei-seguranca-nacional)

    O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, divulgou nesta sexta-feira (22/5) uma "nota à Nação brasileira" para dizer que é "inconcebível e, até certo ponto, inacreditável" o "pedido de apreensão do celular do presidente da República". Pediu uma espécie de enquadramento na Lei de Segurança Nacional.

    "O curioso é que a nota do general Heleno, supostamente em nome da 'segurança nacional', pode ser enquadrada na Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170)", rebateu o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

    Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno
    Palácio do Planalto

    A lei citada acima pelo advogado, ex-magistrado e atual governador maranhense, foi promulgada em 1983, já no ocaso da ditadura militar (1964-1985), e lista crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social. Foi usada para enquadrar, principalmente, grevistas e manifestantes — mas não só eles.

    Também foi discutida no meio jurídico depois que Adélio Bispo de Oliveira, o autor da facada contra o então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha, foi indiciado com base na mesma legislação, pelo crime de "atentado pessoal por inconformismo político".

    Mais recentemente, em abril de 2019, o STF também usou a lei contra suspeitos citados no inquérito aberto pelo Supremo sobre fake news. E, em novembro de 2019, Bolsonaro disse que poderia evocar a lei contra o ex-presidente Lula, pelos discursos proferidos pelo petista ao deixar a prisão.

    Para Fernando Mendes, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais), "há algum tempo, o mundo vem sendo alertado de que as democracias não terminam com uma ruptura violenta, um golpe militar ou uma revolução. As democracias morrem em razão da escalada do autoritarismo e do enfraquecimento de instituições críticas, como são o Judiciário e a imprensa".

    "A nota do General Augusto Heleno é um terrível passo nessa escalada. Não podemos achar isso normal. Não podemos aceitar esse tipo de coisa. O Brasil precisa de estabilidade e de respeito às instituições."

    Para a AJD (Associação dos Juízes para a Democracia), a nota expedida pelo general Augusto Heleno, em tom de ameaça, reforça essa convicção de uma tentativa de golpe a caminho.

    O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, chamou a fala de "anacronismo" e pediu para o general "sair de 64", início da ditadura militar que mandou no país até 1985.

    O ministro Augusto Heleno fazia referência a solicitações de parlamentares e partidos de oposição em notícia-crime enviada ao Supremo Tribunal Federal, relativa a suspeitas de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na direção da Polícia Federal, conforme denúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, igualmente citado na petição.

    Respeitando a praxe para casos como esse, o ministro do STF Celso de Mello encaminhou o caso para a Procuradoria-Geral da República, a quem cumpre opinar se cabe ou não investigar a denúncia. O decano enfatizou que é dever jurídico do Estado apurar essas suspeitas, "quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República, independentemente do Poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário) a que tal agente se ache vinculado".

    Revista Consultor Jurídico, 23 de maio de 2020, 15h19

    Ajufe se posiciona sobre vídeo do Governo divulgado

    Veja a repercussão na imprensa sobre o vídeo, divulgado na última sexta-feira (22), da reunião ministerial do governo Bolsonaro.

     

    Fantástico: Jair Bolsonaro posta artigo sobre a Lei de Abuso de Autoridade em rede social (https://glo.bo/3gmLRZZ)

    G1: Não se pode admitir qualquer tentativa de enfraquecer ou criminalizar atividade jurisdicional, diz Ajufe após publicação de Bolsonaro (https://glo.bo/2AUluud)

    Estadão: Juízes reagem a ‘ameaças’ ao Supremo na reunião de Bolsonaro e seus ministros (https://bit.ly/2zs0x9L)

    Coluna Rubens Valente/ UOL: Presidente da Ajufe vê ameaça velada de Bolsonaro contra ministro do STF (https://bit.ly/36zFxdh)

    Veja: Juízes federais rebatem ataque de Weintraub ao STF: ‘indigno do cargo’ (https://bit.ly/3bVShff)

    Metrópoles: Juízes repudiam ataques de Weintraub ao STF: “Violência institucional” (https://bit.ly/3ec2juc)

    Jovem Pan: Entidades que representam juízes reagem à fala de Weintraub contra STF na reunião ministerial (https://bit.ly/2A3fwqK)

    ConJur: Nota do general Heleno pode ser enquadrada na Lei de Segurança Nacional (https://bit.ly/2Tw7BsP)

    Gaúcha ZH: Entidades criticam falas contra o Judiciário em reunião ministerial (https://bit.ly/36qRySk)

    Broadcast Político: Magistrados mostram preocupação com "manifestações desrespeitosas" contra Judiciário e Constituição (https://bit.ly/3ejIWiS)

    Correio do Povo de Alagoas: Não se pode admitir qualquer tentativa de enfraquecer ou criminalizar atividade jurisdicional, diz Ajufe após publicação de Bolsonaro (https://bit.ly/36tFpMl)

    Diário do Centro do Mundo: Nota do general Heleno, ministro do GSI, pode ser enquadrada na Lei de Segurança Nacional (https://bit.ly/2WYyCak)

    comuBahia.ba: Associação de juízes federais repudia atos de ministros em reunião de 22 de abril (https://bit.ly/3bVUdEx)

    Nomes que consolidaram a magistratura brasileira

    No Brasil, o Poder Judiciário é uma instituição forte e consolidada, situando-se entre as mais autônomas do mundo.

    Associação dos Juízes Federais rebate declarações de Ibaneis contra juíza

    Magistrada liberou volta das atividades no DF, com base em plano de reabertura gradual. Governador diz que ela não tem competência para tratar do caso.

    Assista à reportagem do DFTV (Rede Globo): https://globoplay.globo.com/v/8561046/

    Ajufe pede que Ibaneis 'evite atrito' sobre reabertura do comércio no DF

    Em nota, a Associação dos Juízes Federais do Brasil 'exorta o governador a respeitar a autonomia e independência da Justiça Federal e de seus integrantes'

    CB Correio Braziliense

    Em nota publicada na manhã desta segunda-feira (18/5), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) repudiou as recentes declarações do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a respeito da decisão de reabrir o comércio local gradualmente. Na nota de repúdio, a Ajufe “exorta o governador a respeitar a autonomia e independência da Justiça Federal e de seus integrantes, evitando polêmicas e atritos desnecessários durante o difícil período de pandemia que assola o Brasil e o mundo”.

    A entidade argumenta que a decisão judicial tem como base “farta documentação e informações fornecidas pelos técnicos do GDF” e que o cronograma de abertura progressiva do comércio em 45 dias, criticado por Ibaneis, foi apresentado pelo próprio Distrito Federal por meio de uma Nota Técnica da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

    O Tribunal Regional Federal 1 (TRF1) publicou a decisão assinada pela juíza da 3ª Vara Federal Cível Kátia Balbino de Carvalho, na manhã de sexta-feira (15/5), após uma visita da magistrada à sala de controle da covid-19 no Palácio do Buriti, na manhã de 7 de maio. Na ocasião, o GDF apresentou dados sobre a doença na capital e o que tem sido feito para combater o vírus. De acordo com a avaliação da juíza, a reabertura gradual garantiria mais segurança para funcionários, clientes e empregadores. 

    Entretanto, o GDF ingressou com recurso no TRF-1 para revogar a decisão da juíza. No documento, elaborado pela Procuradoria-Geral do DF (PGDF), Ibaneis Rocha afirma que “cabe ao Executivo local e não ao Judiciário tomar decisões sobre as datas e condições de abertura das atividades comerciais”.

    Contudo, segundo a Ajufe, “a mensagem do Chefe do Poder Executivo local para a população de que a Justiça Federal está invadindo competências não observa que a decisão mantém a prerrogativa do próprio Governador para reverter ou postergar qualquer medida de flexibilização, bem como respeita a sua responsabilidade pela elaboração dos protocolos sanitários”, diz a entidade.

    Publicada em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2020/05/18/interna_cidadesdf,855958/ajufe-pede-que-ibaneis-evite-atrito-sobre-reabertura-do-comercio-no.shtml

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