Manifestação do presidente da Ajufe - Ataques a jornalistas

    Veja abaixo o posicionamento do presidente da Ajufe, Fernando Mendes, sobre os ataques à jornalistas que ocorreram ontem (3/5), durante ato pró-governo:

    “É inaceitável a agressão covarde sofrida por jornalistas no pleno exercício de suas atividades. No dia em que se comemora a liberdade de imprensa, causa perplexidade e indignação os atos de violência contra esses profissionais, mas que também atingem a Democracia e o Estado de Direito. A liberdade de expressão já havia sido atacada recentemente, quando profissionais de saúde sofreram agressões verbais durante uma manifestação pacífica. Atitudes absurdas como essas devem ser repudiadas com veemência e os responsáveis identificados e punidos dentro de todo o rigor da lei.”

    Fernando Mendes
    Presidente da AJUFE

    Debate sobre os “Impactos do Covid-19 no processo eleitoral”

    live

    Nesta sexta-feira (1/5), o Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados (IEJA) em parceria com o Portal R7 vão realizar uma transmissão ao vivo pelas redes sociais sobre os impactos do Covid-19 no processo eleitoral, a partir das 16h.

    Para o debate foram convidados o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, o desembargador do TER/DF, Telson Luís Cavalcante Ferreira, o senador Antonio Anastasia, o advogado e ex-Secretário Geral do TSE, Carlos Eduardo Frazão, e a ex-Secretária Geral do STF e atual presidente do IEJA, Fabiane Oliveira.

    A transmissão será realizada pelo Facebook (@portalr7) e Instagram (@portalr7) do R7 e pelo Instagram (@ieja.instituto) do Instituto IEJA.

    NOTA PÚBLICA - Independência judicial

    A Associação dos Juízes Federais do Brasil - Ajufe, entidade nacional representativa dos juízes e juízas federais vem a público manifestar seu total repúdio às últimas declarações de autoridades públicas contra a decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no Mandado de Segurança nº 37.097, que suspendeu a nomeação e posse de Alexandre Ramagem Rodrigues para o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal.

    O Poder Judiciário é um dos poderes da República, e é inadmissível que uma autoridade pública não reconheça esse princípio basilar ou queira se sobrepor a essa realidade constitucional.

    O direito à livre manifestação está previsto na nossa CF, e é aceitável que se mostre insatisfação, porém jamais este descontentamento pode gerar agressões e ofensas.

    É inadmissível que Magistrados, no exercício das funções constitucionais, dentro do seu poder de decidir com base em seu livre convencimento motivado, sejam alvos de ofensas pessoais.

    Esses ataques somente demonstram a importância de se ter um Judiciário cada vez mais forte e independente e que exerça sua função de colocar limites constitucionais à atuação de qualquer um dos poderes, no âmbito do Estado Democrático de Direito.

     

    Brasília, 30 de abril de 2020.

    DIRETORIA DA AJUFE

    Comissão Ajufe Mulheres debate divisão sexual do trabalho e cuidado na quarentena

    Nesta quarta-feira, dia 6 de maio, a Comissão Ajufe Mulheres dá continuidade ao Webinar Perspectivas de Gênero e Pandemia. Desta vez, será debatido como o fato de as mulheres serem as principais responsáveis pelo cuidados das crianças e doentes gera impactos diferenciados em contextos de distanciamento social. O debate será transmitido no canal da Ajufe no Youtube (/tvajufe).

    Para discutir o tema foram convidadas a professora da Universidade de Brasília (UNB), Flávia Biroli, a advogada e professora da Universidade Federal do Paraná, Melina Fachin, a professora da Universidade LaSalle, Tatiana Vargas Maia, e a vice-presidente do Conselho Federal de Enfermagem, Nádia Mattos Ramalho. A mediação fica por conta do desembargador federal Roger Raupp Rios.

    SERVIÇO

    “Webinar Perspectivas de Gênero e Pandemia – Sobrecarga na quarentena: divisão sexual do trabalho e cuidado"
    Data: 06/05/2020
    Hora: 18h
    Local: Youtube da Ajufe (www.youtube.com/tvajufe)

    Última semana para inscrições no Prêmio Innovare

    Você tem um trabalho criativo, inovador e que torne a justiça mais acessível à população? Boas práticas como a sua estão sendo procuradas pelo Prêmio Innovare, que está em sua 17ª edição. Mas atenção: esta é a última semana! As inscrições terminam na próxima terça-feira dia 5 de maio. Evite deixar o preenchimento do formulário para a última hora!

    Justiça federal ordena a retirada de publicação alusiva ao Golpe Militar de 64 do site do Ministério da Defesa

    A juíza federal Moniky Mayara Costa Fonseca, da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte, acatou o pedido de medida liminar para a retirada da “ordem do dia 31 de março” do site do Ministério da Defesa, na última sexta-feira (24/4).

    A ação impetrada buscava que a Justiça ordenasse ao Ministério que não houvesse publicação de qualquer anúncio comemorativo relativo ao golpe de Estado praticado em 1964, em rádio e televisão, internet ou qualquer meio de comunicação escrita e falada.

    Para a juíza federal o ato administrativo (a ordem do dia no site de um ministério) é nitidamente incompatível com os valores democráticos insertos na Constituição Federal de 1988, valores esses tão caros à sociedade brasileira.

    Não havendo amparo legal no ordenamento jurídico brasileiro para que exaltações de períodos históricos em que tais valores foram reconhecidamente transgredidos sejam celebrados por autoridades públicas, e veiculados com caráter institucional.

    Na sentença a magistrada ainda lembra importante ponto sobre a publicação da ordem do dia alusiva ao 31 de março de 1964. “Contraria sobremaneira o que estabelece a Lei n. 12.345/2010, que exige, para a estipulação de datas comemorativas em território nacional, a apresentação e aprovação de projeto de lei, acompanhado de comprovação da realização de consultas e audiências públicas, de modo que além de todos os vícios já constatados nas razões alhures elencadas, o ato aqui impugnado também fere o princípio da legalidade”.

    Leia a sentença: https://bit.ly/2YghMVw

    3º Webinário Enfam – Temas complexos da Lei Anticrime Módulo 2

    Na próxima segunda-feira (04/05), a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) promove o 3º Webinário Enfam – Temas complexos da Lei Anticrime - Módulo 2, a partir das 17h. O evento é voltado para magistrados federais e estaduais, sendo concedido a certificação para fins de promoção e/ou vitaliciamento.

    O segundo módulo contará com a presença do diretor-geral da Enfam, ministro Herman Benjamin e dos também ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro e Reynaldo da Fonseca, além da desembargadora do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) Salise Sanchotene e o juiz de direito do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Luiz Carlos Figueirêdo.

    O próximo módulo, que ocorre no dia 8 de maio, contará com a presença do ministro Ribeiro Dantas, do STJ; do juiz federal Walter Nunes, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Eles debaterão o tratamento do crime organizado e mais os seguintes temas: informantes (whistleblowers) e agentes infiltrados, e a própria execução penal.

    Magistrados de todo o país podem participar do webinário. Basta acessar https://www.enfam.jus.br/portal-covid19/ead/ e realizar a inscrição.

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    CNJ convida Ajufe para acompanhar trabalhos do Centro de Inteligência Artificial

    O presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Dias Toffoli, aceitou pedido da Ajufe e convidou a associação para participação nos projetos intitulados "Laboratório de Inovação para o Processo Judicial Eletrônico" e "Centro de Inteligência Artificial”, instituídos pela Portaria CNJ nº 25/2019.

    Anteriormente, a Ajufe havia solicitado ao CNJ a participação nos trabalhos tendo em vista que a associação dispõe de Comissão para acompanhamento e implementação da meta 9 estabelecida pelo CNJ, composta por magistrados federais associados (Portaria 01/2020). E que um dos objetivos da Comissão da AJUFE é elaborar Notas Técnicas e pareceres para o aperfeiçoamento da meta 9 e, ao mesmo tempo, prospectar projetos para a utilização de inteligência artificial nas estatísticas e atividades do Poder Judiciário.

    O Laboratório de Inovação para o PJe – Inova PJe e o Centro de Inteligência Artificial, além de desenvolver estudos para aprimoramento dos sistemas responsáveis pelo controle do fluxo dos processos judiciais em trâmite em todo o Poder Judiciário, visam a produção de modelos de inteligência artificial para utilização na plataforma PJe, com fito na contínua evolução das ferramentas tecnológicas colocadas à disposição dos usuários, estando tais projetos sob a coordenação de um Juiz Auxiliar da Presidência do CNJ.

    Veja o ofício do CNJ: https://bit.ly/3d7JoR5

    Ajufe participa do primeiro módulo do 2º Webinário Enfam sobre a Lei Anticrime

    O presidente da Ajufe, Fernando Mendes, participou da abertura do 2º Webinário Enfam – Temas complexos da Lei Anticrime Módulo 1, promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), nesta sexta-feira (24/04).

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    O webinário contou com a presença do diretor-geral da Enfam, ministro Herman Benjamin, e dos também ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Maria Thereza de Assis Moura e Rogerio Schietti Cruz, além do desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Guilherme de Souza Nucci. Durante a programação, os convidados fizeram um panorama geral da Lei de Anticrime e se debaterá sobre cautelares penais e o juiz das garantias.

    O evento tem três módulos que terão a participação de ministros e magistrados que trabalham com os temas propostos. No próximo, marcado para o dia 4/5, serão debatidos colaboração premiada, tratamento do crime organizado e negociação penal em delitos leves, com a presença confirmada dos ministros do STJ Nefi Cordeiro e Reynaldo da Fonseca, e a desembargadora federal Salise Sanchotene do TRF 4ª Região, e o juiz Luiz Carlos Figueirêdo, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

    Já o terceiro módulo contará com a presença confirmada do ministro Ribeiro Dantas, do STJ; do juiz federal Walter Nunes, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Eles debaterão o tratamento do crime organizado e mais os seguintes temas: informantes (whistleblowers) e agentes infiltrados, e a própria execução penal.

    Magistrados de todo o país podem participar do webinário. Basta acessar https://www.enfam.jus.br/portal-covid19/ead/ e realizar a inscrição.

     

    Lançamento da obra “Climate Change Litigation”

    A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) informa aos associados o lançamento do livro “Climate Change Litigation”, no mês de agosto, na cidade de Heidelberg (Alemanha). Um dos autores que colaboraram para a produção da obra é o ex-presidente da Ajufe e juiz federal Gabriel Wedy.

    Wedy participou com o capítulo sobre “Direito das mudanças climáticas no Brasil (litígios climáticos). Esse tema tem sido objeto de estudo e pesquisa do magistrado há alguns anos.

     

    Colaboradores

    Coordenadores:

    Wolfgang Kahl e Marc-Philippe Weller.

     

    Autores:

    Michael Kloepfer, Christina Voigt, Rüdiger Wolfrum , Gabriel Wedy, Daniel A. Farber, Roda Verheyen, Justine Bell-James, Luciano Butti, Katrin Deckert, Christian Duve, Max Ehrl, Claudio Franzius, Thomas Groß, Mathias Habersack, Olga Hamama, Jens Haubold, Sébastien Jodoin-Pilon, Eva-Maria Kieninger,Thomas Lennarz, Morgan McGinn, Steven McNab, Jan-Marcus Nasse, Laura Nasse, Rico David Neugärtner, Stephanie Nitsch, Birsha Ohdedar, Séverin Pabsch, Mehrdad Payandeh, Kai Purnhagen, Eckard Rehbinder, Johannes Saurer, e Gerhard Wagner.

     

    Mais informações e aquisição da obra: https://www.beck-shop.de/climate-change-litigation/product/29341697

    NOTA PÚBLICA - Saída de Sergio Moro do governo federal

    A Associação dos Juízes Federais do Brasil - AJUFE, entidade de âmbito nacional, vem a público externar profunda preocupação com os recentes fatos noticiados de possível e indevida interferência da Presidência da República na investigação de ilícitos penais que, se confirmada, representa grave ataque aos mais intrínsecos valores democráticos, em evidente conduta não republicana.

    Além disso, a transparência na condução da coisa pública de forma impessoal, com a adequada publicidade dos fundamentos que justifiquem a sua motivação é pressuposto constitucional irrenunciável do Estado Democrático de Direito.

     

    Brasília, 24 de abril de 2020.

    DIRETORIA DA AJUFE

    Webinar debate impacto do distanciamento social nas mulheres

    A Comissão Ajufe Mulheres promoveu nessa quarta-feira (22/04) o 1° Webinar Perspectivas de Gênero e Pandemia - “Desigualdades e distanciamento social: gênero, trabalho precarizado e acesso à saúde”, no Youtube da Ajufe. O debate contou com a participação da presidente da Anamatra, juíza Noemia Porto, a jornalista Flávia Oliveira, e a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Luiza Batista. A mediação ficou a cargo da coordenadora da Comissão, juíza federal Tani Wurster. Durante o Webinar, as convidadas falaram sobre gênero, mercado e trabalho precarizado.

    “As mulheres experienciam o mundo a partir de diferentes lugares e perspectivas. O fato de sermos as principais responsáveis pelo cuidados das crianças e idosos e as expectativas em relação à mulher na sociedade faz com que essas circunstâncias atravessem a vida das mulheres de modo diferenciado”, destacou a coordenadora Tani Wurster.

    Ao comentar as condições no mercado de trabalho para as mulheres, a presidente da Anamatra, Noemia Porto, destacou que a análise do trabalhador ou trabalhadora não é feita a partir de critérios objetivos, ligados à qualificação, formação formal ou mérito. “O mercado de trabalho produz uma seletividade que não tem nada de neutra, que enxerga o gênero, raça, classe social, orientação sexual de maneira desigual”, apontou.

    A jornalista Flávia Oliveira avaliou a dificuldade enfrentada por mulheres que atuam como chefes de família, cuidando das crianças e dos idosos. “A gente vive uma situação em que o excesso de atribuições põe a mulher em uma situação em que não lhe é permitido adoecer”, destacou.

    “As trabalhadoras domésticas fazem parte da categoria mais prejudicada nesse momento. Muitas são obrigadas a permanecer nos ambientes de trabalho porque não podem pegar coletivos e se distanciam de suas famílias, por exemplo. E as diaristas, que não estão trabalhando, são a nossa maior preocupação. Como elas vão prover o sustento da família?”, pontuou a presidente da Fenatrad, Luiza Batista.

    O debate completo você confere em: 

    Direito de resposta - Revista CONJUR

    A notícia abaixo é publicada a pedido do associado Odilon de Oliveira, que garantiu direito de resposta após matéria publicada na Revista CONJUR.

    No dia 18/04/20, o site da Revista Consultor Jurídico publicou matéria conjecturando sobre a vida funcional do juiz federal Odilon de Oliveira. Dois dias depois, ouvindo o juiz, a Conjur prontamente restabeleceu a verdade, publicando o seguinte texto:

    A matéria em referência cita o juiz Odilon de Oliveira como transformador de “sua vara em palanque para depois concorrer ao governo do Mato Grosso do Sul” e que, depois de ficar mundialmente famoso como algoz de traficantes, descobriu-se “que sua vara desviava dinheiro apreendido em “operações”.

    Com todo o respeito merecido por este conceituado veículo de comunicação, sua expressão, a respeito do juiz Odilon, seria diversa se, antes, os autores da matéria tivessem reunido as peças e as circunstâncias da verdade real, pelo critério imperioso da ética jornalística.

    A afirmação de que a “vara desviava dinheiro” é genérica e, por isso, lança suspeitas sobre todos os seus componentes. Uma vara judicial é composta por servidores e juízes, titular e substituto. A matéria induz à falsa conclusão de que esse conjunto de pessoas praticava desvios.

    As peças da verdade, que não foram procuradas, estão nos autos da ação penal 0007822-04.2016.4.03.6000, onde um único servidor, então diretor de secretaria, com exclusão de todos os demais, praticava desvios de valores sob sua guarda. Por iniciativa dos juízes da vara, após rigorosa apuração interna (processo 0011833-76.2016.4.03.6000), o funcionário foi processado, condenado a 41 anos de prisão e exonerado a bem do serviço público (PA 0001756-16.2016.4.03.8002).

    Não houve participação, omissiva ou comissiva, de nenhum outro servidor da vara, incluindo-se os dois juízes, titular e substituto, razão pela qual a matéria veiculada, optando por critério genérico, não traduz a verdade real existente nos processos indicados e noutros de competência originária do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região. De decisões da Corregedoria do TRF3 se extraem algumas partes conclusivas: “… faz evidenciar que as condutas e resultados ilícitos foram concebidos, praticados e beneficiaram exclusivamente o ex-diretor de secretaria, sem qualquer participação, consciência, conhecimento ou vontade por parte do requerido” (juiz Odilon). “…o conjunto probatório produzido sob contraditório judicial é suficiente para, em sede administrativo-disciplinar, antever elementos suficientes para a conclusão de que os ilícitos, narrados nos autos, não foram praticados com conhecimento e adesão do magistrado para efeito de gerar a respectiva responsabilidade funcional”. “… no caso, constam dos autos elementos indicativos de que o ex-diretor,… articulando, enfim, ações reveladoras de ousadia, astúcia, insídia, má-fé e habilidade para o intento delitivo, logrando enganar juízes, membros do Ministério Público Federal, advogados, servidores, peritos e todos os que funcionaram nas ações em trâmite na unidade judiciária”.

    Destaca-se, da decisão da Presidência do TRF3, ao exonerar o ex-diretor, o que basta para concluir que a ausência de citação nominal do verdadeiro culpado, na matéria, induz à equivocada compreensão de que o juiz e demais servidores da vara praticaram desvios: “o conjunto probatório, como visto, mostrou-se robusto a respeito da má-conduta do ex-diretor de secretaria. Os fatos apurados são de extrema gravidade e maculam, de uma só vez, a imagem dos servidores da vara federal de Campo Grande, do magistrado titular da vara e do próprio Poder Judiciário”.

    Quanto à irrogação de transformação da vara em palanque para futura candidatura, quem prestou verdadeira atenção na atuação do juiz Odilon, aposentado após 55 anos de trabalho (advogado, promotor de justiça, juiz de direito e juiz federal), como toda a imprensa nacional e internacional, além de outros organismos, como a própria ONU, repete que não. Sua dedicação, ao longo de décadas, e não apenas perto de sua inatividade, sacrificando família, férias, domingos e feriados para se empenhar no enfrentamento da criminalidade, com certeza edificou um cenário fértil para o vilipêndio e conjecturas manejados por quem teve ou ainda apoia interesses contrariados.

    A matéria foi alterada para que nosso esclarecimento fosse publicado: https://www.conjur.com.br/2020-abr-18/senado-mostra-afastar-falsos-herois-vale-corporativismo

    2º Webinário Enfam – Temas complexos da Lei Anticrime

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    A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) anuncia a realização do “2º Webinário Enfam – Temas complexos da Lei Anticrime”, a ser realizado na próxima sexta-feira (24/4), a partir das 17h. O evento é promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).

    O evento é voltado para magistrados federais e estaduais, sendo concedido a certificação para fins de promoção e/ou vitaliciamento.

     

    Programação

    Abertura: Ministro do STJ Herman Benjamin (Diretor-geral da Enfam / presidente de mesa).

    Debatedores:

    • Ministra Maria Thereza de Assis Moura (Vice-presidente do STJ) - Panorama Geral da Lei Anticrime.
    • Ministro Rogério Schietti (STJ) - Cautelares penais_.
    • Desembargador Guilherme de Souza Nucci (TJSP) - Juiz das garantias.

    SERVIÇO

    2º Webinário Enfam – Temas complexos da Lei Anticrime

    Data: 24/04/2020 Hora: 17h às 19h

    Informações/inscrições: www.enfam.jus.br

    OBS: o link para acesso à plataforma de transmissão será enviado diretamente ao participante inscrito.

    Nota de pesar – Isa Bellodi Cardoso

    A Associação dos Juízes Federais do Brasil comunica o falecimento de dona Isa Bellodi Cardoso, mãe da desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Maria do Carmo Cardoso, nessa terça-feira (21).

    O velório para familiares e amigos será hoje (22), no Crematório Jardim Metropolitano, em Valparaíso (GO), entre as 15h e 17h.

    A Ajufe lamenta a perda e manifesta os mais sinceros sentimentos aos familiares da magistrada.

    CNJ aprova resolução que retoma prazos processuais nos processos eletrônicos a partir de 4 de maio

    O Conselho Nacional de Justiça aprovou, agora a noite (20/04), a Resolução 314/2020 que retoma os prazos processuais dos processos judiciais e administrativos eletrônicos, sem qualquer tipo de escalonamento, a partir do dia 4 de maio, com exceção daqueles em trâmite no Supremo Tribunal Federal e na Justiça Eleitoral.

    A medida segue entendimento da Nota Técnica apresentada nesta segunda pela Ajufe, que pedia a retomada dos prazos, e de consulta entre os associados que, por maioria (65,32% votos favoráveis), deliberou a conveniência do pedido. A associação entende que o retorno da fluência dos prazos processuais é medida mais adequada de forma a evitar o acúmulo de atos a partir do fim da situação de pandemia enfrentada.

    A resolução aprovada ainda prorroga, em parte, a Resolução 313/2020 e modifica as regras de suspensão de prazos processuais. 

    Está previsto ainda a suspensão dos prazos dos processos físicos até 15 de maio. As sessões virtuais de julgamento nos tribunais e turmas recursais do sistema de juizados especiais poderão ser feitas tanto em processos físicos, como em processos eletrônicos. Caso as sessões sejam feitas por videoconferência, deve ser assegurado  aos advogados das partes a realização de sustentações orais.

    Veja a Resolução: ajufe.org.br/images/pdf/Resolução_nº_314.pdf.pdf

    Está no ar a Revista Justiça & Cidadania de Março - n° 236

    Já está no ar a edição de abril (nº 236) da Revista Justiça & Cidadania, que neste mês traz como destaque a entrevista com a presidente reeleita do Instituto dos Adovogados Brasileiros, Rita Cortez.

    Os magistrados interessados em publicar artigos na Revista Justiça & Cidadania, podem enviar os textos com, no máximo, nove mil caracteres (com espaços) para o email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., em extensão .doc, acompanhado de imagem em alta resolução do autor, em trajes formais.

    Acesse a edição 236.

    Live Justiça Federal contra a Covid-19 - Bate papo com a Ajufems!

    Nesta segunda-feira (20/04), a Ajufe deu continuidade ao projeto “Justiça Federal contra a COVID19”, com a Live no Instagram. Desta vez, o bate-papo foi com a presidente da Ajufems, Monique Marchioli.

    O presidente da Ajufe, Fernando Mendes, comandou a conversa sobre os desafios e vivências da Justiça Federal durante o período de isolamento social recomendado pela Organização Mundial de Saúde diante da Covid-19 e do estabelecimento do plantão extraordinário no sistema de justiça. Durante a Live, a presidente da AJUFEMS comentou a atuação dos magistrados federais de Mato Grosso do Sul, desde o início da pandemia.

    “Além de continuarmos trabalhando, de forma célere, as áreas criminais estão destinando recursos para o combate à Covid. Fora essas Varas que já concluíram o processo de destinação, temos Varas no interior que já expediram edital e estão na fase de análise para selecionar as entidades que vão receber esses recursos”, frisou Monique Marchioli.

    A magistrada ainda destacou decisão no estado que permitiu que uma cervejaria local produzisse álcool em gel e ainda comentou as dificuldades enfrentadas em meio aos processos que aguardam perícia, por exemplo.

    Assista à Live em: https://www.instagram.com/p/B_Nc_rpj9Sx/

    Comissão AJUFE Mulheres promove 1º Webinar nesta quarta (22/04)!

    Nesta quarta-feira (22), a partir das 18h, a Comissão AJUFE Mulheres realiza a 1ª edição do “Webinar Perspectivas de Gênero e Pandemia - Desigualdades e distanciamento social: gênero, trabalho precarizado e acesso à saúde”, no canal da Ajufe no Youtube (/tvajufe).

    O encontro tem como objetivo debater como o distanciamento social imposto pela pandemia do Covid-19 tem impactado de modo diferenciado a vida cotidiana das mulheres, no contexto familiar, social, da saúde e do trabalho.

    Os eixos a serem abordados são: gênero, mercado e trabalho precarizado; educação à distância e o aprofundamento das desigualdades; divisão sexual do trabalho e cuidado; violência doméstica e os desafios da jurisdição em tempos de crise.

    A primeira edição do projeto contará com a participação da juíza do trabalho Noemia Porto (presidente da Anamatra), Flávia Oliveira (jornalista), Luiza Batista (presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas) e a moderação dos debates será da coordenadora da Comissão AJUFE Mulheres, Tani Wurster (juíza federal).

    SERVIÇO

    “Webinar Perspectivas de Gênero e Pandemia – Desigualdades e distanciamento social: gênero, trabalho precarizado e acesso à saúde”
    Data: 22/04/2020
    Hora: 18h
    Local: Youtube da Ajufe (www.youtube.com/tvajufe)

    Conhecendo as Juízas Federais #SérieCOVID19 #17 – Luciana Ortiz

    Retorne ao sumário do "Conhecendo as Juízas Federais"

     

    A juíza federal Luciana Ortiz é a 2ª entrevistada da série Covid-19, do projeto da Ajufe “Conhecendo as Juízas Federais”. Com mais de 20 anos na magistratura, Ortiz já foi diretora da associação e dirigiu o Foro da Justiça Federal de São Paulo (até fevereiro de 2020). Dentre outros assuntos, no bate-papo ela conta como está vivenciando o atual momento de isolamento social diante da pandemia do novo coronavírus. "Desde o início do isolamento social comecei a trabalhar 100% em teletrabalho. A Justiça Federal da 3ª Região estava preparada em estrutura tecnológica. A Presidência e a Corregedoria do TRF3R regulamentaram rapidamente todas as atividades e a nossa TI viabilizou que quase 5000 juízes e servidores trabalhassem remotamente. Isso é extraordinário", pontuou. 

    A magistrada sustentou ainda que o Poder Judiciário "tem papel fundamental neste momento em que as deficiências do estado em desenvolvimento emergem e trazem sofrimento à população" e que "o acesso à justiça neste momento é uma questão humanitária".

    “Minha vivência como diretora da Ajufe também foi incrível [...] aqui destaco minha participação como coordenadora da Comissão de Democratização do Poder Judiciário, a coordenação do primeiro FONAGE (Fórum Nacional de Administração e Gestão Estratégica) e o Prêmio Ajufe Boas Práticas de Gestão. Atualmente, temos um grupo de juízes dedicados à gestão do Poder Judiciário, que a cada ano agrega novos colegas, então o debate se renova e novas visões são acrescidas”, explica.

    A vida pessoal e a carreira de uma magistrada federal, por vezes, se misturam. A juíza federal lembra do ingresso na magistratura. “Quando ingressei na Magistratura Federal fiquei bastante surpresa com a participação das mulheres na Justiça Federal da 3ª Região, inclusive em postos diretivos, magistradas incríveis que inspiraram minha vida profissional. A surpresa foi porque cresci com minha mãe estudando para concurso para Magistratura Estadual, em um dado momento ela abandonou o sonho porque foi aconselhada a desistir pois não poderiam deixar duas autoridades embaixo do mesmo teto, meu pai era Juiz Estadual, sobretudo porque ela tinha quatro filhos para criar”, relembra.

    “Em linhas gerais não tive maiores problemas pelo fato de ser mulher. Contudo, tem situações em que a diferença existe, como a gravidez, em que de fato políticas institucionais protetivas são importantes. Estava grávida do meu primeiro filho quando fui designada para atuar em três Varas Previdenciárias em véspera de prazo para expedição de precatório. Liguei no Conselho para informar que estava em início de gravidez de risco, e que o trabalho era excessivo, mas a informação foi a de que não tinha outro juiz para ser designado. No dia seguinte, tive um começo de aborto, o que me levou a ficar dois meses de repouso absoluto”, diz Ortiz.

    A juíza finaliza com um pensamento positivo para as mulheres que pensam em seguir a magistratura. “Acreditar e lutar para conquistar os ideais, a Magistratura precisa ser um espaço plural, que contemple em seus quadros, em todas as instâncias, pessoas vocacionadas, independentemente de suas convicções, mas que tenha representatividade da nossa sociedade”, finaliza.

     

    Leia a entrevista completa.

     

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    Luciana Ortiz, magistrada federal com mais de 20 anos de carreira.

    1) Onde a senhora começou e exerceu a sua jurisdição?

    Ingressei na Magistratura Federal em 1999. Iniciei a carreira na 6ª Vara Criminal em São Paulo, fiz essa opção seguindo minha linha de estudo em Direito Penal, do meu primeiro mestrado.

    Em 2002, fui removida para a 3ª Vara Previdenciária da capital paulista, período em que cumulei com as atividades do Juizado Especial Federal. Acompanhei a transformação dessa Vara Previdenciária na 11ª Vara Cível.

    Somente em 2006 me titularizei no Juizado Especial Federal de São Paulo (JEF/SP), onde permaneci até 2012, quando me removi para a 5ª Turma Recursal, local que permaneço até os dias atuais. 

     

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    Painel durante o 4º Fonage, no Espírito Santo.

     

    2) Quais foram as suas atuações mais relevantes?

    Desde o início da carreira participei intensamente de diversas comissões, projetos e gestões compartilhadas, todos projetos interessantes e desenvolvidos coletivamente. Cito algumas experiências.

    Logo no início da carreira, fizemos um projeto de valorização e reconhecimento da mão de obra terceirizada da Justiça Federal de São Paulo, o “Natal Solidário”. Nós, juízes e servidores, oferecíamos uma festa para quase 3 mil terceirizados e familiares, na qual participávamos ativamente dos serviços gerais programados. Fazíamos uma festa para arrecadar fundos: “Juízes que Cantam pelo Natal Solidário”.

    O desembargador federal José Marcos Lunardelli, a quem sou muito grata por todas as oportunidades de trabalho, à época era o presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), me convidou para ocupar a diretoria de Ações Sociais e Cidadania, e passamos a ter todo o suporte para o projeto. Ao todo, foram 10 edições da festa, com momentos intensos de solidariedade e alegria.

    A experiência mais intensa foi a presidência do JEF/SP, em 2010/11, cujo volume de processos sempre impôs grandes desafios de gestão. O JEF/SP foi criado em 2002 por juízes corajosos e visionários, que romperam a visão tradição do Judiciário, para implementar um novo modelo organizacional, a Secretaria Única, com processo totalmente eletrônico.

    Na nossa gestão, tivemos muitos projetos como conciliação em projetos previdenciários, distribuição do acervo em “varas gabinetes” (antes era um acervo único), juizado itinerante na Cracolândia e o projeto “Acesso da Justiça às pessoas em situação de rua”.

    Este último, mais recentemente batizado de “GT RUA”, prevê o julgamento da demanda em 30 dias, ainda que demandem perícias, além de dispensar o comprovante de residência. Dos casos atendidos, lembro-me de um senhor que morava na Cracolândia e tinha sido garçom nos melhores restaurantes da cidade, poderia, portanto, ser aposentado, o que foi possível porque estávamos ali, superando as barreiras do acesso à Justiça. Este projeto reputo importantíssimo para atingir uma população invisível das nossas cidades.

    Outro momento intenso foi ter composto a Comissão de Reestruturação da Justiça Federal da 3ª Região, e, na sequência, representando o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) na Rede de Governança do Planejamento Estratégico do Judiciário, ambas em 2012/13.

    Essas experiências me fizeram enxergar o Judiciário como um todo, a partir de ferramentas de gestão. Depois vimos o resultado dos trabalhos da Comissão sendo implantados, como a reestruturação de Varas na Subseção de Santos, e passei a observar e estudar este movimento, como que uma avaliação das nossas sugestões.

    Minha vivência como diretora da Ajufe também foi incrível porque o compartilhamento de boas práticas e modelos organizacionais diferentes me fizeram ver a Justiça Federal de forma holística. Aqui destaco minha participação como coordenadora da Comissão de Democratização do Poder Judiciário, a coordenação do primeiro FONAGE (Fórum Nacional de Administração e Gestão Estratégica) e o Prêmio Ajufe Boas Práticas de Gestão. Atualmente, temos um grupo de juízes dedicados à gestão do Poder Judiciário, que a cada ano agrega novos colegas, então o debate se renova e novas visões são acrescidas. Fiz grandes amizades e fico muito realizada em participar.

    Por fim, a experiência mais transformadora está sendo na Diretoria do Foro de São Paulo, hoje tenho outra visão da Justiça, fico grata pela confiança depositada em mim pela desembargadora federal Therezinha Cazerta.

     

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    Como uma das coordenadoras do Fonage, Luciana Ortiz comanda o Fórum desde a primeira edição.

    3) Quais as dificuldades que a senhora já enfrentou?

    Acredito que a minha maior dificuldade é com a ansiedade. Desde menina entro de corpo e alma nos meus projetos. Ao longo da vida, após adoecimento e sofrimento, fui trabalhando as emoções, aceitando o “não é possível” e as entregas diferentes das que idealizo, valorizando mais os momentos e as conquistas. Ainda é um desafio pessoal.

    Inicialmente, a minha decisão de cursar a faculdade de Direito não foi acolhida pelos meus familiares. Eu tive uma formação espiritual e social muito profunda, por isso estava determinada a fazer Direito com o objetivo de prestar concurso para promotora pública e atuar em políticas públicas.

    Contudo, eu me dedicava e tinha talento para as artes, tocava piano e pintava quadros. Também tinha um lado de ouvir as pessoas e querer ajudá-las. Por isso, a compreensão era a de que eu deveria cursar Artes, Psicologia, ou cursos similares, e que a opção por Direito seria em razão da influência da profissão dos meus pais.

    Foi tudo por amor, mas foi uma pressão forte, o que me fortaleceu, e lutei pelas minhas escolhas. Amo o que faço, segui o meu coração. Minha família é meu esteio e me fortalece.

     

    4) A senhora já sofreu alguma dificuldade ou agravamento especial na profissão por ser mulher?

    Quando ingressei na Magistratura Federal fiquei bastante surpresa com a participação das mulheres na Justiça Federal da 3ª Região, inclusive em postos diretivos, magistradas incríveis que inspiraram minha vida profissional.

    A surpresa foi porque cresci com minha mãe estudando para concurso para Magistratura Estadual, em um dado momento ela abandonou o sonho porque foi aconselhada a desistir pois não poderiam deixar duas autoridades embaixo do mesmo teto, meu pai era Juiz Estadual, sobretudo porque ela tinha quatro filhos para criar.

    Então, foi maravilhoso ver um ambiente de trabalho na Justiça Federal em que essa questão não era pelo menos evidente. O nosso ambiente é composto majoritariamente por servidoras, inclusive nos postos comissionados.

    Em linhas gerais não tive maiores problemas pelo fato de ser mulher. Contudo, tem situações em que a diferença existe, como a gravidez, em que de fato políticas institucionais protetivas são importantes.

    Estava grávida do meu primeiro filho quando fui designada para atuar em três Varas Previdenciárias em véspera de prazo para expedição de precatório.

    Liguei no Conselho para informar que estava em início de gravidez de risco, e que o trabalho era excessivo, mas a informação foi a de que não tinha outro juiz para ser designado.

    No dia seguinte, tive um começo de aborto, o que me levou a ficar dois meses de repouso absoluto. Fui educada a dar conta de ser mãe e profissional, por isso aceitei a situação, poderia ter procurado a presidente à época, certamente o desfecho seria outro.

    Também perdi uma oportunidade de promoção para Titular, portanto algumas colocações na carreira, pois estava grávida do terceiro filho. Aguardei a promoção seguinte, tive muita sorte pois foram criados cargos no JEF/SP, então não precisei ir para o interior.

    Às vezes o público externo fica surpreso quando se deparam com uma mulher em cargo de magistrada ou diretivo. Mas, internamente, compartilho diversos espaços institucionais com colegas de carreira, como os associativos e diretivos, não me recordo de nenhuma situação em que tenha me sentido ofendida ou diminuída pelo fato de ser mulher.

     

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    Ortiz fez parte da mesa de abertura do I Fonage.

     

    5) O que é, a partir da experiência da senhora, ser magistrada federal?

    Inicialmente, senti um peso enorme, questionei se tinha os predicados para a Magistratura, porque após as decisões sigo avaliando se fiz justiça no caso concreto.

    Lembro-me de ir me aconselhar com a desembargadora federal Suzana Camargo, que me mostrou que o bom juiz era aquele que refletia constantemente sobre suas decisões. Isso me fortaleceu, vi que sensibilidade não era uma fraqueza, mas um ponto forte da minha personalidade. Amo a carreira de magistrada, julgar cada um dos processos com amor e dedicação traz sentido para minha vida.

     

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    Entrega do prêmio Ajufe Boas Práticas de Gestão ao juiz federal e ex-presidente da Ajufe Vladimir Passos.

     

    6) Como é administrar uma Seção ou Subseção Judiciária?

    Fui Vice-Diretora do Foro no período de 2016/17 e Diretora do Foro do Estado de São Paulo de 2018 até fevereiro de 2020. Nesses anos, a dedicação à Magistratura foi praticamente em tempo integral, inclusive férias e finais de semana.

    A Seção Judiciária de São Paulo tem o maior orçamento da Justiça Federal do Brasil, inclusive dos Tribunais, os desafios são enormes, sobretudo com as restrições impostas pela Emenda 95/2016, que nos levou a olhar para o orçamento para gerir melhor os recursos e impôs um trabalho gigantesco de gestão.

    Aprendi muito com os valorosos servidores que estão à frente desse trabalho invisível, além de ter oportunidade de fazer algo que adoro, que é administrar. Foi uma experiência transformadora, existe um trabalho técnico, profissional e dedicado, uma verdadeira efervescência para fazer a Justiça funcionar, que não aparece.

    Quando fui convidada pelo juiz federal Paulo Cezar Neves Junior para ocupar a vice-diretoria do Foro da Seção Judiciária de São Paulo fizemos um trabalho conjunto de gestão. À época havia terminado o mestrado em Gestão e Políticas Públicas da FGV/SP.

    Estava muito empolgada em trazer para o Judiciário as ideias da gestão da inovação. O Paulo estava cursando o doutorado com foco em Gestão Orçamentária, o que nos permitiu focar em mudanças na gestão.

    Nos dois últimos anos, com os juízes federais Caio Moysés de Lima e Décio Gabriel Gimenez, formamos quase que um conselho administrativo, avançando em diversos pontos. Vejo estes quatro anos como uma oportunidade extraordinária de me realizar.

    Pudemos, desde 2016, construir um amplo Programa de Gestão e Inovação, o iNovaJusp, cujo objetivo principal sempre foi o de trazer a cultura da inovação para a Justiça Federal de São Paulo, em todos os aspectos da gestão estratégica (com planejamento estratégico situacional, programa orçamento participativo, gestão por processos de trabalho e gestão de dados), por meio de uma rede de governança, com ampla participação e capacitação de juízes e servidores.

    Criamos o primeiro Laboratório de Inovação do Poder Judiciário, o iJuspLab, e nele começamos a pensar o serviço judicial a partir da perspectiva do usuário do serviço e de forma colaborativa, com ampla participação de juízes, servidores e demais atores envolvidos nos problemas.

    Por sermos os primeiros, juízes e servidores, a dar esses passos para a inovação, sentimos o peso da responsabilidade, trabalhamos arduamente, e hoje vibramos com os resultados positivos.

    Essa visão foi uma transformação institucional. Muitos projetos ganharam vida, mas destaco o “Programa e-Vara”, que é um novo modelo organizacional de Vara, incubado no iJuspLab, e que está sendo implantado na Subseção Judiciária de Santos.

    Por fim, menciono a nova “Subsecretaria de Comunicação, Conhecimento e Inovação” que tem um novo paradigma de trabalho a gestão compartilhada, colaboração dos setores e base de suporte para a inovação na Seção Judiciária de São Paulo e para o Centro Local de Inteligência.

    Ver esta grande transformação traz grandes emoções, porque é algo que está sendo construído por muitas pessoas, é uma efervescência de inovações e dedicação, cada um dando seu melhor.  

    Todas essas inciativas foram uma imensidão na minha vida, extremamente desafiadoras! Estou imensamente feliz pela oportunidade de trabalho. Nesse processo, tivemos apoios fundamentais, não posso deixar de destacar o incentivo do juiz federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, que além de exemplificar com uma vida dedicada ao aperfeiçoamento da justiça, inclusive internacional, valorizou nossas iniciativas, além de pessoalmente aconselhar caminhos seguros a serem seguidos. Tenho muita gratidão.

     

    7) Na opinião da senhora, é possível conciliar a atividade profissional, acadêmica e familiar?

    Tenho três filhos, o Tomás com 16 anos, Tales com 15 e Sofia com 14. Apesar do tsunami que foi ter três bebês ao mesmo tempo, sempre consegui conciliar com a vida profissional e acadêmica.

    Fiz o mestrado em Direito e, mais recentemente, em Gestão Pública. Adoro estudar e falar sobre inovação no setor público. Não é tarefa fácil, fico ligada 24 horas por dia.

    Mas tem um ponto importante, compartilho todas essas atividades com meu marido, que me apoia em todas as iniciativas, nas ausências e na execução dos projetos. Ele é meu maior incentivador. Quando disse que adorava administrar e que precisava estudar o assunto, ele encontrou o mestrado da FGV, me incentivou a cursar e dava todo o suporte com as crianças para eu poder me dedicar. Também faço muitas exposições, com apoio do meu marido e dos filhos. Ter um companheiro que compartilha a vida tudo fica mais fácil.

    Por fim, uma receita que sigo é ter um staff para me dar suporte nos afazeres domésticos, delego tudo o que não seja atividade direta com meus filhos, assim tenho mais tempo para eles, ainda que tenha que abrir mão de outras despesas.

     

    8) O que a senhora sonha enquanto mulher magistrada?

    Eu acredito que precisamos ocupar os espaços institucionais para compartilharmos o desenvolvimento de políticas e participarmos de processos decisórios. Abrirmos caminhos para darmos visibilidade ao tema, apoiarmos políticas de equalização das oportunidades dentro de um processo dialético, transparente e democrático, assim fortalecendo o Poder Judiciário. Acredito que a Democracia se fortalecerá com as mulheres ocupando mais cadeiras no parlamento, assumindo as lideranças do Executivo e integrando as altas cortes do Judiciário.    

     

    9) Qual a mensagem a senhora pode deixar para as mulheres que sonham ou já sonharam em seguir a carreira?

    Acreditar e lutar para conquistar os ideais, a Magistratura precisa ser um espaço plural, que contemple em seus quadros, em todas as instâncias, pessoas vocacionadas, independentemente de suas convicções, mas que tenha representatividade da nossa sociedade.

    Na preparação para o concurso vi algumas candidatas e candidatos desistirem por valorizarem possíveis vieses na seleção, me fortaleci nas experiências de quem focava na superação pessoal, sem tempo para lamurias pelas derrotas.

    Também o destino me trouxe para a Justiça Federal, me encontrei e sou feliz. Por isso, deixo a mensagem para que sigam sua vocação e o coração, o resultado positivo virá no lugar certo e na hora certa.

     

    10) Como está sendo a atuação e adaptação do trabalho da senhora em tempos de pandemia?

    Desde o início do isolamento social comecei a trabalhar 100% em teletrabalho. A Justiça Federal da 3ª Região estava preparada em estrutura tecnológica. A Presidência e a Corregedoria do TRF3 regulamentaram rapidamente todas as atividades e a nossa TI viabilizou que quase 5000 juízes e servidores trabalhassem remotamente. Isso é extraordinário.

    A grande questão neste momento é o acesso à justiça desde a propositura da ação, produção de provas, audiências, julgamento e cumprimento das decisões. Componho o grupo de trabalho do LIODS CNJ e sou membro do Centro de Inteligência Local de São Paulo (CLISP). Passei a atuar em questões relevantes.

    Fui relatora, junto com a colega Katia Herminio Lazarano, da nota técnica da teleperícia. É uma questão desafiadora, que encontrou resistências inesperadas, mas sabemos que com a possibilidade de quarentenas intermitentes não podemos deixar milhares de processos parados de benefícios que são substitutos dos salários, em momento de grande diminuição da renda da população.

    É preciso um esforço e sensibilidade de todas as instituições e atores para viabilizar a operacionalização dessa atividade. Outro projeto, foi a oficina de design thinking virtual para buscar um modelo de teleaudiência humano e acessível, uma demanda do Centro Nacional de Inteligência. Foi a primeira oficina com a rede de inovação, que contou com juízes de laboratórios de inovação de norte a sul, leste a oeste, com a coordenação do LIODS CNJ, ijusplab, i9JFRN. O Centro Nacional de Inteligência tem sido uma arena democrática para juízes valorosos trabalharem intensamente grandes questões que emergiram com a pandemia. Também estamos atuando no acesso à renda emergencial pela população mais vulnerável. De sorte que minha atividade está intensa.

    Além do trabalho, estou mantendo, juntamente com minha família, toda a rotina da casa, lavar, passar, limpar e cozinhar. Mas somos privilegiados, com estrutura familiar e material. Estamos produzindo e crescendo a saltos largos no uso da tecnologia e na simplificação do nosso dia a dia. O Judiciário tem papel fundamental neste momento em que as deficiências do estado em desenvolvimento emergem e trazem sofrimento à população. O acesso à justiça neste momento é uma questão humanitária, temos que transpor obstáculos para que de alguma forma, à distância, de forma transcendente, a população, inclusive de minorias vulneráveis, encontre pontes para exercício dos seus direitos.

     

    11) Deixe alguma mensagem ou fale sobre algo que acredite que não tenha sido contemplado nas perguntas anteriores.

    Esses dias rememorando a minha vida e carreira para a entrevista foi algo especial. Ver o quanto fui abençoada nesta vida com uma família forte espiritualmente desde o nascimento, esposo amigo, filhos maravilhosos e amigos especiais. Tive dificuldades e desafios, experiências que me fortalecem e me fazem refletir para ser uma pessoa melhor. A minha gratidão a Deus revelo em aceitar oportunidades de trabalho, tenho a convicção de que se estou na Magistratura é porque tenho o compromisso espiritual de colaborar para que seja uma justiça inclusiva, imparcial e eficiente.

    Sigo firme em novos projetos. Estou empolgadíssima com o projeto LIODS (Laboratório de Inovação, Inteligência e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), que tem como objetivo trazer a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Judiciário.

    Coordenado pela conselheira Tereza Uille do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi formada uma rede no Judiciário. É uma visão extraordinária do quanto políticas institucionais do Judiciário podem contribuir para uma agenda global.

    Pensar um desenvolvê-la nos laboratórios de inovação, que é um ambiente em que o ser humano está no centro do desenvolvimento de políticas e que permite aos magistrados pensar nos problemas do serviço judicial de forma colaborativa e horizontal com atores externos, significa contribuir para a democratização do Judiciário.

    É uma pauta tão ampla, com o desafio de “Não deixar ninguém para trás”, que certamente estaremos juntos em algum momento em projetos do Judiciário para contribuir com uma humanidade mais justa e sustentável.

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