Na segunda-feira (2/3), a Ajufe participou da solenidade de posse dos novos dirigentes do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) para o biênio 2026/2028. A cerimônia foi realizada no Plenário do Tribunal, em São Paulo (SP), e conduzida pelo presidente do TRF3, desembargador federal Carlos Muta.
O desembargador federal Luís Antonio Johonsom di Salvo assume a Presidência da Corte. Já os desembargadores federais André Nekatschalow e Luís Paulo Cotrim Guimarães passam a ocupar, respectivamente, a Vice-Presidência e a Corregedoria Regional da Justiça Federal da 3ª Região.
Em discurso inaugural, Di Salvo afirmou que a Justiça brasileira enfrenta sobrecarga histórica e que cabe aos magistrados dar conta do volume de processos, apresentando dados do CNJ sobre produtividade e arrecadação do Judiciário Federal.
O magistrado também salientou que os juízes não são responsáveis pela escalada da litigiosidade e defendeu que a política remuneratória deve ser compreendida como reconhecimento institucional da função do Judiciário.
"Nós, magistrados, não temos culpa pela intensa litigiosidade, muitas vezes altamente predatória, que se instalou no Brasil após 1998. Na verdade, nós somos apenas os herdeiros do caos. Não temos responsabilidade pelo descaso material com que o Judiciário foi tratado ao longo de décadas, o que criou um hiato difícil de ser preenchido. Descaso que se instalou não apenas no desaparelhamento, só tardiamente superado, mas na política remuneratória, que atualmente gera tanta polêmica e provoca investida atroz que se engendra contra o Judiciário em geral”, afirmou.
“Uma justa política remuneratória está longe de ser uma exigência de enriquecimento sem causa, feita por pessoas egoístas. É o clamor dos magistrados pelo reconhecimento da importância de sua função, como Poder do Estado, como contrapeso para arbitrariedade e a luta de todos contra todos, que parece mesmo existir entre os homens, como escreveu Thomas Hobbes em Leviatã. O Judiciário insiste em uma remuneração condigna, e não o faz, meus amigos e minhas amigas, como se fosse um esmoler, um mendicante", finalizou.
Representaram a Ajufe o vice-presidente na 3ª Região, Alessandro Diaferia; a diretora administrativa, Carolline Scofield; a diretora cultural e de revista, Mária Rúbia; o diretor de relações institucionais, Carlos Delgado; e a delegada seccional de São Paulo, Vanessa Vieira de Mello.
A cerimônia de posse contou com a presença de magistradas e magistrados federais de todo o país, presidentes dos TRFs, ministros do STJ e do STF, autoridades dos demais Poderes e familiares dos novos dirigentes.
Os novos dirigentes
Presidente – O desembargador federal Luís Antonio Johonsom di Salvo, de Rio Claro (SP), é bacharel em Direito pela PUC-Campinas. Ingressou na Justiça Federal da 3ª Região em 1992 e foi promovido a desembargador no TRF3 em 2002, após atuar como juiz convocado desde 1999. No Tribunal, integrou Turmas e Conselhos e, atualmente, ocupa a Vice-Presidência. É autor de “O Juiz na Condução do Processo Penal” e atuou como docente.
Vice-presidente – O desembargador federal André Custódio Nekatschalow, de São Paulo (SP), é bacharel em Direito, especialista pela Unib e mestre e doutor em Direito Processual Civil pela USP. Atuou como escrevente, promotor de justiça e juiz federal até assumir como desembargador do TRF3 em 2003. Também lecionou na Unisantos e na FMU.
Corregedor regional – O desembargador federal Luís Paulo Cotrim Guimarães, do Rio de Janeiro (RJ), é bacharel pela PUC-RJ e mestre e doutor pela PUC-SP. Atuou como defensor público em Mato Grosso do Sul de 1983 a 2003 e tomou posse como desembargador no TRF3 em 2003, pelo quinto constitucional. Integra o Conselho de Administração e atuou como juiz titular do TRE-SP (2023–2025). É autor de obras na área de Direito Civil e Processo.
Fotos: Acom/TRF3

