Brasília, 09 de Setembro de 2010
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Ajufe na Imprensa


(07/12/2009 - 09:01)

Veículo: O Globo
Título: Vigilância eletrônica divide opiniões
Data: 27/04/2010


Uma associação de juízes elogia e outra critica projeto do governo para presos

Carolina Brígido e Ludmilla de Lima

BRASÍLIA e RIO. A proposta do governo federal de soltar presos de baixa periculosidade e submetêlos a monitoramento eletrônico dividiu opiniões na área jurídica. O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, considera a medida temerária.

Para Mattos, é mais importante garantir a dignidade dos presos nas cadeias do que soltar muitos detentos. Em contrapartida, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares, elogiou a ideia. Para ele, um criminoso de baixo potencial ofensivo tem mais chance de recuperação em liberdade do que preso.

- É preciso muita cautela. Há de se verificar como é a proposta, quem vai fazer esse monitoramento.

Criou-se essa ideia de que ninguém pode ir para cadeia, porque na cadeia não há condições. Isso põe debaixo do tapete um problema do Estado, que é garantir a dignidade do preso - disse Mattos.

Valadares discordou: - Temos que fazer uma revisão de todos aqueles que estão detidos em cadeias. Milhares deles são por pequenos furtos. Não há necessidade de manutenção deles na cadeia.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, ponderou que a tornozeleira eletrônica deve ser usada com cuidado, para não afetar a dignidade da pessoa.

Especialistas na área de segurança também divergem sobre o sistema. Astério Pereira dos Santos, subprocurador-geral do Ministério Público do Rio e exsecretário de Administração Penitenciária, critica a proposta, que teria como foco apenas uma economia para o governo: - Mais uma vez, na realidade, estão criando medidas que só tentam evitar a construção de novos presídios. A pena prevê a ressocialização do condenado, mas isso não está sendo considerado.

Michel Misse, professor de sociologia do IFCS/UFRJ, disse ser favorável à medida: - Não há problema algum (no monitoramento eletrônico), porque boa parte dessas pessoas são primárias. E a tornozeleira pode manter o controle sobre a circulação delas - afirmou ele, acrescentando que as prisões devem ser o destino apenas em casos graves.


Veículo: Blog do Fred (Folha de São Paulo)
Título: Ajufe escolhe nova diretoria nesta terça-feira
Data: 27/04/2010


Os magistrados filiados Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) elegerão nesta terça-feira (27/4), por votação totalmente eletrônica, que se estenderá das 9h às 18h, os novos dirigentes da entidade para o biênio 2010/2012. Também serão eleitos os novos integrantes do novo Conselho Fiscal da Ajufe. Dois candidatos disputam a sucessão de Fernando Mattos na presidência entidade.

Duas chapas concorrem ao pleito: “Ajufe Unida” (www.ajufeunida.com.br) e “Muda Ajufe” (www.mudaajufe.com.br). A primeira é encabeçada pela juíza titular da 1ª Vara Federal de Brasília (DF), Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos. A segunda chapa tem como candidato à presidente o juiz substituto da 3ª Vara de Execuções Fiscais de Porto Alegre (RS), Gabriel de Jesus Tedesco Wedy.

Ao Conselho Fiscal da Ajufe (composto por três conselheiros e dois suplentes), concorrem sete juízes associados por meio de candidaturas avulsas.

De acordo com o Estatuto da Ajufe, estão aptos a votar 1.593 associados, entre juízes federais titulares e substitutos, desembargadores federais e ministros de tribunais superiores.

O sistema de votação será totalmente eletrônico, com tecnologia e suporte fornecidos gratuitamente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), após assinatura de termo de cooperação com a Ajufe.

O resultado da eleição será conhecido poucos minutos após o fim da votação, que será encerrada pontualmente às 18h (horário de Brasília).

A posse do novo corpo diretivo da Ajufe e dos integrantes do Conselho Fiscal será realizada em Brasília (DF), na primeira quinzena de junho, em dia e local que ainda serão definidos.



Veículo: Jornal do Commércio (RJ)
Título: Ajufe elege hoje novo presidente e conselho
Data: 27/04/2010


DA REDAÇÃO

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) elege hoje seu novo presidente.

O pleito, do qual poderão participar todos os magistrados do Judiciário federal que forem filiados à entidade, terá início às 9h e se encerrará às 18h. Na ocasião, também serão eleitos os novos integrantes do novo Conselho Fiscal da Ajufe. Duas chapas concorrem ao pleito: Ajufe Unida e Muda Ajufe.

A primeira é encabeçada pela juíza titular da 1ª Vara Federal de Brasília, Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos. A segunda chapa tem como candidato a presidente o juiz substituto da 3ª Vara de Execuções Fiscais de Porto Alegre (RS) Gabriel de Jesus Tedesco Wedy. Ao Conselho Fiscal da Ajufe (composto por três conselheiros e dois suplentes), concorrem sete juízes associados por meio de candidaturas avulsas.

De acordo com o Estatuto da Ajufe, estão aptos a votar 1.593 associados, entre juízes federais titulares e substitutos, desembargadores federais e ministros de tribunais superiores. O sistema de votação será totalmente eletrônico, com tecnologia e suporte fornecidos gratuitamente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) O resultado será conhecido logo após o fim da votação.

A posse será na primeira quinzena de junho.


Veículo: O Estado de São Paulo
Título:
Câmara discute criação de 4 tribunais federais
Data: 05/04/2010


Fausto Macedo

Proposta tem aval do presidente da Casa, Michel Temer, mas gera polêmica entre magistrados

A Câmara coloca em discussão quarta-feira a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 544/02 que prevê a criação de quatro Tribunais Regionais Federais (TRFs), com sedes em Curitiba, Salvador, Belo Horizonte e Manaus.

O projeto avança com sinal verde do presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB), que o avalia como garantia de "efetividade" da Justiça e "fortalecimento do princípio federativo". Em reunião com juízes federais e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, há uma semana, Temer declarou apoio à medida. Ophir Cavalcante, presidente da OAB, defende os novos tribunais como saída para "racionalizar os serviços da Justiça Federal".

Hoje há cinco TRFs: em Porto Alegre, São Paulo, Rio, Brasília e Recife. O principal argumento da toga é que os novos tribunais irão desafogar o elevado índice de feitos, uma das causas da morosidade que marca o Judiciário.

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) destaca que o TRF da 1.ª Região (TRF1, em Brasília) tem jurisdição sobre 13 Estados e o Distrito Federal. No TRF1, com 27 desembargadores, estão em curso 340 mil processos. O juiz Moacir Ferreira Ramos, da 17.ª Vara de Brasília e presidente da Ajufe - 1.ª Região, afirmou que a criação dos tribunais não vai provocar grande impacto financeiro. "Não pretendemos construir palácios de Justiça. A sociedade não permite e não aceita mais custos excepcionais." Segundo ele, em algumas regiões, a Justiça Federal tem condições de alojar novas instalações. "Em Minas, há o compromisso do governo de fornecer espaço."

Ramos anota que o Conselho Nacional de Justiça emitiu nota em que reconhece a necessidade dos tribunais. "Esta semana é muito importante porque na reunião da bancada dos líderes na Câmara vão eleger as prioridades. Pedimos a inclusão da PEC 544."

O juiz Ricardo de Castro Nascimento, presidente da Associação dos Juízes Federais em São Paulo, diz ter "visão cética" da questão. "Vejo com simpatia (a PEC 544), mas de pouco adianta criar novos tribunais se não ampliarem os que já existem. É dar dosagem errada de remédio ao paciente."

O TRF3, que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul, é o maior do País, com um quadro de 43 desembargadores e cerca de 450 mil processos. "Falar para um desembargador com 10 mil processos sob sua responsabilidade que vão criar um novo tribunal na Amazônia, por exemplo, e não vão ampliar o TRF3 certamente não é notícia interessante", acredita Nascimento.


Veículo: Revista Carta Capital
Título:
O corporativismo não dá folga
Data: 04/04/2010


Peluso. Férias menores são a primeira bandeira do futuro presidente do Supremo

Judiciário | Por que a proposta de redução das férias incomoda tanto os juízes

Por Leandro Fortes

Mesmo antes de assumir a presidência do Supremo Tri-bunal Federal, o ministro Cezar Peluso chacoalhou os alicerces do Poder Judiciário ao criticar o expediente das férias dobradas dos magistrados, uma benesse arraigada na rotina e na alma dos juízes brasileiros. Ao contrário do antecessor, Gilmar Mendes, Peluso é avesso à tagarelice compulsiva, não sofre frenesis ao ver um microfone ou um gravador e só costuma falar nos autos, como se diz no jargão judicial. Portanto, ao se manifestar sobre as férias de 60 dias, o ministro não só pretendeu externar sua opinião sobre o assunto caro à categoria que pertence como buscou estabelecer o tema como marco zero de seu mandato à frente do Supremo a partir de 23 de abril.

Peluso, indicado por Lula, é um dos poucos ministros do STF com real e longa experiência de juiz - são quatro décadas como magistrado. Por isso mesmo, ao declarar-se abertamente a favor da redução de férias para os colegas de toga, desencadeou uma rea-ção corporativista imediata, baseada ora em argumentos técnicos, ora em ímpetos emocionais calcados, quase sempre, nas piores tradições do serviço público brasileiro.

Além de ter direito a dois meses de férias, os magistrados ainda contam com outros 19 dias de folga. Em todas as instâncias da Justiça brasileira os tribunais costumam, a título de recesso, encerrar as atividades no dia 19 de dezembro para só retomá-las em 6 de janeiro. Na ponta do lápis, os juízes têm garantidos 79 dias de férias (sem contar os feriados regulares) por ano. Formalmente, os magistrados justificam que a parada nos trabalhos, no fim do ano, serve para assegurar as férias coletivas dos advogados.

Peluso não foi o primeiro a levantar essa questão, mas o fez assim, precocemente, para firmar uma posição pessoal delicada contra um privilégio corporativo que sempre depôs contra a categoria. Ele, como juiz de carreira, conhece bem todos os lados dessa polêmica, inclusive o argumento-padrão, baseado na frágil tese de que o magistrado usa as férias para trabalhar, como se outros trabalhadores brasileiros não o fizessem, mas sem direito a um 14º salário, como ocorre hoje no Judiciá-rio. Em São Paulo, onde há 1,8 mil juízes, uma lei estadual permite aos magistrados vender as duas férias, ou seja, é possível embolsar até um 15º salário, se o juiz gostar muito do batente.

Incide sobre os dois salários de férias dos magistrados um terço a mais a ser pago, sobre o montante do ordenado, como manda a lei trabalhista. Como os juízes brasileiros ganham, em média, 20 mil reais por mês, cada período de férias vendido rende um salário extra de cerca de 27 mil reais por 30 dias vendidos. Em São Paulo, esse valor pode passar de 50 mil reais ao ano. Por duas semanas, CartaCapital solicitou, sem sucesso, informações ao Tribunal de Justiça de São Paulo sobre o número de juízes que haviam requerido a venda das segundas férias no ano passado.

O posicionamento de Peluso também tem o objetivo de neutralizar o lobby dos magistrados no Congresso Nacional, onde tramita a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 48, que regulamenta as férias individuais e coletivas de juízes e promotores. A PEC do Recesso Forense, como é conhecida, é de autoria do senador Valter Pereira (PMDB-MS) e na versão original chegou a acrescentar, formalmente, mais 19 dias de férias anuais aos 60 dias já concedidos. De tão esdrúxulo, o adendo acabou suprimido pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal.

Os líderes dos magistrados mantêm um discurso afinado na hora de justificar a manutenção, basicamente explicada pela tese de que o privilégio das férias duplicadas serve para atrair "mentes mais capacitadas" para o Judiciário. "É preciso estabelecer a diferença entre os magistrados e os demais agentes de Estado, mas estamos abertos para discutir alguns aspectos", afirma Mozart Valadares, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Segundo ele, os juí-zes trabalham de 12 a 14 horas por dia e costumam levar processos para casa. "As atividades são mais complexas e, muitas vezes, no ambiente de trabalho não há tempo de fazer atendimento a partes, designar audiências, analisar liberdade ou não de cidadãos. Não há como fazer tudo durante o expediente, no horário de trabalho."

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As associações de juízes reclamam do excesso de trabalho (de 12 a 14 horas por dia) e afirmam que é hábito levar trabalho para casa

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Valadares informa que um estudo do Banco Mundial de 2008 aponta o Judiciário brasileiro como o mais proativo da América Latina, apesar da grande carga de trabalho: 85% das varas judiciais do País funcionam com mais de 10 mil processos em tramitação. "Acho que é preciso revogar todos os recessos, mas não as férias", avalia o presidente da AMB. "Cumprir somente o expediente seria desastroso para o Judiciário, até porque o Conselho Nacional de Justiça instituiu uma nova cultura, de metas, que nos obriga a trabalhar mais", argumenta.

Segundo o juiz, é preciso antes discutir o tipo de serviço público que a sociedade quer. "Não se pode ver o servidor público como um incompetente para a profissão liberal." Para ele, além de contratar mais juízes, é necessário qualificar os gastos com o Judiciário, onde, afirma, os orçamentos são baixos. "Se a magistratura não tiver atrativos, o magistrado vai para a iniciativa privada."

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Além dos 60 dias, há outros 19 de recesso no fim de ano. Em São Paulo, uma norma permite a venda dos períodos, o que pode render 50 mil reais a mais

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É a mesma linha defendida por Fernando Mattos, presidente da Associação Nacional dos Juízes Federais (Ajufe). Favorável às férias de 60 dias, Mattos vê a magistratura como um ofício de tempo integral. "O juiz leva processo para casa, faz plantão judicial (são dois por ano) e não pode receber remuneração extra, porque a única atividade que ele pode exercer é a do magistério. No âmbito da Justiça Federal, tem de se tirar férias de 60 dias, inclusive para manter a sanidade mental."

Apesar de seu estilo low profile, Peluso promete meter a mão em um vespeiro.



Veículo: O Globo
Título: Ataque ao Ministério Público
Data: 02/04/2010


CLÁUDIO SOARES LOPES

Tramita a passos largos na Câmara dos Deputados o projeto de lei 265\/07, de autoria do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que se traduz no maior ataque desferido contra o Ministério Público nos últimos anos.

Segundo a proposta inicial, os autores de ações civis públicas, ações populares e ações de improbidade administrativa, quando essas ações forem julgadas improcedentes, correriam o risco de serem processados criminalmente, além de condenados, pessoalmente, ao pagamento de honorários advocatícios e de multa pecuniária equivalente a dez vezes o valor das custas judiciais. A decisão seria baseada numa subjetiva avaliação de que a demanda foi promovida pelo promotor por má-fé, para uma suposta promoção pessoal ou por perseguição.

Os mais atingidos são as associações e instituições legitimadas a propor ações civis públicas, os cidadãos comuns preocupados com o patrimônio público e, principalmente, os membros do Ministério Público, que historicamente têm sido o principal obstáculo para a atividade da corrupção em nosso país.

Registre-se que não há em nossa legislação qualquer dispositivo legal sequer parecido com o sugerido pelo deputado Paulo Maluf. Em outras palavras, aprovada a proposição, o delegado de polícia, responsável pela instauração de um inquérito policial e pelo indiciamento de um suspeito, o juiz de direito, que profere uma sentença condenatória, ou, ainda, o fiscal de renda, que lavra um auto de infração, nenhum deles estará sujeito a tão graves sanções como o promotor de Justiça.

Não custa lembrar que o autor do malfadado projeto, por razões óbvias, não incluiu na sua proposta qualquer punição aos administradores públicos corruptos que agirem de má-fé durante a tramitação dessas ações. Esqueceu-se também que já existe no Código de Processo Civil dispositivo legal que pune pessoalmente o litigante de má-fé.

O parlamentar - recentemente incluído no rol dos criminosos mais procurados no mundo pela Interpol - justifica sua proposta dizendo-se um perseguido pelo Ministério Público, e foi, no mínimo, decepcionante, ver o inesperado apoio de alguns deputados federais para a inclusão do "Projeto Maluf" na pauta de prioridades para os próximos dias.

Se a preocupação é realmente evitar eventuais excessos praticados por algum promotor ou procurador no afã de defender o interesse público, devemos lembrar-lhes de que não foi outro o motivo da criação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), responsável pelo controle externo da instituição, que conta com membros indicados pela Ordem dos Advogados do Brasil, pela Magistratura e pelo Congresso Nacional.

As Associações dos Membros do Ministério Público, a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) e a Associação dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) também estão lutando contra atos de corrupção e, portanto, são contra a aprovação do projeto.

O mais importante agora é conseguir revelar à sociedade o perigo que representa a aprovação do PL 265\/07 - ou "Lei da Mordaça" - para o patrimônio público, pois, uma vez aprovado, os corruptos se sentirão mais seguros para atuarem, na medida em que o principal adversário estará literalmente amordaçado.

E a sociedade, especialmente neste ano de eleições, precisa saber quem são os políticos que querem calar o Ministério Público.

CLÁUDIO SOARES LOPES é procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.



Veículo: Consultor Jurídico
Título: Instalação de novos TRFs vai desafogar a 1ª Região
Data: 01/04/2010


A Proposta de Emenda Constitucional 544/02 prevê a criação de quatro Tribunais Regionais Federais em Salvador (BA), Manaus (AM), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG). De acordo com a Associação dos Juízes Federais - Ajufe, a criação dos novos TRFs vai desafogar o TRF da 1ª Região, que tem jurisdição sobre 13 estados e o Distrito Federal.

A proposta deverá ser discutida em reunião de líderes da Câmara dos Deputados na próxima semana. O compromisso foi assumido pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer, durante a audiência nesta quarta-feira (31/3) com os juízes federais e com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.

No encontro, o juiz Moacir Ferreira Ramos afirmou que a criação dos tribunais não vai resultar em grande impacto financeiro porque o objetivo não é construir "palácios de Justiça, mesmo porque algumas unidades da Federação já têm condições de receber esses tribunais".

Para o presidente da OAB, a criação dos quatro TRFs será importante para racionalizar os serviços da Justiça Federal, para aproximar a Justiça do cidadão e para dar mais agilidade aos processos. "Nós temos muitas lutas no combate à corrupção, à impunidade, aos desmandos do próprio estado e é fundamental neste momento que nós tenhamos uma Justiça presente. O fortalecimento do Judiciário é importante para o fortalecimento da democracia", disse.

Nas conversas com o senador Tião Viana e com o deputado Michel Temer, os juízes federais ressaltaram que a criação dos novos TRFs foi assunto de audiência com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na semana passada, quando o ministro prometeu tratar do assunto com a importância que ele requer, colocando-se como um "parceiro" para permitir a inclusão da PEC em pauta. Com informações da Assessoria de Comunicação da Ajufe.



Veículo: Folha de São Paulo
Título: Painel do Leitor
Data: 26/03/2010


O "Painel do Leitor" recebe colaborações por e-mail ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4º andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

Juízes

"A Associação dos Juízes Federais do Brasil esclarece que os fatos a que se referiu o ministro Gilmar Mendes em sua entrevista de 22/3 foram todos objeto de investigação, tendo sido indeferidas todas as propostas de abertura de procedimento administrativo disciplinar pelo Órgão Especial do TRF da 3ª região.

Está comprovado que nenhum juiz federal que atua em vara criminal de São Paulo agiu em desacordo com a lei ou desrespeitou qualquer órgão jurisdicional.

A Ajufe estranha a insistência do ministro nesse assunto e defende a independência da magistratura em todas as instâncias, base fundamental da democracia."

FERNANDO CESAR BAPTISTA DE MATTOS, presidente (São Paulo, SP)




Veículo: Jornal do Commércio (RJ)
Título: Pacto por mais tribunais federais
Data: 26/03/2010


DA REDAÇÃO

A advocacia e a magistratura federal do País firmaram ontem um pacto para ampliar e melhorar a prestação dos serviços da Justiça Federal em todo o País.

Conduzidas pelo presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Alberto de Paula Machado, e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, essas categorias decidiram somar esforços para reivindicar a criação de quatro novos tribunais regionais federais (TRFs), e das 230 novas varas da Justiça Federal previstas na Lei 12.011\/09, além da ampliação do número de juízes e servidores dos cinco tribunais já existentes nas regiões dessa Justiça especializada.

"É um momento importantíssimo de união da magistratura com a advocacia em torno de ideais que alcançam a sociedade como um todo. Nós não estamos aqui tratando de interesses exclusivos da advocacia, nem da magistratura, mas da atividade da Justiça, cujo destinatário final é o povo brasileiro. Defendemos a ampliação da estrutura do Poder Judiciário, para que a população tenha o direito constitucional de pleno acesso à Justiça e à razoável duração do processo", afirmou Machado.



Veículo: Consultor Jurídico
Título: Governo federal garante apoio a PEC que cria TRFs
Data: 26/03/2010


A proposta de emenda à Constituição que cria quatro novos Tribunais Regionais Federais, já aprovada no Senado e que tramita na Câmara dos Deputados, passa a integrar a pauta de prioridades do governo. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (24/3) pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que prometeu dar seu apoio pessoal.

"Podem ter a certeza de que vocês terão um parceiro para trabalhar nesse pleito, que é muito razoável", assegurou o ministro, ao final de uma audiência concedida aos presidentes do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Alberto de Paula Machado (em exercício), e da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Fernando de Mattos, para discutir a Proposta de Emenda Constitucional 544/2002.

Para o presidente em exercício da OAB Nacional, Alberto de Paula, a necessidade de instalação dos quatro novos TRFs "fica patente pela altíssima concentração de processos hoje em apenas cinco Tribunais Regionais Federais". Segundo ele, a "ansiedade da comunidade jurídica quanto à urgente necessidade de implantação desses TRFs está demonstrada inclusive pela união da advocacia e da magistratura em torno da PEC 544.

O presidente da Ajufe, Fernando de Mattos, destacou na audiência que o movimento pela ampliação da Justiça Federal no país "deve ser entendido como um objetivo de aproximar mais a Justiça Federal da cidadania brasileira".

Participaram da audiência o secretário-geral do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, e os presidentes das Seccionais da OAB de Alagoas, Omar Coêlho; do Acre, Florindo Poersch; do Amazonas, Antonio Fábio Barros de Mendonça; da Bahia, Saul Quadros; do Distrito Federal, Francisco Caputo; de Minas Gerais, Luis Cláudio Chaves; do Paraná, José Lucio Glomb, de Sergipe, Carlos Augusto Monteiro, além de diversos juízes federais. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.



Veículo: Blog do Fred (Folha de São Paulo)
Título: Ajufe: eleição não influiu em nota da entidade
Data: 25/03/2010


A respeito de comentário do editor do Blog sobre as notas de repúdio à entrevista concedida à Folha pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, recebemos a seguinte mensagem de Nino Oliveira Toldo, vice-presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil):

Prezado Fred Vasconcelos,

A propósito da sua nota "Sobre Gilmar versus De Sanctis: Data maxima venia", postada ontem (23) às 07h11 em seu blog, gostaria de esclarecer que a contundência da nota da AJUFE não tem nenhuma relação com a iminente saída do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, tampouco com a proximidade da eleição do novo corpo diretivo da AJUFE.

A AJUFE, em outros momentos, ao longo dos dois últimos anos, emitiu notas tão contundentes quanto essa, quando entendeu que isso era necessário para a defesa da magistratura. Apenas a título exemplificativo, lembro da nota emitida há um ano, quando o ministro foi sabatinado pela Folha de S. Paulo.

A diretoria da AJUFE vem agindo com destemor na defesa da magistratura e de suas prerrogativas ao longo da gestão de Fernando Mattos. Não precisa marcar posição para a próxima eleição. As ações desta diretoria são a prova eloquente disso.

Espero ter esclarecido essa questão e fico à disposição para outros esclarecimentos, se necessários.

Abraço,

Nino Oliveira Toldo
Vice-Presidente da AJUFE




Veículo: Jornal do Commércio (RJ)
Título: CNJ indefere contestação à legalidade de conciliadores
Data: 24/03/2010


DA REDAÇÃO

O Conselho Nacional de Justiça indeferiu, por maioria de votos, na sessão de ontem, o pedido de providências no qual a Seccional da OAB em Cascavel (PR) contestava a legalidade de utilização de conciliadores no Juizado Especial Federal Previdenciário da cidade. A decisão do CNJ comunga com o posicionamento da Ajufe, que defende a utilização desses profissionais nos juizados especiais federais (JEFs) como forma de agilizar a prestação jurisdicional.

Na sessão, apenas dois conselheiros divergiram do relator Marcelo Neves, que, apesar de conhecer o Pedido de Providências (PP) nº 7350.2010.2.00.0000, votou pelo indeferimento do pleito. Iniciado no dia 9 de março, o julgamento foi retomado com voto-vista da conselheira Morgana Richa, pelo não conhecimento do pedido.

AGILIDADE. Na sessão do último dia 9, o presidente da Ajufe, Fernando Mattos, ressaltou, em sustentação oral, a importância da matéria para toda a magistratura federal e defendeu a utilização dos conciliadores nos JEFs como forma de agilizar a prestação jurisdicional. O julgamento, entretanto, não foi concluído, já que Morgana Richa pediu vista do processo, após voto contrário do relator, conselheiro Marcelo Neves, ao pleito da OAB.

Em sua sustentação, o presidente da Ajufe afirmou que, ao contrário do que alega a OAB local, as informações do Juizado Previdenciário de Cascavel dão conta de que o conciliador é mero auxiliar do juiz no preparo e na realização dos atos de instrução.



Veículo: Consultor Jurídico
Título: Ajufe repudia declarações de Gilmar Mendes
Data: 24/03/2010


Assim como a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) repudiou as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, ao jornal Folha de S.Paulo na segunda-feira (22/3). Em nota, a Associação considerou ofensivas as afirmações de Gilmar Mendes ao falar sobre a Operação Satiagraha e convidou o ministro vir à público “dizer o que sabe”.

A operação ocorreu em 2008 e prendeu o empresário Daniel Dantas por ordem do juiz federal da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto De Sanctis. Na entrevista, o presidente do STF afirmou que “havia um tipo de conúbio espúrio de polícia, juiz e membro do Ministério Público. As investigações provaram que os juízes estavam se sublevando contra pedido de informação feito por desembargador”. À época, De Sanctis sonegou informações sobre o processo solicitadas pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, pelo ministro Luiz Fux do Superior Tribunal de Justiça e também pelo ministro Eros Grau do Supremo Tribunal Federal.

“Ao relembrar esse triste episódio, o ministro Gilmar Mendes, apartado da realidade, mais uma vez ataca desnecessariamente a magistratura federal. Se ele sabe de qualquer fato, que o diga claramente, mas não ponha em dúvida o comportamento de honrados juízes e juízas federais com evasivas e afirmações desprovidas de provas”, declarou em nota a Ajufe.

Em relação ao Habeas Corpus de Dantas, assunto que o ministro afirmou ser um dos momentos mais difíceis de sua gestão, a entidade ressalta que “jamais houve qualquer afronta ou sequer tentativa de afrontar-se decisão monocrática do senhor ministro presidente do Supremo Tribunal Federal”. Também destacou a decisão negativa do ministro Marco Aurélio, do STF, como prova de “existência de fundamento para a decretação da prisão”.

Leia a nota:

Nota pública

A Associação dos Juízes Federais do Brasil – AJUFE, entidade de âmbito nacional da magistratura federal, vem a público, uma vez mais, manifestar sua veemente discordância em relação a afirmações feitas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, as quais demonstram desrespeito para com magistrados federais.

Ao ser entrevistado pelo jornal “Folha de S. Paulo” (edição de 22 de março de 2010), Sua Excelência diz que o momento mais dramático de sua gestão foi por ocasião da decisão sobre o habeas corpus impetrado em benefício do banqueiro Daniel Dantas, ocasião em que “houve uma decisão do STF. E menos de 24 horas depois já havia uma outra ordem de prisão em claro descumprimento à decisão do STF. Daí ter sido dado um novo habeas corpus. Depois os fatos vieram a revelar o envolvimento político da polícia. Envolvimento de Ministério Público e juiz. E talvez coisas que não saibamos e que serão reveladas”.

Em outro momento da entrevista, Sua Excelência, ao dizer que os conflitos às vezes são necessários, afirma que “ali se mostrou que havia um tipo de conúbio espúrio de polícia, juiz e membro do Ministério Público. As investigações provaram que os juízes estavam se sublevando contra pedido de informação feito por desembargador”.

Pois bem. Nenhuma dessas afirmações procede. Como a AJUFE já se manifestou anteriormente, conquanto se reconheça ao ministro o direito de expressar livremente sua opinião, essas afirmações são desrespeitosas aos juízes de primeiro grau de São Paulo, aos desembargadores do Tribunal Regional Federal da Terceira Região e também a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ocorre que, em relação aos habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas, especialmente o segundo, jamais houve qualquer afronta ou sequer tentativa de afrontar-se decisão monocrática do senhor ministro presidente do Supremo Tribunal Federal. Tanto isso é verdade que o ministro Marco Aurélio, um dos membros mais antigos e respeitados da Corte, denegou a ordem, reconhecendo a existência de fundamento para a decretação da prisão. Portanto, rejeita-se com veemência essa lamentável afirmação.

No que toca à infeliz menção ao comportamento de juízes quanto a pedido de informações de desembargador, a AJUFE lembra que proposta de abertura de procedimento disciplinar contra cinco juízes federais que atuavam em varas federais criminais de São Paulo foi rejeitada pelo Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, pela amplíssima maioria de 15 votos a um, restando isolado o Corregedor-regional da Justiça Federal da Terceira Região. Esses juízes federais tiveram suas defesas promovidas pela AJUFE, que demonstrou a impertinência do procedimento. Ao contrário do que afirma o ministro Gilmar Mendes, nenhuma investigação confirmou que juízes estivessem se sublevando contra pedido de informação de desembargador. Isso ficou evidente no julgamento, destacando-se que o comportamento dos juízes criminais foi elogiado por diversos membros da Corte Federal.

Ao relembrar esse triste episódio, o ministro Gilmar Mendes, apartado da realidade, mais uma vez ataca desnecessariamente a magistratura federal. Se ele sabe de qualquer fato, que o diga claramente, mas não ponha em dúvida o comportamento de honrados juízes e juízas federais com evasivas e afirmações desprovidas de provas.

Além disso, é imperioso lembrar que quando o Corregedor-regional da Justiça Federal da Terceira Região quis abrir investigação sobre o procedimento de 134 juízes que subscreveram manifesto em favor da independência funcional da magistratura, por ocasião da decretação da prisão e soltura do banqueiro Daniel Dantas, o então Corregedor-Geral da Justiça Federal, ministro Hamilton Carvalhido, atendendo a requerimento da AJUFE, trancou essa iniciativa, tão absurda que era.

É importante lembrar, ainda, que o próprio ministro Gilmar Mendes, em troca de correspondência com a AJUFE, afirmou que ao encaminhar cópia de sua decisão para o Conselho Nacional de Justiça e para a presidente do Tribunal Regional Federal da Terceira Região o fazia apenas para fins estatísticos.

As afirmações do ministro Gilmar Mendes de que havia um “conúbio espúrio [sic] de polícia, juiz e membro do Ministério Público” deve ser repelida com veemência, pois além de ser desprovida de comprovação fática, é atentatória à garantia da independência da magistratura, a qual o senhor ministro, por ser presidente da mais alta Corte de Justiça do País, deveria defender.

Volta-se a repetir que, se o ministro reconhece, como o fez ao ser sabatinado pela Folha de São Paulo há um ano, que suas manifestações servem de orientação em razão de seu papel político e institucional de presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, deve reconhecer também que suas afirmações devem ser feitas com a máxima responsabilidade.

Brasília, 22 de março de 2010.

Fernando Cesar Baptista de Mattos

Presidente da AJUFE




Veículo: Valor Econômico
Título: OAB vê pacto contra a impunidade
Data: 17/02/2010


Juliano Basille De Brasília

A prisão de José Roberto Arruda, governador afastado do Distrito Federal, só foi possível porque há um pacto contra a impunidade dentro do Poder Judiciário que, seguramente, terá repercussões nas eleições de outubro. A análise é do autor do pedido de prisão, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.

Para ele, os ministros dos tribunais superiores perceberam que é preciso acabar, com urgência, com o sentimento da população de que os políticos não são condenados no Brasil. Isso fará com que os julgamentos de políticos sejam acelerados e que os ministros sejam mais rigorosos com os advogados que entram com recursos apenas para evitar uma decisão final.

Foi exatamente isso que aconteceu no julgamento do pedido de prisão de Arruda. O ministro Fernando Gonçalves, relator do processo sobre o mensalão do DEM no Superior Tribunal de Justiça, determinou a prisão de Arruda e, no mesmo dia, antes mesmo de a decisão ser divulgada, o caso foi encaminhado para a Corte Especial - o órgão máximo do STJ. Esse encaminhamento célere impediu que os advogados de Arruda recorressem contra a decisão de Gonçalves no STJ. Eles tiveram de aguardar pelo julgamento da Corte.

O placar quase unânime na Corte - 12 votos pela prisão de Arruda e apenas 2 contrários - mostrou, segundo Cavalcante, que o pacto contra a impunidade chegou ao tribunal. "Não há dúvida de que há mais rigor com a classe política e esse rigor vai repercutir nas eleições deste ano", disse o presidente da OAB.

O ministro Gonçalves ocupa uma das sete cadeiras de julgadores que também atuam no Tribunal Superior eleitoral (TSE). A sua decisão contra Arruda foi confirmada, na sexta-feira, pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Marco Aurélio ocupa, há duas décadas, uma cadeira no STF e, em boa parte desse período, sempre foi um ministro conhecido mais por preferir libertar presos do que por mantê-los na cadeia. Foi dele a decisão que soltou o banqueiro Salvatore Cacciola, em 2001, e permitiu que o italiano fugisse para o seu país.

Mas as últimas decisões do ministro estão indo em sentido oposto. Há um ano e meio, ele foi o único, entre os 11 integrantes do STF, a votar pela permanência na prisão do banqueiro Daniel Dantas. No semestre passado, votou pela abertura de ação penal contra o ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal, Antonio Palocci (PT-SP), mas acabou vencido naquele julgamento.

Assim como Gonçalves, Marco Aurélio será um dos sete integrantes do TSE nas próximas eleições. Na decisão em que manteve a prisão do governador afastado do DF, o ministro criticou a impunidade e exaltou o momento atual em que o Judiciário começa a dar respostas mais duras contra a corrupção na política. "Nota-se que certas práticas - repudiadas, a mais não poder, pelos contribuintes, pela sociedade - não são mais escamoteadas. Elas vêm à baila para ensejar a correção de rumos, expungida (eliminada) a impunidade. Então, o momento é alvissareiro", escreveu o ministro.

O apoio de entidades da magistratura e da advocacia à prisão de Arruda também indica que há um sentimento geral nos juízes e advogados de que é necessário mais rigor com a classe política. Além da OAB, as associações dos Magistrados Brasileiros e dos Juízes Federais (AMB e Ajufe) defenderam as decisões que resultaram na manutenção do governador afastado na cadeia. Para os juízes, a tentativa de suborno a uma testemunha pesou fortemente contra Arruda, pois ela significa a obstrução do trabalho da Justiça. "Manter a prisão de Arruda é uma forma de preservar o processo e garantir o bom andamento das investigações, já que há fortes indícios de que ele estaria tentando destruir provas", afirmou o presidente da AMB, Mozart Valadares.

A mudança de posicionamento da OAB é histórica. Na redemocratização, a Ordem defendia a garantia de ampla defesa dos acusados contra o Estado. Isso ajudou a aprovação de leis processuais que permitem centenas de recursos e tornam sem fim processo contra políticos.

Agora, a OAB está pedindo a alteração da legislação processual e maior agilidade nos julgamentos. "O problema não está apenas no excesso de recursos", disse Cavalcante. "O devido processo legal deve ser cumprido. Mas a Justiça que deve ser mais ágil, pois, se não houver um compromisso do Judiciário com decisões mais céleres, não adianta mudar a li", completou.

Se houve mudança da Ordem, o mesmo acontece no Supremo. Quando a Constituição foi aprovada, em 1988, prevalecia no STF a corrente de que não cabia ao Judiciário entrar em embates da classe política. Por essa razão, muitos processos contra políticos eram vistos como ações de adversários e acabavam arquivados. Agora, já existe no tribunal uma corrente de combate à impunidade que defende a tese de que o tribunal não deve ser cemitério de ações envolvendo políticos.

Para o presidente da OAB, o STF e todo o Judiciário devem dar prioridade aos processos envolvendo políticos. Um dos exemplos é o caso do mensalão do PT, em que o relator, ministro Joaquim Barbosa, se deparou com todo o tipo de chicana para atrasar o julgamento final, como a nomeação de testemunhas com endereço inexistente e a indicação de outras que moram no exterior. Mesmo assim, Barbosa tentará levar o caso a julgamento até o fim deste ano.


Veículo: O Estado de São Paulo
Título: Repercussão
Data: 12/02/2010


Arruda é preso por ordem do STJ e procurador pede intervenção no DF

Governador poderia interferir nas investigações do inquérito Caixa de Pandora se ficasse solto, alegou ministro

Mariângela Gallucci BRASÍLIA

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem-partido, ex-DEM), foi preso ontem, acusado de tentar subornar testemunhas no inquérito da Operação Caixa de Pandora - em que é acusado de comandar "organização criminosa" - e de obstrução à Justiça. Segundo despacho do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Fernando Gonçalves, que preside o caso, Arruda e seu grupo valem-se "do poder econômico e político para atrapalhar as investigações e garantir a impunidade". O vice Paulo Octávio (DEM) assumiu o governo.

Ao mesmo tempo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) intervenção no governo, com o impedimento de Arruda, do vice, e do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR). O pedido é inédito no período posterior à Constituição de 1988.

A prisão ocorreu quatro meses e meio após o início da operação da PF, que investigou esquema de corrupção montado na capital, com distribuição de mesadas para parlamentares, secretários e funcionários do DF. A decisão foi determinada pelos ministros que integram a Corte Especial do STJ.

A corte também determinou o afastamento do governador e a prisão de cinco aliados - o suplente de deputado distrital Geraldo Naves, o ex-secretário de Comunicação Wellington Moraes, o secretário particular de Arruda, Rodrigo Arantes Diniz, o ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB) Haroldo de Carvalho e o conselheiro do Metrô Antônio Bento da Silva, que já tinha sido preso na semana passada.

COAÇÃO

A decisão teve como base um despacho de Gonçalves, segundo o qual "organização criminosa instalada no governo do Distrito Federal continua valendo-se do poder econômico e político para atrapalhar as investigações e garantir a impunidade".

Ainda de acordo com o ministro do STJ, esse mesmo grupo busca dilapidar verbas públicas e apagar vestígios dos delitos cometidos no Distrito Federal.

O temor de que Arruda e aliados poderiam coagir testemunhas surgiu na semana passada, após a prisão em flagrante de Antonio Bento da Silva, que entregou R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, uma das testemunhas do "mensalão do DEM".

Por volta das 14 horas de ontem, Gonçalves pediu ao presidente do STJ, Cesar Asfor Rocha, que convocasse os ministros da Corte Especial - os 14 mais antigos do tribunal - para que seu despacho favorável às prisões fosse referendado.

A maioria concluiu que, pelo bem da ordem pública e pela garantia da instrução criminal, o grupo deveria ser preso preventivamente. Ao tomar a decisão, os ministros atenderam a um pedido do procurador-geral, que assistiu à sessão de julgamento.

DEFESA

Ontem mesmo os advogados de Arruda entraram com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal. "A prisão é ilegal, abusiva e desnecessária", alegou o advogado Nélio Machado. O ministro do STF Marco Aurélio Mello deve decidir hoje sobre o recurso.

Os advogados argumentaram, ainda, que Arruda foi submetido a constrangimento ilegal por "uma medida açodada, diante de investigação inconclusa, em afronta às tradições de nossos tribunais".

A defesa argumentou, em favor do governador, que "jamais se viu perseguição como a que vem atingindo há mais de dois meses o governador do Distrito Federal". Os defensores afirmaram, ainda, que Arruda nunca foi ouvido por nenhum órgão de investigação.

Repercussão

Fernando Mattos - Associação dos Juízes Federais do Brasil

" Agora a sociedade precisa que as investigações sejam concluidas, que esse processo chegue ao seu final e que haja um julgamento definitivo em tempo hábil"

Chico de Oliveira - Cientista politico

"Não sel se vai moralizar a política brasileira, mas e um passo impo dante e inédito. A Justiça esta tomando coragem e eu louvo"

Mozart Valladares - Associação dos Magistrados Brasileiros

"Ha fortes indícios de que o governador do DF estaria tentando destruir provas do processo no qual e acusado de corrupção. Ele pode atrapalhar as investigações e a sociedade não suporta mais casos de corrupção como esse"

Antonio Carlos Bigonha - Associação Nacional dos Procuradores da Republica

"Essa decisão traz conforto não somente a sociedade brasiliense, no momento de crise vivido pela capital federal, mas a todo o Pais de que atos ilegais como os denunciados em Brasília não ficarão impunes"

Ophir Cavalcante - Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil

"A decisão confere esperança à sociedade de que e possivel derrotar a corrupção. A prisão do governador José Roberto Arruda pode ser o marco histórico da quebra da impunidade na politica brasileira A Justiça agiu, como é de seu dever"

Rosangela Giembinsky - Movimento Voto Consciente

"A Justiça deve isso a nos todos Não queremos julgar antes. Mas e preciso que casos emblemáticos eduquem a população. E um exemplo para que os políticos sejam desencorajados a praticar atos ilícitos"


Veículo: BLOG do Fred (Folha de São Paulo)
Título: Ajufe também aplaude prisão preventiva de Arruda
Data: 12/02/2010


A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) também se associa às manifestações de apoio à prisão preventiva do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Eis a íntegra da manifestação:

NOTA PÚBLICA

A Associação dos Juízes Federais do Brasil – AJUFE, a propósito da prisão preventiva do governador do Distrito Federal e de outras pessoas, decretada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, vem manifestar-se nos seguintes termos:

1. A decisão do Superior Tribunal de Justiça é um marco importante e foi tomada diante de fortes indícios da continuidade da prática de crimes, com o objetivo de impedir as investigações.

2. Os membros da Corte Especial decidiram de acordo com a sua convicção, a prova dos autos, a Constituição e as leis do país. Esse conjunto traduz a independência do magistrado, de qualquer instância, de decidir livremente de maneira fundamentada, uma garantia essencial da sociedade brasileira.

3. O ocorrido na sessão de ontem do Superior Tribunal de Justiça se verifica nas mais diversas seções judiciárias da Justiça Federal. Os juízes federais, em especial aqueles com competência criminal, diariamente examinam sozinhos, no silêncio de seus gabinetes, casos envolvendo organizações criminosas complexas e, em muitas vezes, estão colocados em situação de risco, com suas famílias sob ameaça, mas mesmo assim, não se intimidam. A AJUFE estará sempre ao lado deles.

4. A decisão de ontem serve também para se enfatizar como é importante o apoio à magistratura, reafirmando a sua independência de julgamento, cabendo às partes contrariadas com a decisão se utilizar do recurso cabível. Não há democracia sem juízes independentes.

5. A AJUFE rejeita, também, os ataques lançados por advogado contra o Superior Tribunal de Justiça. Ataques que ultrapassam a retórica. O inconformismo com as decisões judiciais é compreensível, mas deve conter-se nos limites democráticos e éticos do processo. Esse tipo de manifestação, que ora sofre o Superior Tribunal de Justiça, é sentido muitas vezes pelos juízes das demais instâncias, ainda mais quando examinam causas que envolvam poderosos.

6. É necessário registrar, por fim, que a prisão ontem decretada é do tipo cautelar. É fundamental que a sociedade brasileira acompanhe de perto o caso a fim de que ele seja julgado definitivamente em tempo razoável, como determina a Constituição da República. Isto para que o sopro de esperança com essa decisão não venha a aprofundar o sentimento de impunidade.

Brasília, 12 de fevereiro de 2010.

Fernando Cesar Baptista de Mattos, presidente da Ajufe.


Veículo: Jornal do Commércio (RJ)
Título: Juízes criticam PEC da demissão administrativa
Data: 5/02/2010

Tem gerado protestos a Proposta de Emenda Constitucional 89/2003, que visa a impedir a utilização da aposentadoria compulsória dos magistrados como medida disciplinar ao permitir a perda de cargo por decisão administrativa de dois terços dos membros do tribunal ao qual o juiz for vinculado. O texto também substitui a figura da disponibilidade remunerada pela suspensão do exercício do cargo sem remuneração. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) já encaminhou aos senadores, responsáveis por apreciar a proposta, nota técnica por meio da qual manifesta seu posicionamento contrário ao texto.

A proposição visar a dar nova redação aos artigos 93 e 95 da Constituição Federal. Segundo a entidade, ao permitir a perda do cargo do magistrado por decisão administrativa, a proposta reduzirá direitos constitucionais e destruirá uma das garantias da categoria: a vitaliciedade. A Ajufe destacou que a perda definitiva do cargo de juiz ocorre apenas por decisão judicial transitada em julgado, sendo que, no âmbito administrativo, a penalidade máxima ao magistrado é a decretação da aposentadoria compulsória, por voto da maioria absoluta do tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça.

Para a associação, a punição firme de desvios funcionais e corrupção praticada por juízes é uma das condições para que as instituições públicas ganhem confiança e credibilidade. No entanto, nenhuma garantia posta na Constituição Federal pode ser reduzida ou afastada por mera decisão administrativa.

aproximação. Entre os argumentos para a aprovação da proposta está o de que há a intenção de aproximar o regime funcional dos juízes ao dos demais servidores públicos. Segundo a Ajufe, o magistrado, além de servidor, é agente político que exerce parcela de poder estatal. Para poder atuar com autonomia e independência, a Constituição Federal o cercou de garantias. Entre elas, a da vitaliciedade (art. 95, inciso I, CF/88), que a PEC 89/03 pretende reduzir o seu alcance, diz trecho da nota técnica. A PEC está em trâmite no Plenário do Senado Federal.


Veículo: Consultor Jurídico
Título: Ajufe defende empenho de juízes e critica recursos
Data: 4/02/2010


Por Alessandro Cristo

A entidade que representa os juízes federais no Brasil reagiu às críticas do novo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante Júnior. Há dois dias no cargo, Cavalcante afirmou que um dos motivos da morosidade do Judiciário "é que a grande maioria dos juízes não cumpre seus horários e trabalha, quando muito, no ‘sistema tqq’: terças, quartas e quintas-feiras", de acordo com a Folha Online.

A afirmação foi feita em resposta ao discurso do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, na abertura do Ano Judiciário. Mendes disse que os levantamentos feitos pelo Conselho Nacional de Justiça mostraram que a lentidão da Justiça é um mito e que os problemas são locais e não generalizados. O presidente da OAB discordou. “A lentidão não é mito, é um fato real, pois se fosse mito não seria necessário o CNJ estabelecer metas para redução do volume de processos. Metas que, pelo se divulgou, nem foram alcançadas", disse em nota.

Em defesa da classe, no entanto, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) não deixou por menos e rebateu com os números do CNJ. “De 2004 a 2008, foram distribuídos mais de 13 milhões de casos novos na Justiça Federal, sendo julgados 12,4 milhões de processos, com uma média de produtividade de quase 95%”, disse o presidente da entidade, Fernando Mattos.

Segundo ele, o desempenho dos desembargadores federais é ainda melhor que o dos estaduais e do trabalho. “A produtividade no segundo grau da Justiça Federal é três vezes superior à apurada na Justiça Estadual e quase duas vezes e meia a da Justiça do Trabalho.”

Mattos afirma que a lentidão se deve também ao excesso de recursos ajuizados pelos advogados e procuradores, “que permitem às partes prorrogar quase que indefinidamente o final do processo, e os privilégios da Fazenda Pública, com suas intimações pessoais, prazos diferenciados e sujeição das sentenças à confirmação pelo Tribunal”.

Leia a nota

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) vem a público rebater as declarações do novo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que em matéria publicada nesta quarta-feira (3), no site Folha Online, afirmou que "falta empenho dos juízes" para combater a morosidade do Judiciário.

A Ajufe rejeita com veemência afirmações como essa, sem fundamento, e assegura que os juízes federais têm feito um enorme esforço para garantir ao cidadão uma Justiça rápida, eficaz e de qualidade. Os números demonstram isso. Segundo dados do CNJ, de 2004 a 2008, foram distribuídos mais de 13 milhões de casos novos na Justiça Federal, sendo julgados 12,4 milhões de processos, com uma média de produtividade de quase 95%.

Nos juizados especiais federais já foram distribuídos mais de 7,5 milhões de processos e pagos mais de 17 bilhões de reais, beneficiando mais de 5 milhões de pessoas, na maioria dos casos, os cidadãos mais carentes. Trata-se de um programa de cidadania e acesso à Justiça sem precedente.

Nos tribunais regionais federais, mesmo com a convocação de dezenas de juízes de primeiro grau para auxílio (que oneram a primeira instância) e uma produtividade média de quase 100%, o número de casos pendentes alcançou a casa de mais de 712 mil processos. Note-se que a produtividade no segundo grau da Justiça Federal é três vezes superior à apurada na Justiça Estadual e quase duas vezes e meia a da Justiça do Trabalho.

Além disso, pelas varas de execução fiscal federal, a Fazenda Pública Federal conseguiu reaver cerca de R$ 60 bilhões entre 2004 e 2008, o que representa um saldo positivo superior a R$ 38 bilhões na proporção receita/despesa. Em um País cuja carga tributária alcança mais de 35% do PIB, esses valores são muito expressivos.

A atuação decidida dos juízes federais, inclusive, mudou a postura da administração federal que, a cada dia, investe mais recursos no aperfeiçoamento dos seus serviços.

Nota-se, portanto, como são equivocadas as afirmações do novo presidente da OAB. Discutir a demora na conclusão de processos passa por um debate mais amplo. Apenas como exemplo, tome-se o elevadíssimo número de recursos, que permitem às partes prorrogar quase que indefinidamente o final do processo, e os privilégios da Fazenda Pública, com suas intimações pessoais, prazos diferenciados e sujeição das sentenças à confirmação pelo Tribunal.

A Ajufe está aberta ao diálogo com representantes de todos os segmentos da sociedade, mas rejeita qualquer declaração que tente diminuir o trabalho dos juízes federais brasileiros, que trabalham muito e zelam pelo aperfeiçoamento das instituições e pela preservação do Estado Democrático de Direito.

Brasília, 4 de fevereiro de 2010.

Fernando Cesar Baptista de Mattos

Presidente da Ajufe



Veículo: BLOG do Fred (Folha de São Paulo)
Título: Ajufe rebate críticas de presidente da OAB
Data: 4/02/2010


A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) também emitiu nota contestando declarações atribuídas ao presidente da OAB, Ophir Cavalcante Júnior, sobre a morosidade do Judiciário.

Eis a íntegra da manifestação:

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) vem a público rebater as declarações do novo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que em matéria publicada nesta quarta-feira (3/1), no site Folha Online, afirmou que "falta empenho dos juízes" para combater a morosidade do Judiciário.

A Ajufe rejeita com veemência afirmações como essa, sem fundamento, e assegura que os juízes federais têm feito um enorme esforço para garantir ao cidadão uma Justiça rápida, eficaz e de qualidade. Os números demonstram isso. Segundo dados do CNJ, de 2004 a 2008, foram distribuídos mais de 13 milhões de casos novos na Justiça Federal, sendo julgados 12,4 milhões de processos, com uma média de produtividade de quase 95%.

Nos juizados especiais federais já foram distribuídos mais de 7,5 milhões de processos e pagos mais de 17 bilhões de reais, beneficiando mais de 5 milhões de pessoas, na maioria dos casos, os cidadãos mais carentes. Trata-se de um programa de cidadania e acesso à Justiça sem precedente.

Nos tribunais regionais federais, mesmo com a convocação de dezenas de juízes de primeiro grau para auxílio (que oneram a primeira instância) e uma produtividade média de quase 100%, o número de casos pendentes alcançou a casa de mais de 712 mil processos. Note-se que a produtividade no segundo grau da Justiça Federal é três vezes superior à apurada na Justiça Estadual e quase duas vezes e meia a da Justiça do Trabalho.

Além disso, pelas varas de execução fiscal federal, a Fazenda Pública Federal conseguiu reaver cerca de R$ 60 bilhões entre 2004 e 2008, o que representa um saldo positivo superior a R$ 38 bilhões na proporção receita/despesa. Em um País cuja carga tributária alcança mais de 35% do PIB, esses valores são muito expressivos.

A atuação decidida dos juízes federais, inclusive, mudou a postura da administração federal que, a cada dia, investe mais recursos no aperfeiçoamento dos seus serviços.

Nota-se, portanto, como são equivocadas as afirmações do novo presidente da OAB. Discutir a demora na conclusão de processos passa por um debate mais amplo. Apenas como exemplo, tome-se o elevadíssimo número de recursos, que permitem às partes prorrogar quase que indefinidamente o final do processo, e os privilégios da Fazenda Pública, com suas intimações pessoais, prazos diferenciados e sujeição das sentenças à confirmação pelo Tribunal.

A Ajufe está aberta ao diálogo com representantes de todos os segmentos da sociedade, mas rejeita qualquer declaração que tente diminuir o trabalho dos juízes federais brasileiros, que trabalham muito e zelam pelo aperfeiçoamento das instituições e pela preservação do Estado Democrático de Direito.

Brasília, 4 de fevereiro de 2010.

Fernando Cesar Baptista de Mattos

Presidente da Ajufe


Veículo: Revista Carta Capital
Título: Na linha de tiro
Data: 25/01/2010


Castelo de Areia

Surpresa? A operação contra diretores da Camargo Corrêa segue os trâmites da lei, mas o STJ decide suspender as ações do Juiz De Sanctis

Por Gilberto Nascimento

Colegas do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, não têm dúvidas: o magistrado virou, no Judiciário, o alvo do momento dos tribunais superiores e de setores da mídia. De Sanctis tem sido bombardeado por tomar decisões judiciais que contrariam grandes interesses, como os do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e do conglomerado industrial Camargo Corrêa.

Em apenas um mês, o juiz perdeu o controle das investigações de três casos importantes: MSI-Corinthians, Satiagraha e Castelo de Areia. Essa última operação resultou em uma ação encaminhada por De Sanctis contra três diretores da construtora Camargo Corrêa - Fernando Dias ° Gomes, Pietro Bianchi e Darcio Bruma -, por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na quinta-feira 14, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cesar Asfor Rocha, decidiu suspendê-la, a pedido da defesa, ao alegar que teria sido iniciada a partir de uma denúncia anônima. No dia 18 de dezembro, o mesmo STJ suspendeu todas as medidas judiciais da operação Satiagraha, beneficiando Dantas e 62 cotistas do opportunity Fund, acusados de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal.

Três dias antes, o juiz havia sido afastado do caso MSI, por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). "Ele recebe críticas pesadas e tem sido tachado de arbitrário, principalmente por parte da mídia, por lidar com processos complicados que afetam pessoas poderosas", diz o juiz Sérgio Moro, da 22º Vara Federal Criminal de Curitiba. "Não se pode aceitar a tentativa, cada vez mais reiterada, de desqualificar o magistrado", reage Fernando Baptista de Mattos, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e titular da 1a Vara de Execuções Fiscais de Vitória (ES).

A procuradora regional da República Janice Ascari critica duramente os tribunais superiores. "Parece que pegaram o De Sanctis para Cristo, e com isso querem dizer: 'Vamos aplicar uma lição nesse juiz para que os outros não coloquem as manguinhas de fora'. O que estão fazendo com ele é uma coisa vergonhosa", lamenta."Os advogados aproveitam-se de todas as brechas e contam meias-verdades aos tribunais. O De Sanctis tem sido injustamente perseguido e difamado exatamente por ser um juiz correto e rigoroso. Ele é penalizado por cumprir sua função com extremo rigor, como se esperaria que todos os juízes fizessem. Felizmente, existem muitos outros como é ele", afirma Ascari.

A procuradora contesta a decisão de Asfor Rocha na Castelo de Areia. Para ela, o ministro do STJ nem ao menos observou o processo. "É uma decisão que caminha para as raias do absurdo.O ministro não avaliou certas peças processuais. Se tivesse, teria constatado que a interceptação telefônica solicitada não foi baseada numa denúncia anônima. Já havia a delação premiada e outros elementos de investigação. Inclusive, quem cuidava do processo na época era o juiz substituto, Márcio Rached Millani. Asfor equivocou-se no mérito da liminar. Não havia a necessidade de dar uma decisão como essa num plantão", contesta.

A procuradora da República responsável pelo caso, Karen Louise Kahn, também lamentou a decisão, em nota. Disse que o STJ foi induzido a erro por advogados ao deferir liminar sem ouvir o Ministério Público Federal. Segundo Kahn, a atuação do MPF durante toda a investigação "foi inteiramente pautada na legalidade, fornecendo à Justiça Federal todos os elementos necessários à concessão de medidas constritivas, como a interceptação telefônica, que acabou sendo deferida pelo juízo de forma legal e fundamentada". Asfor Rocha acolheu, em caráter provisório, os argumentos de um dos advogados da Camargo Corrêa, Celso vil ardi, sobre a suposta ilegalidade da denúncia anônima.

Figura próxima do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes com quem mantém, inclusive, relações familiares, Rocha é ex-corregedor nacional de Justiça e advogado de formação. Entrou no STJ por meio do "quinto constitucional da advocacia" (indicação de advogados pela OAB para compor tribunais). Candidato a uma das próximas vagas do STF, já teve o seu nome cogitado recentemente, antes da indicação do ex-advogado-geral da União José Antonio Toffoli para o tribunal. "Confesso-me convicto de que o contexto dos autos evidencia que a ação penal em apreça se mostra fortemente impactada pelos argumentos jurídicos trazidos pelos impetrantes", considerou o ministro Rocha.

A defesa da empreiteira contou com um reforço de peso. A estratégia foi arquitetada pelo ex-ministro da Justiça do governo Lula Márcio Thomaz Bastos, contratado em março do ano passado. O ex-ministro pediu 15 milhões de reais para defender a construtora, segundo informações divulgadas na imprensa.

Houve denúncia anônima sobre supostas ações ilegais da Camargo Corrêa citada pelo delegado da Polícia Federal Otávio Russo ao pedir, em janeiro de 2008, a quebra de sigilo de cadastros telefônicos (e não de interceptação) para investigar um doleiro, Kurt Paul Pickel. Mas, seis meses antes, já havia o relato de um réu-colaborador sobre essas ações. Outras informações foram obtidas em outro depoimento de réu preso na Operação Downtown, da PF, em agosto de 2008. A denúncia anônima confirmou a delação inicial, feita bem antes, e não serviu como prova, argumentam os responsáveis pela Castelo de Areia.

Ao receber a solicitação da PF, o juiz substituto Márcio Millani autorizou a utilização das informações por agentes determinados, para permitir a identificação apenas do alvo das investigações. A PF pediu para que os ofícios às concessionárias de telefonia não indicassem o nome do investigado, por causa de vazamentos ocorridos em outra operação, a Têmis (que investigava avenca de sentenças judiciais). As consultas seriam registradas, como foi observado. Somente após as investigações preliminares foi autorizado o monitoramento no dia 13 de fevereiro de 2008.

"A medida judicial não decorreu de qualquer arbitrariedade, mas sustentou-se em forte respaldo fático, amplamente corroborado pelo Ministério Público Federal e, posteriormente, reconhecida como lícita pelo próprio TRF da 3a Região, quanto à legalidade para a deflagração da ação policial, que resultou no ajuizamento de ações penais e novas representações criminais para todo o Brasil", acrescentou Karen Kahn.

Na avaliação de Janice Ascari, os tribunais superiores têm tomado decisões não compatíveis com o rito processual de outras ações. "São processos pontuais, nos quais essas decisões estranhas são dadas. Sempre o réu é alguém rico e poderoso. Isso é motivo de alerta para todos nós. Não por desconfiança com a pessoa do ministro, do julgador. Mas pela influência política que esses réus poderosos podem ter sobre os tribunais", critica.

Segundo a procuradora, a decisão do ministro Eros Graus, do STF, de requisitar todas as provas do caso Satiagraha e trancá-las em uma sala "foi um dos maiores absurdos jurídicos do Supremo em 2009". A decisão sobre a MSI-Corinthians "foi uma decisão incomum, do tipo que não costuma se dar por liminar", entende a procuradora."Se o caso foi levado para a apreciação de toda a turma do TRF-3, por que, então, não se fez o julgamento definitivo?", observa. Além do apoio de juízes e procuradores, De Sanctis recebeu a solidariedade de políticos.

Na terça-feira 19, ele teve uma longa e emocionada conversa, ao telefone, com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). O peemedebista pretende fazer um pronunciamento em defesa de De Sanctis no Senado, tão logo reiniciem os trabalhos na Casa, em fevereiro. "Ele é um rapaz de grande valor, competente e sério. Tem a coragem de enfrentar um poderoso banqueiro e uma das maiores empreiteiras do País. E querem transformar santo em réu. Há um interesse em demoli-lo", criticou Simon. "A Justiça tem de andar. Se um magistrado toma uma decisão mais arrojada, o mundo cai em sua cabeça. Isso não pode acontecer. Esse juiz podia ter se tornado um desembargador e não quis para continuar a sua missão", acrescentou.

A perseguição é mais um exemplo de que, no Brasil, "só vai para a cadeia ladrão de galinha", atesta Simon. "O banqueiro Dantas já havia afirmado que seu problema eram os juízes de primeira instância, porque nos tribunais superiores ele resolvia", lembrou o senador.

Repúdio

A Ajufe critica tentativa de desqualificar o magistrado que incomoda

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) afirmou, em nota sobre a suspensão pelo STJ de ações abertas em decorrência das operações Satiagraha e Castelo de Areia, que deve "ser repelida com veemência" a tentativa, "cada vez mais reiterada, de, a partir da reforma de uma decisão judicial, pretender-se desqualificar o magistrado que a proferiu".

Assinada pelo presidente da entidade, Fernando Mattos, a nota ressalta que "a independência dos juízes brasileiros, seja qual for a instãncia que integrem, é essencial para a democracia". E acrescenta: "Atacar um magistrado pela decisão que proferiu é atacar a democracia. A Ajufe, portanto, rejeita toda e qualquer tentativa de desmoralização pública de seus associados e não se furtará a manifestar-se sempre que necessário".

Segundo a entidade, a independência da magistratura "é uma garantia fundamental do estado Democrático de Direito e da cidadania, não podendo, por qualquer forma, ser diminuída". Conforme Mattos, "a possibilidade de recorrer das decisões judiciais também integra o mesmo rol de garantias fundamentais".

O presidente da Ajufe observa que "diariamente são proferidas milhares de decisões pelos juízes e tribunais brasileiros, a partir do livre convencimento e da interpretação dos fatos, da Constituição e das leis" e cada uma delas "agrada a uma parte do processo e desagrada à outra".


Veículo: Última Instância
Título: Após liminares do STJ, juízes dizem que reformas de decisões são fatos normais
Data: 21/01/2010


Com certo atraso, a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) divulgou nesta quarta-feira (20/1) uma nota pública em respostas às decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que suspenderam provisoriamente as ações resultantes de duas polêmicas operações da Polícia Federal. O presidente da associação, Fernando de Mattos, afirma que a reforma de decisões é um fato normal do Estado Democrático de Direito.

Defendendo a independência dos magistrados, Mattos explica que a possibilidade de recorrer das milhares de decisões proferidas diariamente pela Justiça brasileira integra as garantias fundamentais da sociedade.

De maneira bastante sutil, a Ajufe defendeu ainda a atuação do juiz federal Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. A associação afirmou que não se pode aceitar a desqualificação de um magistrado pela decisão que proferiu e foi posteriormente reformada. “A independência dos juízes brasileiros, seja qual for a instância que integrem, é essencial para a democracia. Atacar um magistrado pela decisão que proferiu é atacar a democracia”, diz a nota.

Leia a íntegra do comunicado da Ajufe:

Nota pública

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a propósito das recentes manifestações divulgadas na imprensa acerca das decisões do Superior Tribunal de Justiça que suspenderam as ações penais abertas em decorrência das chamadas operações "Satiagraha" e "Castelo de Areia", vem a público, uma vez mais, defender a independência dos magistrados e salientar que a reforma de decisões deve ser vista pela sociedade como fato normal no Estado Democrático de Direito.

Diariamente são proferidas milhares de decisões pelos juízes e tribunais brasileiros, a partir do livre convencimento e da interpretação dos fatos, da Constituição e das leis. Cada uma dessas decisões agrada uma parte do processo e desagrada a outra.

A independência funcional da magistratura é uma garantia fundamental do Estado Democrático de Direito e da cidadania, não podendo, por qualquer forma, ser diminuída. A possibilidade de recorrer das decisões judiciais também integra o mesmo rol de garantias fundamentais. Portanto, a decisão judicial por órgão de primeiro grau de jurisdição, o recurso em razão dela interposto e a decisão de órgão de instância superior, reformando ou não a decisão primeira, são fatos normais do cotidiano judiciário.

O que não se pode aceitar é a tentativa, cada vez mais reiterada, de, a partir da reforma de uma decisão judicial, pretender-se desqualificar o magistrado que a proferiu. Isso deve ser repelido com veemência.

A independência dos juízes brasileiros, seja qual for a instância que integrem, é essencial para a democracia. Atacar um magistrado pela decisão que proferiu é atacar a democracia.

A Ajufe, portanto, rejeita toda e qualquer tentativa de desmoralização pública de seus associados e não se furtará a manifestar-se sempre que necessário.

Brasília, 19 de janeiro de 2010.


Veículo: Folha de São Paulo
Título: Democracia requer juiz independente, diz associação
Data: 21/01/2010


Em nota, presidente da Ajufe reage a tentativa de "desqualificar" magistrados

Texto comenta suspensão, pelo STJ, das operações da PF Satiagraha e Castelo de Areia, sob responsabilidade do juiz Fausto De Sanctis

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Fernando Cesar Baptista de Mattos, defendeu, por meio de nota, a independência funcional dos juízes de primeira instância e afirmou repelir com veemência qualquer tentativa de desqualificar ou desmoralizar magistrados.

"A Ajufe, a propósito das recentes manifestações divulgadas na imprensa acerca das decisões do Superior Tribunal de Justiça que suspenderam as ações penais abertas em decorrência das chamadas operações Satiagraha e Castelo de Areia, vem a público, uma vez mais, defender a independência dos magistrados e salientar que a reforma de decisões deve ser vista pela sociedade como fato normal no Estado democrático de Direito", informou o presidente da entidade.

As duas grandes operações, a Satiagraha (que investiga o banqueiro Daniel Dantas) e a Castelo de Areia (cujo foco é a construtora Camargo Corrêa), sob responsabilidade do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, foram suspensas provisoriamente por ordem do STJ, que atendeu a um pedido das respectivas defesas. No primeiro caso, discute-se eventual suspeição do magistrado. No segundo, suposta ilegalidade das provas.

"O que não se pode aceitar é a tentativa, cada vez mais reiterada, de, a partir da reforma de uma decisão judicial, pretender-se desqualificar o magistrado que a proferiu. Isso deve ser repelido com veemência. A independência dos juízes, seja qual for a instância que integrem, é essencial para a democracia. Atacar magistrado pela decisão que proferiu é atacar a democracia", disse Mattos.

Para ele, a discussão deve ser vista com tranquilidade, pois faz parte da rotina da Justiça. "A independência funcional da magistratura é uma garantia fundamental do Estado democrático de Direito e da cidadania. A possibilidade de recorrer das decisões judiciais também integra o mesmo rol de garantias fundamentais", informou.


Veículo: BLOG do Fred (Folha de São Paulo)
Título: Ajufe repele tentativa de "desmoralizar" juízes
Data: 20/01/2010


Entidade comenta suspensão da Satiagraha e Castelo de Areia: "Reforma de decisões é fato normal"

A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) distribuiu nota a propósito de manifestações divulgadas sobre a suspensão das operações Satiagraha e Castelo de Areia por decisão judicial. A entidade reafirma a independência dos magistrados e sustenta que a reforma de decisões "deve ser vista pela sociedade como fato normal no Estado Democrático de Direito".

Sem mencionar nomes, a nota assinada pelo presidente da entidade, Fernando Cesar Baptista de Mattos, afirma que "atacar um magistrado pela decisão que proferiu é atacar a democracia".

Eis a íntegra da "Nota Pública":

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a propósito das recentes manifestações divulgadas na imprensa acerca das decisões do Superior Tribunal de Justiça que suspenderam as ações penais abertas em decorrência das chamadas operações "Satiagraha" e "Castelo de Areia", vem a público, uma vez mais, defender a independência dos magistrados e salientar que a reforma de decisões deve ser vista pela sociedade como fato normal no Estado Democrático de Direito.

Diariamente são proferidas milhares de decisões pelos juízes e tribunais brasileiros, a partir do livre convencimento e da interpretação dos fatos, da Constituição e das leis. Cada uma dessas decisões agrada uma parte do processo e desagrada a outra.

A independência funcional da magistratura é uma garantia fundamental do Estado Democrático de Direito e da cidadania, não podendo, por qualquer forma, ser diminuída. A possibilidade de recorrer das decisões judiciais também integra o mesmo rol de garantias fundamentais. Portanto, a decisão judicial por órgão de primeiro grau de jurisdição, o recurso em razão dela interposto e a decisão de órgão de instância superior, reformando ou não a decisão primeira, são fatos normais do cotidiano judiciário.

O que não se pode aceitar é a tentativa, cada vez mais reiterada, de, a partir da reforma de uma decisão judicial, pretender-se desqualificar o magistrado que a proferiu. Isso deve ser repelido com veemência.

A independência dos juízes brasileiros, seja qual for a instância que integrem, é essencial para a democracia. Atacar um magistrado pela decisão que proferiu é atacar a democracia.

A Ajufe, portanto, rejeita toda e qualquer tentativa de desmoralização pública de seus associados e não se furtará a manifestar-se sempre que necessário.

Brasília, 19 de janeiro de 2010.
Fernando Cesar Baptista de Mattos
Presidente da Ajufe


 
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