#AjufenaImprensa: OAB, juízes e MP acompanharão eleição de dentro do TSE

     No grupo estão, por exemplo, os presidentes da OAB e das associações dos Magistrados Brasileiros, dos Juízes Federais e dos Membros do MP

    As entidades que representam a advocacia, a magistratura e o Ministério Público acompanharão a apuração da eleição de dentro do Tribunal Superior Eleitoral. No grupo estão, por exemplo, os presidentes da OAB e das associações dos Magistrados Brasileiros (AMB), dos Juízes Federais (Ajufe) e dos Membros do MP (Conamp).

    As três entidades acompanham o processo desde o início e têm elogiado o TSE. “Com relação à votação, a expectativa é que o processo ocorra de forma tranquila. A Ordem acompanha todas as etapas do processo eleitoral e pode atestar a seriedade do TSE na organização da votação”, diz o advogado Beto Simonetti, presidente da OAB.

    “As urnas eletrônicas são um caso de sucesso, não existe nenhum indício ou prova de fraude em eleições passadas”, diz a juíza Renata Gil, presidente da AMB. “O TSE é o garantidor constitucional de que a vontade do povo será expressada de forma segura e o resultado do pleito será respeitado”, diz Nelson Alves, presidente da Ajufe.

    “Há membros do Ministério Público em todas as zonas eleitorais do país prontos a atuar quando necessário. Nossa experiência permite atestar que o sistema eleitoral brasileiro é exemplar”, diz o promotor Manoel Murrieta, presidente da Conamp.

     

    Publicação original: https://veja.abril.com.br/coluna/radar/oab-juizes-e-mp-acompanharao-eleicao-de-dentro-do-tse/amp/

    Repercussão na mídia da Nota Pública em apoio à ministra Cármen Lúcia

    . Jornal Nacional: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/10/22/moraes-repudia-covarde-e-abjeta-agressao-contra-carmen-lucia.ghtml

    . Estadão: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/juizes-federais-repudiam-ataque-de-cunho-sexista-apos-jefferson-chamar-carmen-lucia-de-bruxa/

    . Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/10/5046240-ajufe-divulga-nota-de-apoio-a-ministra-carmen-lucia-inaceitaveis.html

    . UOL: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2022/10/22/juizes-federais-repudiam-ataque-de-cunho-sexista-contra-carmen-lucia.htm

    . Migalhas: https://www.migalhas.com.br/quentes/375787/tse-e-entidades-emitem-nota-publica-sobre-ataques-contra-carmen-lucia

    . Poder 360: https://www.poder360.com.br/justica/ajufe-se-solidariza-com-carmen-lucia-apos-xingamento-de-jefferson/

    . O Bastidor: https://obastidor.com.br/justica/a-defesa-de-carmen-4474

    . Hora do Povo: https://horadopovo.com.br/para-juristas-jefferson-deve-voltar-para-cadeia-por-ofensas-torpes-contra-ministra-do-stf/

    . Poliarquia: https://poliarquia.com.br/2022/10/22/ajufe-se-solidariza-com-carmen-lucia-apos-xingamento-de-jefferson/

    . Vermelho: https://vermelho.org.br/2022/10/22/carmen-lucia-e-alvo-de-ataques-de-roberto-jefferson/

    . Blog do Lindenberg: https://blogdolindenberg.com.br/associacao-de-magistrados-quer-punicao-por-ofensas-de-roberto-jefferson-a-carmen-lucia/

    #AjufenaImprensa: Ameaças à segurança de juízes são intoleráveis, diz líder de associação

    Presidente da Ajufe afirma que magistrados estão acostumados a críticas e defende derrubada da PEC dos precatórios

    À frente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) no momento em que a entidade completa 50 anos e com o Judiciário sob ataque do presidente Jair Bolsonaro (PL), o juiz federal Nelson Alves, 42, afirma que é intolerável que críticas a magistrados se transformem em ameaças ou incitação à violência.

    "[Nesses casos] Têm que ser tomadas as providências junto aos órgãos de controle e até junto à Polícia Federal, para que haja proteção dos magistrados", afirma em entrevista à reportagem.

    Em sua gestão, uma das prioridades da Ajufe é defender a derrubada da PEC (proposta de emenda à Constituição) dos precatórios, que deu calote em dívidas reconhecidas pelo Judiciário e é questionada no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele diz que a emenda gera descrédito à Justiça.

     

    Para ele, a proposta que eleva os salários dos magistrados em 18% é um direito da categoria.

    *

    PERGUNTA - Aliados de Bolsonaro se queixam de ativismo judicial. Mas essa também foi a acusação da oposição no caso da censura das reportagens sobre os imóveis dos Bolsonaros. A Justiça tem excedido suas atribuições?

    NELSON ALVES - Não vejo dessa forma. A Justiça decide as demandas que chegam até ela. Lógico [que] algumas têm desdobramentos em que a parte A ou a parte B pode entender que houve um excesso, mas nesses casos há recurso. Nesse próprio caso [imóveis dos Bolsonaros], o ministro André Mendonça decidiu [derrubar a censura].

    O Judiciário sempre age mediante algum tipo de provocação, nunca age de ofício [sem provocação]. O juiz não acorda e fala "olha, agora eu vou decidir dessa ou daquela forma", sem ter um pedido.

    P - Mas isso aconteceu no inquérito das fake news, foi de ofício.

    NA - Se entendeu naquele caso que havia um flagrante, um delito em andamento contra ministros do Supremo. Realmente é uma exceção a essa hipótese. Quando você está diante de um crime em flagrante, não só o juiz, mas qualquer um pode tomar medidas. É muito excepcional, mas é um artigo da Constituição.

    P - Vivemos um momento grave de ataque ao Judiciário?

    NA - Em alguns momentos você percebe que há algum tipo de excesso na crítica ao Poder Judiciário, mas também acho que os juízes —de carreira ou aqueles que foram nomeados para o Supremo— têm a exata dimensão de que, durante a sua carreira, sofrerão algum tipo de crítica ou de ataque, numa linha do razoável.

    O juiz é uma figura que deve estar mais disposta a enfrentar críticas com tranquilidade. O magistrado tem uma tolerância muito maior a ataques do que a gente pode exigir de alguma outra pessoa da sociedade que não tem a missão de decidir conflitos.

    Críticas há, ataques até um certo nível são toleráveis. Mas quando descamba para algo além, que possa envolver violência, ameaça à segurança ou diminuição da personalidade do magistrado, isso é intolerável. Têm que ser tomadas as providências junto aos órgãos de controle e até junto à Polícia Federal, para que haja proteção dos magistrados.

    P -Como a Ajufe pretende agir nas eleições no caso de tentativas de descredibilizar o sistema eleitoral

    NA - Nós já estamos agindo. Houve algumas manifestações, até em certo momento recorrentes, de descrédito à Justiça Eleitoral e às urnas eletrônicas. A Ajufe sempre muito firme na defesa do Poder Judiciário. Nossas eleições são mediadas pelo Poder Judiciário, pela Justiça Eleitoral, pelo Tribunal Superior Eleitoral e nós temos a firme crença de que há um processo isento da mais alta lisura.

    As urnas eletrônicas estão em funcionamento desde 1996 e nunca houve nenhum tipo de impugnação efetiva ou alguma prova contundente de falha. Elas estão aí para análise e para escrutínio de quem quiser fazê-lo. Já houve dezenas ou centenas de testes.

    P - A questão dos precatórios tem sido uma prioridade para a Ajufe. Por que a entidade considera que a votação do Congresso é inconstitucional?

    NA - A questão dos precatórios é muito grave porque fere a confiança no Judiciário. O precatório é o final do processo judicial, é a hora que o Estado —seja União ou município— vai pagar. É a hora que vai haver o pagamento do que a pessoa lutou tanto, às vezes anos, dentro da Justiça para receber.

    O que fizeram essas emendas constitucionais? Rolaram essas dívidas para [pagamento em] um momento posterior.

    Isso gera um descrédito para o Poder Judiciário. Influencia na independência do Poder Judiciário, na regra do cumprimento das decisões judiciais, na efetiva atuação do juiz e, mais do que tudo, fere o direito de propriedade do cidadão brasileiro. Essas emendas constitucionais criaram exceções que são extremamente perigosas.

    Pelo andar da carruagem, se mantidos os números de agora, em 2026 nós vamos ter um calote total de quase R$ 230 bilhões, que é um valor estratosférico, muito significativo —e em alguma hora terá que ser pago. Isso vai gerar um prejuízo muito grande ao Brasil.

    P - Como o sr. viu a decisão do Supremo de enviar ao Congresso um aumento salarial de 18% para juízes? Não passa a impressão de que a categoria tem privilégios?

    NA - Não se trata de aumento no sentido técnico do termo. Na verdade é uma reposição da inflação e é um direito que, para a magistratura e para todo o serviço público, é garantido pela Constituição.

    Eu sou muito defensor de que o juiz seja o primeiro que busque fazer valer o seu direito para que, quando algum pleito da população em geral seja apresentado, ele também defenda com o mesmo vigor e ênfase, o direito previsto na Constituição.

    Desde a instituição desse regime de subsídio, em 2005, se houver a correção pelo índice inflacionário mais tímido e prudente, hoje a magistratura tem uma perda nos seus vencimentos na casa de 60%. O encaminhamento do projeto de lei com uma revisão de 18% atenua, de alguma forma, essa perda. Ainda não repõe integralmente. Lógico que a magistratura federal tem todo o conhecimento da realidade brasileira. Nós vamos debater o assunto no Congresso Nacional.

    P - Mesmo com a reposição, acha que proposta que prevê reajuste de 5% no vencimento de juízes e promotores a cada cinco anos de serviço é necessária?

    NA - A questão da PEC 63 tem um outro vertente, diferente da reposição inflacionária. Diz respeito a uma restruturação da carreira. Hoje nós temos uma ausência de sentido de carreira dentro da magistratura. Aquele juiz que entrou agora tem os mesmos vencimentos daquele juiz que está há 30 ou 35 anos na magistratura. Isso gera algum tipo de perplexidade para alguns órgãos com os quais magistratura conversa, e até com a iniciativa privada.

    O que visa essa PEC é trazer essa Justiça a quem fica na carreira e estimular que a cada cinco anos, a cada quinquênio, essa pessoa receba alguma retribuição por causa da experiência acumulada, devolvida dentro da magistratura e para a população. Entendemos como um pleito muito justo.

    Publicação original: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/09/ameacas-a-seguranca-de-juizes-sao-intoleraveis-diz-lider-de-associacao.shtml

    Repercussão da Comemoração dos 50 anos da Associação #AjufenaImprensa

    Nesta semana, a Ajufe completou 50 anos de existência e realizou série de eventos para comemorar o cinquentenário.

    Veja a repercussão das comemorações nos principais veículos de comunicação do país.

     

    Agência e Rádio Senado
    https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2022/09/ajufe-50-anos-magistrados-destacam-avancos-da-justica-federal-e-pedem-valorizacao-da-carreira
    https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/09/20/senadores-celebram-cinquentenario-da-associacao-dos-juizes-federais
    https://www12.senado.leg.br/tv/programas/noticias-1/2022/09/pacheco-defende-autonomia-dos-poderes-em-cerimonia-com-juizes-federais

     

    Jornal Valor Econômico
    https://valor.globo.com/politica/noticia/2022/09/19/pacheco-apresenta-a-guedes-alternativas-para-financiar-piso-de-enfermagem.ghtml

     

    Notícias do Superior Tribunal de Justiça
    https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/20092022-Senado-presta-homenagem-aos-50-anos-da-Associacao-dos-Juizes-Federais.aspx

     

    Folha do Estado
    https://folhadoestadoonline.com.br/politica-nacional/ajufe-50-anos-magistrados-destacam-avancos-da-justica-federal-e-pedem-valorizacao-da-carreira/
    https://folhadoestadoonline.com.br/politica-nacional/senado-celebra-cinquentenario-da-associacao-dos-juizes-federais-do-brasil/

     

    Correio Braziliense
    https://blogs.correiobraziliense.com.br/denise/no-pos-eleicao-centrao-estara-no-jogo/

     

    Portal R7
    https://noticias.r7.com/brasilia/associacao-dos-juizes-federais-comemora-50-anos-com-lancamento-de-livro-19092022

     

    Blogs e outros veículos
    https://odocumento.com.br/sessao-especial-do-senado-vai-comemorar-50-anos-da-ajufe/
    https://anoticiadigital.com.br/noticia/30563/senado-vai-comemorar-os-50-anos-da-ajufe
    https://revistadireitohoje.com.br/senado-vai-comemorar-os-50-anos-da-ajufe/
    https://blogdoedisonsilva.com.br/2022/09/pacheco-reafirma-defesa-da-democracia-autonomia-dos-poderes-e-confianca-da-justica-eleitoral/
    https://www.ocafezinho.com/2022/09/20/pacheco-reafirma-compromisso-com-a-defesa-da-democracia-e-confianca-na-justica-eleitoral/

    TRE-MS encerra curso de formação política com abraço simbólico a favor da democracia

    Formação oferecida pela Justiça Eleitoral debateu questões sobre cidadania e direitos

     

    O Curso Básico de Formação Jurídica para Política, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS), realizou sua cerimônia de encerramento na tarde desta sexta-feira, 05 de Agosto. Estiveram presentes autoridades do poder judiciário e alunos da formação.

    Iniciado no dia 2 de Julho, o objetivo do curso é esclarecer os aspectos jurídicos que envolvem a política e o cenário democrático brasileiro. As aulas ocorreram de modo online, contemplando populares de outros estados, e presencial.

    São mais de 60 certificados emitidos para os participantes. Formação foi voltada à comunidade em geral, com presença de líderes de movimentos LGBTQIAP+ e Negro, estudantes, universitários, candidatos e líderes comunitários.

    A coordenadora do curso, juíza federal Raquel Domingues Amaral, afirma que o objetivo do tribunal é “trabalhar a educação para a cidadania”, esclarecendo a importância do voto, da Justiça Eleitoral (que está completando 90 anos) e a confiabilidade das urnas eletrônicas.

    “O curso esclarece e elimina desinformações. A importância é formar cidadãos conscientes sobre a importância da democracia, então o curso esclarece muitas dúvidas que o eleitor tem”, explica Dr. Raquel.

    Servidor Público, Laudo Pinheiro da Silva, de 52 anos, foi um dos participantes da formação. Ele frisa a importância da população entender a política sob o prisma da constituição e das leis.

    “O cidadão, conhecendo seus direitos, tem argumentos, pode defender a democracia e se tornar pró-ativo em sua defesa”, afirma.

    Durante a cerimônia, a coordenadora falou aos presentes sobre a importância da razão para resolver conflitos políticos e dialogar sobre a convivência política e social. Usando a metáfora de labirinto, exortou sobre a importância do debate e tolerância.

    Para ela, “labirinto da pós-modernidade” há uma pluralidade de cidadãos e também desinformação, que bloqueia caminhos para o diálogo. A intolerância e a mentira são os principais bloqueios para a democracia.

    “Nossas mãos entrelaçadas nos tirarão do labirinto”, afirmou a Juíza Federal, pedindo para todos darem as mãos em gesto simbólico do lado externo do prédio do TRE.

     

     


     Escrito por Isabela Duarte para o portal Diário Digital.

    Entidades jurídicas repudiam investida de Bolsonaro contra urnas

    Associação de Magistrados Brasileiros defende lisura do processo eleitoral e alega que ataques pessoais são ‘inadmissíveis’; OAB-SP afirma que presidente tenta ‘fragilizar a democracia’, e associação
    de juízes federais rechaça ‘tentativa de impugnação’ ao resultado do pleito

     

    O gesto do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra urnas eletrônicas foi repudiado por entidades ligadas ao mundo jurídico. Na tarde desta segunda-feira, 18, o chefe do Executivo reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para disseminar alegações já desmentidas por órgãos oficiais sobre a segurança das urnas eletrônicas. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a OAB e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgaram notas.

    A seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) divulgou nota classificando a ação do presidente como uma tentativa de “fragilizar a democracia”, o que a entidade chamou de inaceitável. O documento “manifesta preocupação com os reiterados ataques à Justiça Eleitoral, às Cortes Superiores e à credibilidade do sistema eleitoral brasileiro, repetidos pelo Presidente da República na presença de embaixadores”.

    No documento, elaborado pelo observatório eleitoral da OAB, a instituição defende o sistema eletrônico de votação, que é desacreditado constantemente pelo presidente da República. A entidade corrobora as informações da Justiça Eleitoral e diz que as urnas fornecem transparência e confiabilidade e rapidez à apuração do resultado do pleito.

    “O sistema das urnas eletrônicas garante transparência, rapidez na apuração e controle público dos resultados, por meio de procedimentos auditáveis e acompanhados por partidos políticos, Ministério Público e sociedade civil”, destaca a nota.

    “Não é aceitável a tentativa de fragilizar nossa democracia, que tem no voto popular sua principal expressão, com ataques a autoridades e disseminação de manifestações falsas”, completa.

    Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifestou “irrestrito apoio” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alvo preferencial do presidente Bolsonaro para desacreditar as eleições. Em nota, a entidade afirmou que “o resultado da vontade popular será respeitado, independentemente de quem venha a ser eleito ou eleita aos cargos em disputa”.

    “Rechaça-se qualquer tentativa de impugnação a tal resultado fora das vias adequadas, ou seja, aquelas admitidas pelo ordenamento jurídico, garantida a independência do Poder Judiciário e a soberania do voto popular”, diz o documento.

    A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), maior entidade representativa da magistratura no Brasil, se manifestou reafirmando “a completa lisura” do sistema eleitoral. Em nota assinada pela presidente da entidade, a jurista Renata Gil, a associação defende a Corte eleitoral e lembra que o modelo adotado no Brasil é referência internacional.

    “O trabalho realizado pelos ministros e ministras do TSE, responsáveis maiores pela condução do pleito, não pode ser vilipendiado às vésperas das eleições, sendo inadmissíveis ataques pessoais aos principais atores da justiça brasileira”, diz a nota.

    A Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) destacou que, “em 25 anos de uso ininterrupto, nunca foi demonstrada nenhuma fraude em qualquer urna eletrônica em todas as eleições, desde 1996. Esse dado da realidade não pode ser desconsiderado.” A ABRADEP reúne cerca de 400 professores, advogados, servidores, juízes, promotores e cientistas políticos. “Discursos políticos, sem nenhum fundamento sério, que colocam em dúvida a integridade dos resultados eleitorais e a autoridade da Justiça Eleitoral para o exercício de suas funções desgastam a democracia brasileira, sobretudo em tempos de alta polarização”, disse a entidade, em nota.

    O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) também publicou nota em resposta à reunião de Bolsonaro com os embaixadores estrangeiros. “Neste momento sensível da história brasileira, é papel das instituições da sociedade civil defender a lisura histórica do processo eleitoral eletrônico e depositar integral confiança na condução do TSE, a fim de assegurarmos a segurança da institucionalidade da transição democrática decorrente do resultado das eleições”, escreveu.

    Assinam também o manifesto Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD); Academia Brasileira de Ciências (ABC); Central Única dos Trabalhadores (CUT); Fundação Astrogildo Pereira (Cidadania); Fundação João Mangabeira (PSB); Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT); Fundação Maurício Grabois (PCdoB); Fundação da Ordem Social (PROS); Fundação Perseu Abramo (PT); Fundação Rede Sustentabilidade (Rede); Fundação Verde Herbert Daniel (PV); Instituto Claudio Campos (PPL); Instituto Vladimir Herzog; Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST); Observatório da Democracia; Sindicato Jornalistas Profissionais Município do Rio de Janeiro; Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

     

     


     Por Davi Medeiros para o Estadão.

    Associações de juízes, OAB e IAB defendem voto eletrônico e criticam Bolsonaro

    Entidades fazem severas críticas às novas declarações do presidente feitas em reunião com embaixadores

     

    As principais associações nacionais da magistratura e da advocacia divulgaram, na segunda (18/7) e nesta terça-feira (19/7), notas públicas em defesa do sistema eletrônico de votação adotado pelo país desde 1996, com severas críticas às novas declarações do presidente Jair Bolsonaro feitas em reunião por ele promovida com embaixadores de vários países, na qual reiterou o seu “propósito em deslegitimar os poderes constituídos, as urnas eletrônicas que o elegeram e o papel da imprensa”.

    A citação acima está na nota oficial do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), assinada por Sydney Sanches, para quem “a manifestação irresponsável do presidente envergonha o País diante da comunidade internacional, desinforma a opinião pública e visa a delinear um cenário de instabilidade institucional, que venha a motivar um inadmissível ato de ruptura constitucional”.

    As outras manifestações oficiais foram das seguintes instituições: Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB); Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe); Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).

    A seguir, destaques das citadas manifestações:

    AMB

    O sistema de votação eletrônico implantado no Brasil é considerado um modelo de sucesso em todo o mundo, continuamente testado por organismos internacionais autônomos. Nunca se comprovou a existência de fraudes, apesar das verificações públicas a que as urnas eletrônicas são submetidas periodicamente.

    A jovem democracia brasileira possui instituições fortes o suficiente para atravessar os momentos de disputas eleitorais. A garantia da soberania da vontade popular é a condutora das ações das instituições do Estado brasileiro, especialmente da Justiça Eleitoral.

    O trabalho realizado pelos ministros e ministras do TSE, responsáveis maiores pela condução do pleito, não pode ser vilipendiado às vésperas das eleições, sendo inadmissíveis ataques pessoais aos principais atores da justiça brasileira.

    OAB

    A OAB reitera sua confiança no sistema eleitoral brasileiro, na Justiça Eleitoral e no modelo eletrônico de votação adotado em nosso país, reconhecido internacionalmente como eficiente e confiável. Desde 1996, a urna eletrônica é usada nas eleições sem que haja nenhum registro ou indício de fraude, com as votações resultando nas eleições de políticos dos diversos partidos e ideologias que coexistem no país.

    As ministras e os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contam com a confiança e o apoio da OAB para seguir em sua missão de organizar e assegurar a realização das eleições. Os diversos integrantes do tribunal têm sempre adotado as providências necessárias para manter atualizadas as resoluções eleitorais e também as tecnologias empregadas a cada votação, em um processo de amadurecimento que promove a continuidade da segurança do modelo brasileiro, seguindo padrões científicos e de segurança comprovados.

    Ajufe

    Por opção do legislador constituinte, atribuiu-se ao TSE o papel de condutor e árbitro dos processos eleitorais, incumbência que vem sendo por ele exercida de forma absolutamente republicana e eficiente ao longo dos anos.

    O exemplo máximo dessa eficiência foi a implantação e aperfeiçoamento das urnas eletrônicas, que, desde 1996, vem garantindo a mais absoluta legitimidade da vontade popular, sem qualquer indício efetivo de irregularidades na sua utilização, sendo, por mais de uma vez, inclusive por meio do Congresso Nacional, rechaçada a necessidade de adoção do voto impresso.

    Portanto, como vem acontecendo em todas as eleições prévias, reafirma-se a certeza de que o resultado da vontade popular será respeitado, independentemente de quem venha a ser eleito ou eleita aos cargos em disputa.

    Por fim e desde logo, rechaça-se qualquer tentativa de impugnação a tal resultado fora das vias adequadas, ou seja, aquelas admitidas pelo ordenamento jurídico, garantida a independência do Poder Judiciário e a soberania do voto popular.

    IAB

    O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) vem reafirmar o seu compromisso em defender, de forma intransigente, o processo eleitoral para escolha democrática dos candidatos, por meio do voto eletrônico, que vem sendo consagrado no País e sob a jurisdição exclusiva da Justiça Federal.

    As declarações do presidente da República, proferidas em reunião por ele convocada com embaixadores de vários países, onde repetiu o discurso sem provas e infundado de questionamento ao processo eleitoral e, mais uma vez, atacou os ministros do STF e do TSE, confirmam seu reiterado propósito em deslegitimar os poderes constituídos, as urnas eletrônicas que o elegeram e o papel da imprensa.

    A manifestação irresponsável do presidente envergonha o País diante da comunidade internacional, desinforma a opinião pública e visa a delinear um cenário de instabilidade institucional, que venha a motivar um inadmissível ato de ruptura constitucional.

    Neste momento sensível da história brasileira, é dever das instituições da sociedade civil defender a lisura do processo eleitoral eletrônico e depositar integral confiança na condução do TSE, a fim de garantirmos a segurança da institucionalidade da transição democrática decorrente do resultado das eleições.

    Afirmaremos sempre que é imperativo o respeito ao Estado Democrático de Direito fundamentado na soberania, no exercício da cidadania e no pluralismo político, e não iremos desistir de denunciar e combater qualquer manifestação que venha a alimentar o descrédito às eleições e à democracia.

    Anamatra

    A Anamatra está convicta de que ações que promovam a violação da democracia serão sempre combatidas fortemente pelos agentes públicos e políticos competentes e pela opinião pública nacional. Contudo, é sempre importante alertar a sociedade e apresentar seu posicionamento neste momento em que falsas afirmações são feitas pela autoridade máxima do Poder Executivo a respeito do sistema eleitoral brasileiro.

    Nesse sentido, a Anamatra expressa confiança no Poder Judiciário brasileiro, em seus Ministros, no Supremo Tribunal Federal, no Tribunal Superior Eleitoral, no sistema eleitoral brasileiro e em nossas urnas eletrônicas, modelo para o mundo.

     

     


     Por Luiz Carneiro para o JOTA.

    Entidades defendem TSE e urna eletrônica após ataques de Bolsonaro

    Entidades de operadores do Direito saíram em defesa do sistema eleitoral nacional nesta segunda (18/7) e terça-feira (19/7), após o presidente Jair Bolsonaro atacar o Tribunal Superior Eleitoral durante reunião com embaixadores.

    O chefe do Executivo nacional disse que o TSE atentaria contra as eleições e a democracia e esconderia um suposto inquérito sobre uma invasão hacker à sua rede em 2018.

    A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) declarou "apoio irrestrito" ao TSE, destacou a eficiência das urnas eletrônicas, "sem qualquer indício efetivo de irregularidades na sua utilização", e rechaçou tentativas de contestação do resultado das eleições deste ano que ocorram "fora das vias adequadas".

    Já a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) reafirmou a "completa lisura" do sistema eleitoral. De acordo com a entidade, a Justiça Eleitoral é capaz de "garantir um pleito limpo e imune a qualquer força contrária à segurança jurídica e ao Estado de Direito".

    "O trabalho realizado pelos ministros e ministras do TSE, responsáveis maiores pela condução do pleito, não pode ser vilipendiado às vésperas das eleições, sendo inadmissíveis ataques pessoais aos principais atores da Justiça brasileira", assinalou Renata Gil, presidente da AMB.

    O Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) manifestou apoio ao TSE e seus integrantes, "haja vista o seu papel de guardiões do regime democrático e da ordem constitucional". A entidade ainda repudiou "qualquer ameaça ou ato atentatório ao Estado de Direito e à democracia brasileira".

    O Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp) também veio a público expressar apoio à Justiça Eleitoral: "A lisura das eleições, sempre reconhecida no passado recente do país, é motivo de real apreço da democracia".

    Também divulgou nota pública o Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (Ibrade), reafirmando "total confiança na legitimidade e correção do processo eleitoral brasileiro", além de apoio irrestrito aos ministros do TSE.

    A nota lembra que o sistema é auditado todos os anos, há mais de 25 anos, e que as eleições são acompanhadas por observadores nacionais e internacionais. "Lamenta-se, portanto, qualquer forma de ataque ao sistema eleitoral nacional, inclusive o formulado na recente convocação de embaixadores de todo o mundo. O sistema é um orgulho para o país."

    Outra entidade que se posicionou publicamente sobre o assunto foi o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). pontuou que, no presente "momento sensível" da história brasileira, faz parte dos deveres das instituições civis defenderem a lisura do processo eleitoral eletrônico e depositar total confiança na condução do TSE.

    "A manifestação irresponsável do presidente envergonha o País diante da comunidade internacional, desinforma a opinião pública e visa a delinear um cenário de instabilidade institucional, que venha a motivar um inadmissível ato de ruptura constitucional", declarou o instituto, em nota.

    Por sua vez, a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) classificou como "desnecessária" a instabilidade política gerada pelos reiterados e sistemáticos ataques às autoridades do sistema eleitoral brasileiro e à Justiça Eleitoral, que, de acordo com a entidade, visam fragilizar a democracia brasileira.

    A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público também tornou público seu apoio ao TSE, assinalando que o atual sistema de voto eletrônico "jamais teve contra si qualquer comprovação ou sequer indício que sustente dúvida quanto a sua eficiência e lisura", nas palavras de seu presidente, Manoel Murrieta.

    Na tarde desta terça, o presidente do STF, Luiz Fux, se reuniu com o presidente do TSE, Luiz Edson Fachin, para conversar sobre os ataques. A Fachin, o ministro Fux reiterou confiança total na higidez do processo eleitoral e na integridade dos juízes que compõem o TSE, conforme informou a assessoria de imprensa do Supremo.

    Em nome do STF, Fux repudiou que, a cerca de 70 dias das eleições, haja tentativa de se colocar em xeque mediante a comunidade internacional o processo eleitoral e as urnas eletrônicas, que têm garantido a democracia brasileira nas últimas décadas.

    A Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) fez coro às demais instituições e afirmou que "não se deve instrumentalizar um debate sério e legítimo para outros fins que não sejam aqueles de aprimoramento dos procedimentos eleitorais".

    "Presencia-se a construção de uma narrativa que parte deste debate, que, repita-se, é legítimo, para provocar instabilidade política e colocar em dúvida a lisura dos resultados eleitorais".

    Outra entidade a manifestar seu repúdio aos ataques à Justiça Eleitoral foi a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis). "Ataques que tentam desmoralizar a Justiça Eleitoral, essa importante instituição da nossa jovem democracia, não são personalizados, mas se dirigem a cada um dos magistrados e magistradas que, com legitimidade, conduzem pleitos transparentes e pacíficos, em sinal de máximo respeito à nossa Carta Magna e à sociedade brasileira", diz trecho da nota divulgada pela associação.

    A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) se uniram para publicar uma nota em que também manifestam apoio à Justiça Eleitoral brasileira.

    "A Polícia Federal, assim como diversos outras instituições renomadas, tem participado de testes públicos de segurança promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e abertos a qualquer cidadão, cujo objetivo é buscar o contínuo aperfeiçoamento das urnas eletrônicas, sendo que até o momento não foi apresentada qualquer evidência de fraudes em eleições brasileiras".

     

     


     Texto originalmente publicado pelo CONJUR.

    Instituições manifestam apoio à Justiça Eleitoral e plena confiança no sistema de votação

    Após ataques sofridos, várias entidades vieram a público ressaltar a atuação da JE na garantia da democracia

     

    Ao longo dos últimos meses, várias entidades manifestaram publicamente apoio à Justiça Eleitoral, ao sistema eletrônico de votação e a convicção plena de que os resultados das eleições expressos pelas urnas eletrônicas são totalmente seguros, verdadeiros e confiáveis.  

    O sistema de votação brasileiro é reconhecido por diversas instituições sociais, jurídicas, profissionais, de combate à corrupção eleitoral, entre outras, como seguro, transparente e auditável, bem como fundamental para a defesa e o fortalecimento da democracia. Os ataques direcionados à Justiça Eleitoral nos últimos anos fez com que esse apoio crescesse ainda mais, ganhando a forma de manifestações públicas de apoio de diversos segmentos sociais em favor da manutenção do estado democrático de Direito no país, sem qualquer possibilidade de rupturas.

    Entre as entidades que divulgaram nota pública de apoio à atuação da Justiça Eleitoral estão as seguintes: a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol), Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).

    E, ainda, o Conselho dos Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (IASP), Associação dos Magistrados do Paraná (AMAPAR), Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Associação Brasileira de Juristas (ABJD) pela Democracia e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

    Apoios públicos

    Na manifestação encaminhada, a OAB reitera a credibilidade e a confiança na Justiça Eleitoral e no modelo eletrônico de votação adotado pelo país. “Desde 1996, a urna eletrônica é usada nas eleições sem que haja nenhum registro ou indício de fraude, com as votações resultando nas eleições de políticos dos diversos partidos e ideologias que coexistem no país. As ministras e os ministros do TSE contam com a confiança e o apoio da OAB para seguir em sua missão de organizar e assegurar a realização das eleições”, enfatiza a OAB na nota.

    Já a presidência da Fenadepol destaca, no texto divulgado, ser “inadmissível a normalização de ofensas ao sistema eleitoral, sob pena de destruição da democracia, onde o sistema de freios e contrapesos de nossa Constituição exige atuação forte dos órgãos que tem por atribuição a proteção da democracia”.

    Por sua vez, a carta do Condege ressalta que “a Defensoria Pública brasileira coloca-se ao lado e em defesa do regime democrático e rechaça qualquer ameaça ou ato atentatório ao estado de direito e à democracia brasileira”.

    Confiança nas ações da Justiça Eleitoral

    Para os integrantes do MCCE, o recente agravamento de posições políticas que questionam o sistema eleitoral faz com que representantes da sociedade atuem no apoio às iniciativas da Justiça Eleitoral para garantir a segurança do processo eleitoral.  “A integridade e a segurança das várias etapas das eleições de 2022 estão sendo conferidas por diversas entidades profissionais e sociais, entre outras, que estão atuando como observadoras e fiscalizadoras do processo eleitoral, como o próprio Movimento [de Combate à Corrupção Eleitoral]”, reforça.

    Em outra nota pública, entre as dezenas publicadas por diversas entidades nacionais, a presidência da Anamatra destaca a total confiança nas ações da Justiça Eleitoral e no sistema eletrônico de votação, “conduzido com competência e excelência pelo TSE, consistindo em importantes inovações tecnológicas genuinamente brasileiras, produzidas pelo trabalho dos técnicos da Justiça Eleitoral e da comunidade científica do país”.

     

     


     Publicado originalmente no site do TSE.

    Juízes federais defendem urnas e TSE após fala de Bolsonaro

    Presidente da República acusa tribunal de atentar contra a democracia e volta a falar em falhas nas urnas eletrônicas

     

    A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) defendeu na 2ª feira (18.jul.2022) as urnas eletrônicas. Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (PL), a associação criticou declarações que puseram em xeque a segurança do processo eleitoral brasileiro. Eis a íntegra (133 KB) da nota divulgada pela Ajufe.

    De acordo com a associação de juízes, o tribunal vem cumprindo o seu papel “de forma absolutamente republicana e eficiente ao longo dos anos”. Citou como exemplo a implantação das urnas eletrônicas, “que garantem a mais absoluta legitimidade da vontade popular, sem qualquer indício efetivo de irregularidades”.

    Os juízes também manifestaram “irrestrito apoio” ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e aos ministros, alvos frequentes do presidente.

    BOLSONARO VOLTA A FALAR EM FRAUDE

    Na 2ª feira (18.jul), durante encontro com embaixadores em Brasília, o chefe do Executivo disse ser o TSE que atenta “contra as eleições e a democracia”, acusações atribuídas a ele. Falou em vulnerabilidades nas urnas eletrônicas e de suposto ataque hacker.

    Logo depois das declarações de Bolsonaro, o presidente do tribunal eleitoral, Edson Fachin, afirmou que uma “personalidade pública importante” divulgou “inverdades” sobre as eleições, também sem mencionar o presidente.

    Em 13 de julho, o TCU (Tribunal de Contas da União) validou pela 3ª vez a segurança das urnas eletrônicas.

     

     


     Texto original do Poder 360.

    Juízes federais manifestam 'apoio irrestrito' ao TSE após Bolsonaro atacar o sistema eleitoral

    Juízes reforçam que só o TSE pode ser ‘condutor e árbitro dos processos eleitorais'

     

    Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgou nota, na segunda-feira (18), para manifestar apoio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diante das recentes investidas de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral e a segurança das urnas eletrônicas.

    Bolsonaro buscou lançar - sem provas - dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro em reunião com cerca de 70 embaixadores, no Palácio da Alvorada, nessa segunda-feira.

    O presidente vem fazendo críticas à Justiça Eleitoral e à credibilidade do voto eletrônico. Por sua vez, a Ajufe afirma ter”certeza de que o resultado da vontade popular será respeitado, independentemente de quem venha a ser eleito ou eleita aos cargos em disputa”.

    “Como vem acontecendo em todas as eleições prévias, reafirma-se a certeza de que o resultado da vontade popular será respeitado, independentemente de quem venha a ser eleito ou eleita aos cargos em disputa. Por fim e desde logo, rechaça-se qualquer tentativa de impugnação a tal resultado fora das vias adequadas, ou seja, aquelas admitidas pelo ordenamento jurídico, garantida a independência do Poder Judiciário e a soberania do voto popular”, diz a Ajufe.

    Justiça ordena que IBGE inclua identidade de gênero e orientação sexual no Censo 2022

    MPF diz que a obtenção das informações é essencial para subsidiar políticas para a população LGBTQIA+

    sexta-feira, 3 de junho de 2022 - 15:44

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    A Justiça Federal no Acre acolheu pedido do Ministério Público Federal e decidiu, em caráter liminar, que o IBGE inclua campos sobre orientação sexual e identidade de gênero no Censo 2022. Pela decisão, o IBGE tem 30 dias para comunicar à Justiça as providências tomadas e planejadas para cumprir a determinação.

    A ação civil pública foi ajuizada no Acre, mas vale para todo o território nacional, e demanda que o IBGE inclua, com a metodologia que considerar adequada, estes campos nos questionários básico e amostral do Censo.

    Na peça, o MPF argumenta que a obtenção dessas informações é importante para subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficientes, com especial atenção para a população LGBTQIA+.


    Em sua decisão, o juiz federal Herley da Luz Brasil escreveu que "a omissão que o Estado brasileiro, historicamente, tem usado em desfavor da população LGBTQIA+ é relevante e precisa ser corrigida. Enquanto a perseguição, a pecha de doente, a morte, o holocausto e outras discriminações criminosas foram e/ou são praticadas por ação, existe também a violação de direitos por omissão estatal."

    Magistrados da Justiça Federal falam sobre Liberdade de Imprensa

    O presidente da Record TV, Luiz Cláudio Costa, recepcionou os palestrantes, que esclareceram dúvidas de jornalistas

     

    Na manhã desta quarta-feira (18), aconteceu o workshop sobre Liberdade de Imprensa que contou com a presença de magistrados da Justiça Federal.

    O desembargador federal e vice-presidente da Ajufe na 3ª Região, Carlos Delgado, que atua no Tribunal Regional Federal e preside a 7ª Turma, especializada em Previdência e Assistência Social, e o juiz federal e diretor de prerrogativas da Ajufe, Alexandre Berzosa Saliba, titular da 1ª Vara Federal de Santos - SP, discorreram sobre o tema e esclareceram dúvidas de jornalistas e colaboradores da TV. O evento em formato híbrido reuniu cerca de 120 participantes.

    O presidente da Record TV, Luiz Cláudio Costa, recepcionou os palestrantes e ressaltou a importância da parceria imprensa e Justiça para informação e divulgação de notícias de interesse da coletividade, de toda a sociedade.

    Delgado e Saliba estiveram, ainda, nos bastidores do programa Fala Brasil, com Mariana Godoy e Sérgio Aguiar.

     

     


     Publicado originalmente pelo portal R7. Foto: Karina Lajusticia.

    Senado pode votar hoje projeto que passa ao Executivo pagamento antecipado de perícia do INSS para destravar fila

    O Senado deve votar nesta terça-feira projeto que determina que as perícias feitas em processos envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devem ser custeadas pela parte derrotada na ação judicial. Antes do término do processo, entretanto, a antecipação do pagamento deverá ficar sob responsabilidade do Executivo, segundo a proposta. A matéria ainda pode passar por alterações.

    "O ônus pelos encargos relativos ao pagamento dos honorários periciais referentes às perícias médicas judiciais realizadas em ações em que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) figure como parte e se discuta a concessão de benefícios assistenciais à pessoa com deficiência ou benefícios previdenciários decorrentes de incapacidade laboral ficará a cargo do vencido", determina o projeto.

    Nomeação de mulheres para o STF é inferior à média de 50 países pesquisados

    Taxa global de indicação de mulheres para cortes supremas é de 26%. No Brasil, apenas 3 magistradas foram indicadas

     

    Quando o assunto é nomeação de mulheres para cargos em Cortes supremas e constitucionais, o Brasil está abaixo da média global. É o que aponta um estudo realizado pela Universidade de Oxford, apresentado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) em coletiva de imprensa nesta terça-feira (8/03). Apenas três mulheres foram nomeadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em toda a história brasileira.

    O relatório, intitulado “Quem estamos empoderando? – Indicadores e Tendências sobre Diversidade Judicial em Cortes Constitucionais”, apontou que o Brasil teve uma taxa de apenas 11,1% de nomeação de mulheres no Supremo, entre 2000 a 2021, diante de 26% de taxa global.

    O estudo investigou o perfil de membros das Cortes constitucionais e supremas em 51 países e a transformação na composição delas nos últimos 21 anos, com intuito de contribuir com o mapeamento da diversidade de gênero, etnia, idade, formação profissional, cultural e socioeconômica.

    O relatório mostrou um aumento da participação feminina nas Cortes. Em 2000, havia 15,6% de mulheres nos 52 tribunais pesquisados. Em 2020, o percentual chegou a 36,6%. Apesar desse crescimento, a participação masculina também subiu, devido ao aumento das vagas nas Cortes constitucionais.

    A pesquisa apontou também que, no período analisado, a nomeação de mulheres nas Cortes é crescente e superior à participação feminina nos Parlamentos dos mesmos países.

    Na América Latina, o salto no número de mulheres nas Cortes constitucionais se deu de forma acentuada – triplicou entre a primeira e a segunda década dos anos 2000.  De 2001 a 2010,  foram 8 mulheres; e de 2011 a 2020, foram 24, com destaque para o Equador com 12 mulheres nomeadas entre 2007 e 2019. Vale ressaltar que o país implementou uma política de cota de gênero em 2005 – hoje a regra não é mais vigente.

    Na maioria dos países analisados, há maior prevalência da população branca nas Cortes constitucionais, mesmo que o perfil demográfico da população seja diverso. O Brasil, por exemplo, nunca nomeou uma mulher negra para o STF.

    Os dados coletados na pesquisa em relação à raça forma obtidos de forma exploratória, porque as Cortes, na maioria das vezes, não coletam o dado de raça e cor de seus componentes.

     

     

    Fonte: Texto escrito por Danielly Fernandes, para o JOTA.

    Participação feminina no STF é inferior à média global das Supremas Cortes

    O Brasil possui indicadores baixos de mulheres atuantes no Supremo Tribunal Federal. Enquanto a média global de participação feminina nas Supremas Cortes é de 26%, o país tem uma taxa de apenas 11,1% — apenas três mulheres nomeadas em toda a história.

    Os dados são da pesquisa "Quem estamos empoderando? Indicadores e Tendências sobre Diversidade Judicial em Cortes Constitucionais", promovida pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Foram analisados tribunais superiores de 51 países democráticos nas Américas e na Europa, além do Tribunal de Justiça do Caribe, no período entre 2000 e 2021.

    O estudo foi feito com a intenção de mapear principalmente a diversidade de gênero, mas também de etnia, idade, formação profissional, cultural e socioeconômica das cortes constitucionais desses países.

    A pesquisa mostrou um aumento geral da participação feminina. Em 2000, a porcentagem de mulheres nos 52 tribunais analisados era de 15,6%. Em 2020, a taxa já era de 36,6%.

    Houve um salto maior de representatividade feminina no continente americano a partir de 2010, enquanto a Europa possui uma participação mais gradual desde 2000. Considerando apenas a América Latina, o total de mulheres triplicou entre a primeira e a segunda décadas dos anos 2000 — de oito para 24 mulheres.

    Mesmo assim, ainda há uma enorme diferença entre o total de homens e o de mulheres ingressantes nas cortes a cada ano. No caso dos homens, o número anual já chegou próximo a 60 na segunda metade da década de 2000, e, no período analisado, nunca foi inferior a 20. Já as mulheres raramente superam essa marca.

    Por outro lado, a participação feminina nas cortes é superior à participação nos Parlamentos dos mesmos países durante o mesmo período. Enquanto atualmente há quase 40% de mulheres nas cortes, os Parlamentos ainda estão na casa dos 20%.

    Ainda de acordo com a pesquisa, os países pioneiros na nomeação de mulheres às cortes, na década de 1970, não possuem necessariamente, hoje em dia, os melhores indicadores de representatividade feminina. Na realidade, os países com maior diversidade tiveram sua primeira nomeação feminina entre 1995 e 2000.

     

    Outros aspectos
    Quanto à etnia, o Brasil também está abaixo da média global. A taxa mundial de não brancos nas cortes é de 8,5%. No Brasil, chega apenas a 3,7%.

    Em questão de diversidade etária e de origem geográfica, os números brasileiros são superiores ao restante dos países. Enquanto a média global de nomeados com até 60 anos é de 66,2%, o Brasil conta com 74%. Além disso, todos os juízes vêm de locais diferentes da sede da corte, contra 71,1% da média global.

    O estudo também analisou os critérios para nomeação nas cortes. Mais da metade (53,8%) dos países em questão adota regras de qualificação profissional para o cargo, e quase metade (46,1%) utiliza critérios de tempo ou outro parâmetro de experiência.

    Além disso, 32,6% desses países, incluindo o Brasil, exige a qualificação acadêmica para ingresso nas cortes. Já a idade mínima existe em apenas um quarto das nações estudadas.

     

     

    Fonte: Texto escrito por José Higídio, do Conjur.

    Judiciário brasileiro tem pouca presença feminina; veja números

    Pesquisa comparou o Judiciário brasileiro com o de 50 países e constatou a baixa representação no país

     

    No Dia Internacional da Mulher, ainda que os avanços conquistados em diversas áreas marquem a data, também chama a atenção a escassez da representatividade feminina em diferentes setores. No Poder Judiciário, a falta de igualdade de gênero foi confirmada por uma pesquisa feita pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra. Apesar do gradual aumento da participação feminina em cortes, a ausência de mulheres observada nos mais de 50 tribunais ao redor do mundo, avaliados pelo levantamento, é ainda mais flagrante no Brasil.

    A pesquisa, que avaliou a diversidade do Judiciário no período de 21 anos, indicou que o país tem uma taxa de apenas 11,1% de mulheres — diante de 26% de taxa global de mulheres nas cortes (veja arte ao lado). Entre 27 candidatos a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nesse período de mais de duas décadas, apenas três eram mulheres: Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber.

    Discrepância

    A juíza federal e coordenadora da Comissão Ajufe Mulheres, Camila Pullin, 43 anos, explica que diversas pesquisas feitas no Judiciário apontam que na Justiça Federal é onde se observa menos diversidade. "Essa desigualdade acaba sendo menor na base, e à medida que você vai progredindo na carreira, isso vai afunilando", afirma.

    A desigualdade de gênero dentro das cortes do país é sentida na pele por Camila, que é uma das quatro mulheres em um universo de 20 juízes da Justiça Federal em Alagoas. "Aqui somos quatro mulheres, mas, por um bom tempo, fui a única juíza ao lado de outra em um universo de 20 magistrados", lembra.

    Esse aumento gradual de mulheres nas cortes também foi observado pela pesquisa da Ajufe ao redor do mundo. Em 2000, havia 15,6% de mulheres nos 52 tribunais pesquisados, enquanto em 2020 o percentual subiu para 36,6%.

    A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Karina Denari, que faz parte da equipe de coordenação técnico-científica da pesquisa, explica que esse crescimento de mulheres nas cortes aconteceu de diversas maneiras ao redor do mundo. "Na Europa, foi de forma gradual, enquanto o Equador, diante de uma política de cotas de gênero, nomeou 12 mulheres entre 2007 e 2019", exemplifica.

    Segundo Karina, o próximo passo da pesquisa é identificar diferenças e semelhanças entre os países que têm uma maior igualdade de gênero no Judiciário para ajudar aqueles com pouca representatividade feminina nas cortes a melhorar a situação. Camila Pullin defende que um Judiciário mais plural é necessário para que, de fato, represente a sociedade da qual faz parte.

    "O Judiciário que resolve conflitos precisa, também, refletir essa sociedade e quem somos. Um Judiciário plural e diverso tem condições de dar respostas mais democráticas à sociedade", salienta.

     

     

    Fonte: Texto escrito por Maria Eduarda Cardim, do Correio Braziliense.

    Entrevista do presidente da Ajufe é destaque na versão impressa do Correio Braziliense

    Na tarde dessa quarta-feira (16), o presidente da Ajufe concedeu entrevista ao jornal Correio Braziliense sobre diversos temas, dentre eles as perícias médicas ligadas ao INSS. A entrevista foi destaque na versão impressa do Correio desta quinta-feira (17).

    Clique no documento abaixo para ver em tamanho maior:

    Presidente da Ajufe é entrevistado pelo programa CB.Poder

    Em entrevista ao programa CB.Poder, uma parceria da TV Brasília e do jornal Correio Braziliense, nesta quarta-feira (16) o presidente da Ajufe, Eduardo André, falou sobre a questão das perícias médicas ligadas ao INSS e seus desdobramentos no Congresso Nacional. Além disso, também abordou o combate à corrupção, os juízes na política, a Operação Lava Jato e seu legado, dentre outros assuntos.

    Assista agora no player acima ou acesse a TV AJUFE!

    Mulheres negras são minoria da minoria no Judiciário brasileiro

    STF nunca teve ministra com esse perfil; Biden promete indicar a 1ª na Suprema Corte dos EUA

     

     

    Mulheres negras são mais que minoria no Judiciário brasileiro. Elas são a menor parcela dentro de dois grupos minoritários: o das mulheres e o das pessoas pretas e pardas. Elas são a minoria da minoria.

    Em alguns espaços do Judiciário, nem isso. O STF (Supremo Tribunal Federal), criado em 1891 como órgão máximo da Justiça nacional, teve 3 ministros negros em toda a sua história. Também teve 3 ministras, das quais 2 integram a corte atualmente. Mas nunca teve uma mulher negra em sua composição.

    O tema ganha destaque porque o presidente dos EUA, Joe Biden, reafirmou recentemente sua promessa de indicar a primeira mulher negra para a Suprema Corte de seu país. De acordo com ele, já passou muito tempo sem que o tribunal tivesse alguém com esse perfil.

    Karen Luise Souza Pinheiro, 52, única mulher negra entre juízes e juízas de Porto Alegre, lembra que, no Brasil, a questão entrou em pauta em governos anteriores, quando se abriram vagas no STF. "Mas, nos últimos tempos, embora existam bandeiras levantadas nesse sentido, parece que essa discussão se enfraqueceu bastante", diz.

    Titular da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre, ela diz ser evidente a necessidade de problematizar a ausência de representatividade nos tribunais superiores. Segundo um estudo de 2021 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), há registro de apenas 1 mulher negra num total de 88 ministros e ministras dessas cortes.

    "[Temos no Brasil] uma construção de política judiciária, de gestão e de jurisdição propriamente dita a partir de um olhar de homens brancos, na sua maioria", afirma.

    "Uma mulher negra no poder é sempre uma esperança de igualdade de gênero e raça. Uma mulher negra no STF, com representatividade crítica e argumentativa, será propulsora de igualdade racial", diz Karen.

    A desigualdade é grande no Judiciário. Numa sociedade com equilíbrio racial, a proporção de homens e mulheres na Justiça seria parecida com a proporção de homens e mulheres na população como um todo. A mesma coisa aconteceria com pessoas brancas e negras.

    No caso do Brasil, isso significaria que, entre todos os magistrados, haveria um pouco mais de mulheres do que homens e um pouco mais de pessoas negras do que brancas.

    De acordo com outra pesquisa do CNJ, a realidade é bem outra. Um levantamento sobre o perfil sociodemográfico dos magistrados brasileiros publicado em 2018 mostra que as mulheres são 38%, e os negros, 18%.

    Na intersecção desses dois grupos, as mulheres negras são 7% do total de magistrados. Se houvesse alguma correspondência com seu peso populacional, essa fatia saltaria para perto de 29%.

    Os dados do CNJ também indicam que a proporção de mulheres negras é ainda menor na segunda instância. Entre desembargadores e desembargadoras, responsáveis por julgar a maioria dos recursos judiciais, elas são apenas 2%.

    As explicações para essa discrepância remontam ao legado da escravidão e passam por fatores como a falta de acesso à educação (que afeta negros mais do que brancos) e a jornada extra do trabalho doméstico (que afeta mais as mulheres do que os homens).

    Nos tribunais superiores, porém, esses fatores não entram em jogo, porque as vagas são ocupadas por meio de indicação da Presidência da República.

    "Aí existe um histórico de racismo que não [permite] ver mulheres negras como sujeitos de direito capazes de estarem nesses lugares. Embora sejam um espelho de parcela substancial da nossa sociedade, elas não são vistas como uma possibilidade de serem a Justiça encarnada", afirma Karen.

    O problema não está apenas nos tribunais. A juíza Adriana Cruz, 51, titular da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, diz que o Judiciário reflete uma realidade presente em todos os segmentos da sociedade brasileira.

    "Se for olhar o setor privado, a gente vai encontrar o mesmo desenho. Há uma ausência de mulheres negras em espaços de decisão, em espaços de poder, e uma sobrerrepresentação nos estratos mais baixos das carreiras."

    Quando se trata da Justiça, porém, essa desigualdade tem efeitos potencializados. "Como a gente pode pensar num espaço de poder que decide sobre a vida das pessoas em que as pessoas não estão ali?"

    Ela faz um paralelo com órgãos internacionais, que têm sua legitimidade garantida pela participação dos países-membros.

    "Ninguém concebe que o Tribunal Penal Internacional seja composto por juízes de um único país", afirma. "Então por que a gente não consegue enxergar a mesma racionalidade em relação aos espaços de deliberação de conflitos internos?"

    De acordo com ela, não se trata apenas de uma questão de representatividade. Trata-se também da capacidade de o Judiciário entender melhor os problemas de uma sociedade complexa como a brasileira.

    "As instituições são mais pobres e mais ineficientes quando são monocromáticas, quando são monoculares, quando as pessoas que [as compõem] só saem de um determinado estrato social, com vivências muito parecidas", afirma.

    Adriana lembra que todos os indicadores mostram a população negra com os piores acessos a serviços públicos como saneamento, saúde e educação, além de menor inserção no mercado de trabalho e maior participação nas estatísticas criminais.

    "Como os espaços que vão decidir esses conflitos não estão acessíveis a esse grupo?", questiona Adriana.

    Ela não está exagerando. De acordo com Karen, juíza em Porto Alegre, em todas as capitais brasileiras, há apenas duas mulheres negras titulares de varas especializadas em crime: ela e Adriana.

    Há alguns anos, as duas integram um coletivo que promove reuniões para debater a questão racial nos tribunais, o Enajun (Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros). Mas elas esbarram num obstáculo inicial, que é a falta de dados completos.

    No levantamento de 2021, o CNJ afirma: "A falta de informações sobre raça/cor de magistrados(as), servidores(as) e estagiários(as) nos tribunais brasileiros foi tão significativa que se constituiu em um dos maiores achados da pesquisa".

    O conselho encontrou informações sobre 68% dos magistrados, percentual pouco superior ao do estudo de 2018, que, com outra metodologia, teve índice de resposta de 62,5%.

    Outra dificuldade é a lentidão. Segundo a dissertação "Onde estão os (as) juízes (as) negros (as) no Brasil?", de Adriana Avelar Alves, as mulheres (brancas e negras) eram 2,3% dos magistrados no final dos anos 1960, passaram para 8% na década seguinte, chegaram a 22% nos anos 2000 e atingiram 38% em 2018.

    Em relação aos negros, porém, a caminhada é ainda mais longa. O CNJ, ao avaliar a atual política de cotas no Judiciário, projetou que esse segmento corresponderia a pelo menos 22% de todos os tribunais somente dentro de três décadas.

    Segundo a juíza Karen, um longo histórico de lutas permitiu que questões de gênero sejam discutidas abertamente dentro do Judiciário. Mas ela diz: "Discutir questões de raça ainda é um tabu. Por que a questão de gênero hoje já pode ser discutida e a questão de raça não pode? Por que isso não é considerado ainda algo relevante?".

    E, de novo, na intersecção entre os dois temas estão as mulheres negras.

     

     

    Fonte: Matéria originalmente publicada pela Folha de S.Paulo, escrita por Uirá Machado.

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